terça, 10 de março de 2026
Publicado em 02 nov 2020 - 15:40:40
O abandono escolar é uma realidade bem conhecida de milhões de brasileiros e que a pesquisa do IBGE registrou pela primeira vez em números
Letícia Azevedo
Um desafio antigo em todo o Brasil sofreu aumentos consideráveis durante a pandemia da Covid-19: a evasão escolar. O que já era considerado um problema eminente, se tornou ainda mais desafiador com a problemática das aulas remotas.
Seja por falta de equipamentos ou conexão à internet, famílias em situação econômica cada vez mais frágil, professores com crescentes dificuldades em manter os alunos engajados nas aulas remotas e pais com dificuldades em auxiliar os filhos, o interesse dos jovens em manter-se na escola vem caindo.
O resultado dessa combinação é que cresce o temor entre educadores de que as circunstâncias impostas pela pandemia façam com que mais estudantes simplesmente desistam da escola neste ano, engordando as estatísticas de evasão escolar no Brasil.

Segundo a professora Lucilene Andrade, muitos alunos estão deixando de realizar as atividades remotas, gerando um maior número de evasão. “Nós educadores sempre nos deparamos com um número de alunos que estavam fora da sala de aula por alguma razão, e a gente trabalha sempre para trazê-lo de volta. Neste momento de pandemia, nós geramos novos excluídos. Há aqueles que não têm condições de ter acesso pleno à internet; há aquele que recebeu atividades impressas, mas cujos pais são analfabetos; há aqueles cuja família não consegue se organizar para ajudá-los. Isso é um problema sério” – apontou.
A educadora relatou que muitas mães temem que os seus filhos desistam da escola e que não retornem mais. “Nós estamos cuidando de acolhê-los nesse momento de forma mais ampla, inclusive colocando a reposição na perspectiva desse acolhimento, na perspectiva do reaproveitamento do que não pôde ter sido aproveitado em determinadas realidades para que também se evite a reprovação, para que haja um aproveitamento amplo e esses alunos não sejam de forma alguma prejudicados”.
Dados do IBGE
O abandono escolar é uma realidade bem conhecida de milhões de brasileiros e que a pesquisa do IBGE registrou pela primeira vez em números. Das 50 milhões de pessoas com idades entre 14 e 29 anos, dez milhões, ou seja, 20% delas, não tinham terminado alguma das etapas da educação básica, segundo pesquisa realizada em junho de 2020.
De acordo com Lucilene, também é necessário falar sobre a falta de interesse de alguns alunos, no conteúdo disponibilizado pela Instituição escolar. “Infelizmente nós sabemos que a escola, embora mudar e melhorar a cada dia, ainda não é o ambiente mais atrativo para um adolescente. São muitas as “distrações” oferecidas, principalmente no âmbito digital. Muitos alunos acabam deixando as aulas online após não resistir a oferta dos jogos ou até mesmo das redes sociais, uma verdadeira febre entre eles. É por isso que apesar de cientes de todas as dificuldades, ainda contamos com a ferramenta mais importante: a supervisão dos pais”.
Retorno das aulas
Em Ourinhos, uma pesquisa realizada pela Secretaria de Educação de Ourinhos, entre os dias 5 e 13 de agosto, chegou ao fim com 92% de pais de alunos e profissionais da educação contrários ao retorno das aulas presenciais durante a pandemia de coronavírus.

Segundo a educadora o retorno presencial das aulas deve ser extremamente estudado. “É muito fácil falar “vamos voltar às aulas”. Vamos voltar às aulas quando há o pico da doença ainda em muitos estados? Sem que aja uma diminuição considerável no número de infectados? Vamos obrigar essas crianças e adolescentes a manterem o distanciamento? Quem vai fiscalizar isso? Quem fiscalizará o uso de álcool em gel e máscaras? Infelizmente não é assim tão fácil retornar às escolas” – finalizou a professora.
O que diz o poder público
De acordo com a Prefeitura Municipal, os professores têm se esforçado ao máximo para combater a evasão escolar. Segundo eles, os gestores diariamente estão fazendo a busca incessante dos alunos que não entregam as atividades, entrando em contato imediato com os pais, conscientizando os responsáveis, de que o ensino mesmo de forma remoto é obrigatório.
A chamada “busca ativa” também é realizada através de parceria com o Conselho Tutelar. Essa busca consiste em acompanhar o desenvolvimento dos alunos, através de interação ou a falta dela nas atividades remotas, baseadas no diário de classe dos professores. Por isso o alerta aos pais em manterem o cadastro dos filhos atualizado, para que ao sinal de qualquer problema, a unidade escolar ou o Conselho Tutelar possa chegar até o aluno.
Lembrando que não incentivar ou participar da educação dos filhos quanto ao ensino oferecido, seja ele presencial ou remoto caracteriza o abandono intelectual, podendo ser determinado pelo próprio ministério público.
Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura, a Rede Municipal de Ourinhos está preparando o ano de 2021 em relação ao retorno seguro e principalmente fazendo a organização curricular, onde nenhum aluno terá sua escolarização comprometida.
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