terça, 10 de março de 2026
Publicado em 02 ago 2020 - 19:45:20
Verba já estaria destinada à associação, mas não é liberada por problemas no Projeto
Letícia Azevedo
A ADO (Associação dos Diabéticos de Ourinhos) desenvolveu um projeto para atender crianças e famílias pré-dispostas a desenvolverem diabetes. Apesar da grande importância do desenvolvimento do projeto, diversas dificuldades vêm atrasando a realização do mesmo.
Através de um vídeo, o Presidente Júlio Cézar Benatto, fez um apelo explicando a situação enfrentada hoje pela associação. “Nós identificamos diversas crianças pré-dispostas a Diabetes e resolvemos realizar uma espécie de estudo, aliados com a Faculdade Estácio de Sá, Secretarias de Saúde e Educação, a fim de conhecer a realidade dessas crianças e suas famílias. Mas o que nós não esperávamos é que a maioria dessas famílias vivesse em extrema pobreza”.
Essas crianças que se encontram em creches e escolas municipais apresentam sobrepeso, familiares com diabetes e por isso são vulneráveis a doença. “Essas crianças que não se alimentam de maneira correta e que nem sempre tem atendimento médico à disposição, podem se tornar adultos com saúde extremamente delicada”, afirma Júlio.

De acordo com o estudo essas famílias, geralmente moradoras de bairros afastados se encontram em extrema carência, financeira e social. “São pessoas que não tem condições financeiras de sustentar essas crianças pré-diabéticas, alimentando-as de maneira correta, seguindo uma dieta restritiva e principalmente com acompanhamento médico. Por isso, surgiu a ideia de levar esse projeto adiante, para auxiliar o futuro saudável dessas crianças”.
Segundo o presidente da ADO, apesar da grandiosidade do projeto, questões burocráticas vêm afetando a realização do mesmo. “Nós já enviamos à Prefeitura, há cerca de três meses esse projeto, porém a resposta é sempre que falta algum tipo de termo, algum tipo de alegação. Todas as respostas que recebemos eram sempre que faltam explicações claras. Agora eu pergunto, porque não realizam logo um levantamento de todas as questões que precisam ser respondidas e não param de postergar um projeto de tão grande valia para o nosso município?” – questionou.
Júlio Cézar contou que além das verbas destinadas pelo Governo Federal, a ADO receberia dos vereadores Abel Fiel, Cido do Sindicato, Anísio Felicetti, Carlinhos do Sindicato, Cícero Investigador, Raquel Borges Spada, Vadinho e Dr. Salim Mattar, cerca de R$60 mil reais, vindos do duodécimo orçamentário da Câmara Municipal, destinada para o ano de 2020. Porém, se aproximando do fim do ano, fica mais difícil receber os valores e viabilizar o projeto.
O presidente da ADO relatou que uma das últimas justificativas da Prefeitura para o não repasse das verbas seria que as prestações de contas da ADO não estariam em dia. “Nossa prestação de contas é feita de maneira mensal e inclusive enviada a Secretaria Municipal de Saúde, assinada por contador. Não há nenhum tipo de irregularidade em nossas contas. Essa burocracia municipal é muito grande. Parece que não dão importância ao nosso trabalho. A diabetes é uma doença séria e que causa danos irreversíveis. Essas crianças necessitam de alimentação especial, acompanhamento e essa verba é destinada para isso. Contrataríamos nutricionistas, assistentes sociais, profissionais na área do agro, que possam ensinar as famílias a plantar seus próprios alimentos. Há muita coisa que pode e deve ser feito por essas famílias. O papel da associação é auxiliar, mas não estamos conseguindo exercer esse papel, devido a tanta burocracia”.
OUTRO LADO – Consultada sobre a questão, a Prefeitura Municipal afirmou que falta a elaboração do plano de trabalho de acordo com as emendas impositivas. “O procurador municipal pediu que fosse refeito o projeto atendendo a todas essas normas e que a Instituição não fez como solicitado. Sendo assim, a Prefeitura não tem legalidade de efetuar o repasse sem o parecer da procuradoria”.
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