terça, 10 de março de 2026
Publicado em 24 ago 2020 - 09:52:48
Os criminosos vêm aproveitando das transações que são realizadas através de aplicativos bancários e sites, onde a facilidade na clonagem dos dados é maior.
Letícia Azevedo
Desde o início do ano, o número de golpes, sejam eles virtuais ou não, vem aumentando desenfreadamente. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Ourinhos, os crimes de estelionato aumentaram cerca de 35% durante a pandemia em comparação com o mesmo período do ano passado.
Com mais pessoas em casa por causa do isolamento social e o aumento de operações no comércio eletrônico, as tentativas de fraudes virtuais estão em alta. Apesar de ainda não possuir um número concreto, a Central de Polícia Judiciária (CPJ) prevê um aumento significativo no número de ocorrências registradas por munícipes neste período.
De acordo com o delegado e coordenador da CPJ de Ourinhos, Dr. Pedro Telles, o momento é delicado e infelizmente, propício para a prática dos golpes. Os criminosos vêm aproveitando das transações que são realizadas através de aplicativos bancários e sites, onde a facilidade na clonagem dos dados é maior.

“Mais uma vez nós pedimos que as pessoas tenham cautela, principalmente em quesitos que envolvam o WhatsApp. Todo cuidado é pouco com mensagens que o indivíduo recebe exigindo que seja digitado algum código, alguma senha. As pessoas têm que saber que instituições bancárias, financiadoras e, principalmente a Receita Federal, não mandam ninguém em suas residências para buscar nenhum tipo de documento. A cada dia, os golpistas envolvem o nome dessas instituições, movidos pela dificuldade de as pessoas saírem de suas casas por conta da pandemia, quando são motivadas a resolver os seus problemas através de app ou sites, e é nesse momento em que muita gente vem caindo em diversas modalidades de golpes”.
O delegado afirma que o universo cibernético traz uma certa segurança aos criminosos, além das novas brechas abertas por aplicativos e programas populares. “Na internet, o risco à integridade física do criminoso é bem menor do que se ele cometer um crime na rua. Além disso, são golpes que muitas vezes não exigem muito conhecimento técnico e têm amplo alcance. O brasileiro tem um péssimo hábito de não ler as mensagens até o fim. A falta de informação é um dos maiores aspectos que está vitimando a população”.
GOLPE ENVOLVENDO EMPRÉSTIMOS
Um munícipe que preferiu manter a sua identidade em sigilo procurou pelo Negocião e denunciou um caso, onde ele próprio, ao realizar um empréstimo consignado, acabou caindo num golpe e perdeu a quantia de R$800,00 reais. De acordo com o homem, ele solicitou o empréstimo após ter entrado em contato telefônico e depois ser direcionado a um site. Segundo ele, essa plataforma não apresentava nenhuma irregularidade aparente, o que fez com que acreditasse na veracidade da financiadora. Após ter o empréstimo “aprovado”, os golpistas solicitaram que ele pagasse uma taxa no valor de R$800 reais. Logo após o pagamento, ele foi bloqueado em todas as redes e não conseguiu mais nenhum tipo de acesso nem telefônico e nem através do site. O indivíduo registrou um Boletim de Ocorrência, mas até o momento, ninguém foi preso.
Segundo o Dr Pedro, o “golpe do empréstimo” é uma das modalidades mais registradas na CPJ de Ourinhos. Apesar do uso dos aplicativos via internet serem amplamente incentivados neste período de pandemia, não é aconselhável realizar certos tipos de transações fora da instituição bancária ou financiadora. “Os golpistas acabam hackeando a página de uma instituição financeira conhecida, criando uma via de acesso e atendendo a vítima, como se fosse um funcionário da instituição. Ele acaba tendo acesso aos dados do solicitante e aplicando o golpe”.
GOLPES AUXÍLIO EMERGENCIAL

Após a criação do Auxílio Emergencial, diversas pessoas já procuraram pela Central de Polícia Judiciária alegando ter tido os seus aplicativos bancários clonados. “Já tivemos reclamações que o dinheiro simplesmente desapareceu. Infelizmente hoje, os golpistas nadam em um “mar calmo”. Dizemos que eles estão na “praia deles” apenas aguardando qualquer tipo de deslize as vítimas”.
IMPORTÂNCIA DO B.O.
Dr. Pedro Telles ressaltou que é de suma importância que os lesados procurem pela CPJ e registrem o boletim de ocorrência. “Muitas pessoas se envergonham de terem sido surpreendidos e ludibriados. De terem sido enganados, passados pra trás. Nem sempre as vítimas são pessoas sem instrução e por isso elas se sentem envergonhadas em vir até a delegacia e se expor. Nós pedimos, não façam isso. Venham até aqui, sua identidade será preservada. Mas é de suma importância que a polícia investigue e tente averiguar quem são os golpistas. Nós só vamos conhecer as vítimas se elas vierem até nós”.
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