segunda, 9 de março de 2026

Réu pelo homicídio de Eiji Marvulle Nagae será julgado no dia 5 de outubro no Fórum de Ourinhos

Publicado em 29 set 2023 - 14:47:58

           

O crime, cometido em abril de 2016, chega ao tribunal de primeira instância e, mesmo depois de 8 anos, ainda provoca polêmicas.

 

 

Alexandre Mansinho

 

No próximo dia 5 de outubro, mais de 8 anos e meio após o dia do crime, Arthur José Nogueira irá sentar-se no banco dos réus para responder por um crime que chocou a sociedade ourinhense. O júri popular acontecerá no Fórum de Ourinhos a partir das 13h.

 

Eiji Marvulle Nagae foi morto no estacionamento da faculdade que frequentava

 

Foi uma noite quente em Ourinhos, no dia 1º de abril de 2016. O estacionamento da Faculdade Estácio de Sá estava lotado de estudantes que entravam e saíam do prédio principal. Eiji Marvulle Nagae, um jovem motovelocista, estava feliz, encostado em sua moto recém adquirida, junto com sua namorada. Ambos conversavam com amigos, naquele momento de descontração no intervalo das aulas.

Eiji era uma figura conhecida no mundo dos esportes de velocidade, tendo muitos amigos ligados ao motociclismo. No entanto, naquela noite, ninguém viu que dois homens em uma moto se aproximaram rapidamente de Eiji: Arthur José Nogueira na garupa e João Paulo Oliveira da Silva pilotando. Em um ato súbito e sem hesitação, Arthur sacou um velho revólver que havia pego escondido de seu pai, chamou o nome de Eiji e disparou três tiros contra o jovem.

O estacionamento da faculdade e as ruas próximas rapidamente se transformaram em um caos. As pessoas gritavam, sem entender completamente o que estava acontecendo. Devido à data, 1º de abril, alguns chegaram a pensar que se tratava de uma brincadeira relacionada ao Dia da Mentira. Infelizmente, não era uma brincadeira; o jovem de 22 anos havia sido cruelmente executado com três tiros.

A namorada de Eiji, que estava conversando com uma amiga no momento dos disparos, tentou desesperadamente socorrer seu namorado, mas os ferimentos eram graves demais. Eiji foi levado para a Santa Casa de Ourinhos, mas não conseguiu sobreviver.

A polícia iniciou uma investigação, considerando várias possibilidades, incluindo um roubo que deu errado, uma vingança envolvendo dívidas de terceiros e até as mesmas conexões com o tráfico de drogas. No entanto, as investigações revelaram que Eiji era um jovem comum, sem envolvimento em atividades criminosas.

A verdade surgiu, revelando que o crime foi cometido por Arthur, que fazia parte do mesmo grupo de amigos de Eiji e foi motivado por uma rixa que os dois teriam na época. Segundo as investigações, Arthur havia sido confrontado por Eiji em uma ocasião, por ter assediado a namorada da vítima. Arthur, então, recrutou seu amigo João Paulo e mais duas pessoas para executar seu plano.

Além de João Paulo, outras duas pessoas teriam colaborado para a execução do crime: F.A.O., um amigo de Arthur, foi quem emprestou a moto que foi usada na ação e, segundo seu próprio depoimento durante o júri de João Paulo, ele ficou em uma lanchonete fast-food esperando os dois voltarem do “acerto de contas”, e M.F.B., que era colega de sala de Eiji, que teria a função de ligar para o assassino e dizer hora e local exatos do paradeiro de Eiji. Vale ressaltar que as investigações não encontraram elementos para considerar F.A.O. e M.F.B. cúmplices da ação criminosa.

Em 2018 João Paulo foi julgado e condenado a 6 anos de prisão por ser cúmplice do crime, já que, na visão dos jurados, havia ajudado Arthur na execução da ação criminosa. Atualmente João já é um homem livre. Na época do seu julgamento, amigos e familiares de Eiji se manifestaram considerando que a pena havia sido muito branda. João Paulo, devido aos dois anos que já havia cumprido na prisão, recebeu liberdade condicional poucos meses depois da sentença.

 

João Paulo foi julgado em 2018 e condenado a 6 anos de prisão por ser cúmplice do crime

 

A defesa de Arthur usou diversos meios para adiar o julgamento, entrou com pedido de desaforamento (que é quando o advogado pede para o juíz que o júri seja realizado em outra comarca, por achar que a população daquela cidade não tem condições de julgar de forma isenta o réu); pediu exame de sanidade mental e até, em uma sessão que estava marcada, o advogado do réu faltou, o que forçou o judiciário a cancelar o julgamento.

Durante a crise do COVID-19, Arthur conseguiu liberdade condicional após mais de cinco anos de prisão temporária, graças a reclamações de excesso de prazo e risco sanitário feitas por seu advogado na época.

 

FAMÍLIA DA VÍTIMA – Procuradas pelo Jornal Negocião, tanto a mãe de Eiji quanto sua ex-namorada preferiram não falar sobre o júri.

 

A DEFESA DE ARTHUR – A Dra. Daniela Polosqui, que assumiu a defesa do réu para o júri do dia 5 de outubro, falou com o Jornal Negocião por meio de nota: “O Tribunal do Júri, previsto no artigo 5º, inciso XXXVIII, da Constituição Federal, é um direito e garantia fundamental do cidadão; uma cláusula pétrea, onde o povo – juiz natural – exerce o poder através do julgamento de um semelhante. Assim como toda a população, a defesa técnica aguarda a realização do plenário, e acredita que, através de um julgamento justo e imparcial, será feita justiça”.

 

Dra. Daniela Polosqui assumiu a defesa do réu para o júri do dia 5 de outubro

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