terça, 10 de março de 2026

Inflação e alta generalizada de produtos corroem rendimentos das famílias

Publicado em 12 abr 2022 - 16:03:25

           

Dados do (IBGE) demonstram que 60% da renda das famílias que recebem até cinco salários mínimos são gastos em alimentação

 

José Luiz Martins

 

De acordo com dados oficiais do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a inflação no Brasil atingiu os 10,54% e está pesando sobremaneira no bolso dos brasileiros. A maioria dos consumidores está vivendo uma difícil realidade em se falando de alta de preços em vários setores, mas, sobretudo quando se trata de por comida na mesa.

O básico como carnes, óleo de soja, macarrão, arroz, farinha, açúcar, café, legumes, verduras, frutas, praticamente tudo relacionado a alimentação está com preços nas alturas, dificultando o equilíbrio orçamentário das famílias que veem o seu poder de compra cada vez mais reduzido.

 

 

Dados do (IBGE) demonstram que 60% da renda das famílias que recebem até cinco salários mínimos são gastos em alimentação. Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV) apurou que a inflação de 31 itens hortifrutigranjeiros do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) acumulou alta de 26,35% nos últimos 12 meses terminados em março.

 

 

No topo da lista estão as hortaliças e legumes, que aumentaram, em média, 31,43% no período, seguidos por frutas, com reajuste médio de 12,87%. Tomate e cenoura são campeões dos preços altos, praticamente triplicaram de preço nos últimos 12 meses com alta de mais de 121%.

Entre outros itens mais inflacionados em 12 meses estão maracujá (62,61%), mamão (61,67%), pimentão (46,29%), repolho (36,05%), melancia (34,2%), mandioca (27,26%), alface (26,2%). Sem contar a carne bovina que foi banida da mesa de muitas famílias que têm optado por frango e carnes suínas que também não escapam da alta de preços, mas ainda possibilita o consumo por quem ganha pouco.

 

 

Segundo o IBRE/FGV, parte da pressão na alta da inflação tem origem na agricultura, lavouras de curto prazo são afetadas por variações climáticas, principalmente a seca histórica e chuvas excessivas que complicam a vida de quem produz alimentos. Mas não é só isso, insumos e fertilizantes, sucessivos aumentos dos combustíveis, frete e gastos maiores com energia elétrica influenciam diretamente na pior carestia que o povo já viu em décadas.

A reportagem foi até as ruas de Ourinhos conversar com alguns munícipes sobre como estão enfrentando a alta generalizada dos preços dos alimentos, como equilibram as contas e como a chamada carestia alterou o padrão de vida, principalmente ante a necessidade de se por comida na mesa diariamente.

 

Suzana Moraes – Consultora comercial – Jd. Eldorado

“Eu acho que a maior questão hoje pra dona de casa é que a gente precisa vir dia sim dia não no mercado, pois os preços a cada dia são diferentes. Você vai com uma quantia que acha que já tá certo, aí quando você chega vê que o dinheiro não dá para comprar metade dos itens que você esperava comprar. A carne principalmente bovina é um item que teve que ser reduzido, o preço limitou a variedade de comida. Hoje está valendo aquela apostila alimente-se bem por um real, tem que se aproveitar tudo do alimento até a casca não se joga fora, não pode haver desperdício. Pra contornar essa situação difícil tem que por tudo na ponta do lápis, aí você consegue visualizar o que tá subindo, o que dá para melhorar, o que dá para economizar. Eu estou aprendendo muito assim.

 

“A carne principalmente bovina é um item que teve que ser reduzido, o preço limitou a variedade de comida”, diz Suzana

 

Não sei de quem é a culpa, na verdade somos nós mesmos né, porque a única arma que a gente tem é o voto, e a gente consegue detonar isso de maneira assim assombrosa. Então eu acho que todo mundo é culpado, os brasileiros não percebem que o poder está nas mãos deles, é aí onde se faz a desgraça geral”.

 

Aristides Oliveira – Pedreiro – Vila Christoni

 

Sr Aristides elta indignado “Onde já se viu um quilo de acém custar quase 40 reais”

 

“A maior dificuldade é o preço da comida, tem que deixar de comer carne outras coisas. Em vez de comer carne come ovo, repolho, alface, batata doce, banana que ainda é um pouco mais barato. Onde já se viu um quilo de acém custar quase 40 reais, óleo mais de 10 reais, arroz bom mais de 20 reais, o que a gente ganha não está dando pra nada. Tá tudo muito difícil, pois não é só comida que está o olho da cara”.

 

Marinaldo Gomes Catarino – Motorista – Jd. Brisola

 

Sr Marinaldo cita ainda a alta do combustível

 

“Tá muito complicado, juro muito alto demais, dia a dia subindo, todo mês você vai ao mercado é um valor diferente, absurdo, está complicadíssimo. Tem que deixar o carro parado em casa economizar no combustível que também tá caro, pra poder ter alimento na mesa dentro de casa. Infelizmente essa é a realidade do Brasil, tudo é muito sacrifício para ter comida pra família, a carne é mais complicada, temos que optar pelo ovo, frango. Mas tem itens que não pode faltar na mesa, não temos como deixar de comprar óleo, arroz, açúcar e outros. Tem que ter de qualquer maneira, no sacrifício somos obrigados a comprar pelo preço que for”.

 

Antonio Virginio de Faria – Caldeireiro – Bairro Orlando Quagliato

 

Sr Antonio afirma que boa parte de seu salário é gasto com alimentação

 

“Tá todo mundo no aperto, as coisas estão subindo muito de preço enquanto o salário não sobe nada. Pra minha casa estamos comprando menos no supermercado, no açougue a coisa fica mais difícil. Hoje só gasto entre 300 e 400 reais por mês no açougue e tem sempre que estar escolhendo o que está mais barato e mesmo assim levar menos. Carne de porco, frango é o que tá mais acessível, às vezes peixe, carne de boi está raro na panela. Estou gastando boa parte do meu salário com alimentos, aí quando a coisa aperta tenho que entrar no cartão de crédito, o que também não é uma solução, é mais um problema”.

 

Eunice Lima David – Dona de casa – CDHU

 

Eunice conta que tem que ir pesquisando entre os mercados antes de fazer as compras

 

“Entro no mercado e fico perplexa com os preços, um dia você vê um preço no outro está mais caro. Tá subindo tudo muito rápido, tem que ir no mercado quase que toda semana pegar o que está precisando aproveitando promoções. Tem que pesquisar também, pois de um mercado pra outro tem muita diferença, o que mais deixei de comprar é a carne bovina. Em vez de boi, tem porco, frango, ovo, mas, tem coisas que não temos como excluir. Todos necessitamos comer o arroz, feijão até uma carne não pode faltar, mas o dinheiro está pouco então é bom saber controlar senão é mais sofrimento”.

 

Ailton Rita Ximenes – Motorista – Ibirarema

 

Para o Sr Ailton ” O negócio é comer verdura e legume por que tá feia a coisa, carne nem pensar, senão não dá pra pagar outras contas”.

 

“Tudo está caro demais, tenho 70 anos e nunca vi uma situação dessas, essa carestia, não existe tabela de preços, todo dia sobe e o que a gente ganha não acompanha. O negócio é comer verdura e legume por que tá feia a coisa, carne nem pensar, senão não dá pra pagar outras contas. Parece que não vai melhorar, ninguém faz nada pra mudar e melhorar a vida do povo pobre que mais sofre. Não sei onde vamos parar com essa situação não, é só comida nada está barato é tudo caro demais”.

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