terça, 10 de março de 2026

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência abre parênteses para a acessibilidade

Publicado em 29 ago 2020 - 10:54:16

           

Apesar de todos os avanços que o país tem alcançado, ainda são muito grandes os desafios para que tenhamos cidades plenamente acessíveis

 

Letícia Azevedo

 

Do dia 21 ao dia 28 de agosto foi comemorado a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. O objetivo da semana foi e sempre será promover um intenso debate de inclusão social e combate ao preconceito e discriminação das pessoas com deficiência.

Porém, apesar de todos os avanços que o país tem alcançado, ainda são muito grandes os desafios para que tenhamos cidades plenamente acessíveis. Inicialmente o quesito “acessibilidade”, era voltado apenas para a eliminação de barreiras arquitetônicas e urbanas, o que caiu por terra após a bandeira da conscientização ser levantada por diversos ativistas à causa.

Em Ourinhos a luta não é menor. De acordo com a presidente da AADF (Associação de Assistência ao Deficiente Físico), Léia da Luz Brizola, há muito a ser feito não apenas em uma semana. “Não deveria ser semana ou mês de conscientização, a conscientização precisa ser diária. A deficiência não acaba no dia 29 de agosto, talvez pra sociedade ela se torne meio invisível a partir dessa data, mas para as pessoas com deficiência a luta continua 24 horas por dia e 365 dias por ano. São direitos negados, invisibilidade social. Por isso a necessidade da nossa luta pelos direitos, muitas das vezes adquiridos, mas nem sempre cumpridos. Temos que conscientizar a sociedade e promover a inclusão social. Essa é a nossa luta”.

Para Leia, não há como falar de inclusão sem falar em acessibilidade. “É o nosso foco, temos direito de ir e vir. Sempre pedimos que os gestores públicos olhem com carinho para a nossa causa. Muito foi conquistado, mas muito mais deve ser feito e quem melhor que nós, para apontarmos meios para que isso seja realizado”.

 

Léia Brizola – “Não deveria ser semana ou mês de conscientização, a conscientização precisa ser diária”

 

A presidente da instituição destacou que Ourinhos tem um ótimo plano de mobilidade urbana. Segundo ela, a importância das políticas públicas da cidade voltadas a pessoa com deficiência leva a cidade a se destacar. “Essas políticas públicas credenciaram Ourinhos a sediar no final de 2019 a abertura da Caravana da Inclusão, programa do Governo do Estado que percorre os municípios paulistas para divulgar projetos em benefício das pessoas com deficiência. O 1° Encontro da Cultura Surda, também aconteceu na cidade. Isso é muito importante para todos nós”.

Outro ponto positivo é a qualidade do esporte oferecida aos deficientes físicos. Hoje, são diversos eventos esportivos que envolvem os atletas paraolímpicos. O futebol de amputados é um grande exemplo. O time de Ourinhos disputou em 2019 a Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol de Amputados, disputando com times e atletas de destaque em todo o território nacional.

Léia destacou a importância de as pessoas com deficiência estarem engajadas em todos os âmbitos. “A valorização do futebol de amputados, assim como a dos demais esportes paralímpicos, promove oportunidades e inclusão, autoestima, saúde mental e física para as pessoas com deficiência. Ourinhos tem o privilégio de ter um time de futebol de amputados”.

ATENDENDO ÀS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

LEIS

No mês de maio de 2019, a Lei 6.507 de 2019, que dispõe sobre a obrigatoriedade do acesso em Libras (Língua Brasileira de Sinais) em lugares de atendimento ao público, foi aprovada na Câmara dos Vereadores. Cursos foram oferecidos de maneira gratuita e surpreenderam pelo número de inscritos.

ADAPTAÇÕES

Locais públicos, como praças, teatro, terminais urbanos e etc., estão recebendo rampas e demarcações. Aos poucos, atendendo a legislação de acessibilidade, os locais estão sendo adaptados.

EDUCAÇÃO

Ourinhos hoje atende no âmbito “Educação Especial”, cerca de 212 estudantes, sendo 26 alunos de EMEIs e 186 nas EMEFs. Para oferecer o atendimento especializado, o município mantém equipe de 18 psicopedagogos, 134 professores de educação especial para atendimento individualizado e 10 estagiários. As aulas são ministradas em 14 salas de recursos multifuncionais.

NEM TUDO SÃO FLORES

Karen Cristina Silva Gobi, mãe do Miguel Gobi Natal da Silva, que tem paralisia cerebral, concorda que há um grande avanço em diversas questões que envolvem a inclusão e a acessibilidade, mas que ainda há muito a ser feito. Ela relatou que por diversas vezes se deparou com a falta de consciência da população em relação às necessidades especiais. “São diversos locais inadequados para uma cadeira de rodas. Em estacionamentos de consultórios, as pessoas estacionam os veículos de forma inadequada, ou o veículo é muito grande e não cabe naquela vaga e a pessoa insiste em estacionar. Fica impossível sair do carro com a cadeira e depois é preciso ir pela rua porque não dá pra andar pela calçada. As pessoas precisam ter consciência”.

 

Karen e Miguel – “As pessoas precisam ter consciência”

 

Alguns estabelecimentos também não oferecem acessibilidade necessária. “Algumas farmácias e supermercados não têm espaço suficiente para uma cadeira de rodas. São corredores apertados pelas gôndolas, locais em que já vi pessoas com dificuldade ao empurrar um carrinho de bebê, imagine se um cadeirante consegue transitar. Isso quando não encontramos nesses estacionamentos, carros estacionados nas vagas para pessoas com deficiência, e essas ações dependem de fiscalização dos próprios estabelecimentos. Isso acontece muito e tem que acabar”.

 

 

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