segunda, 9 de março de 2026
Publicado em 22 dez 2023 - 19:08:57
Especialistas consultados pelo Jornal Negocião em 2023 foram unânimes: não é uma onda de calor, é uma mudança climática.
Alexandre Mansinho
Ourinhos enfrentou em 2023 altas temperaturas, além de ter sofrido com vendavais e tempestades com uma frequência muito maior do que a experimentada nos outros anos. Foram várias as ocorrências de destelhamentos de casas, arrancamento de árvores, alagamentos, destruição de imóveis e registros de famílias desabrigadas.

Carlos Eduardo Devai, um dos especialistas em meteorologia consultados pelo Negocião, afirmou que a tendência é que esse seja o “novo normal” e que os municípios de modo geral deverão se preparar, com obras de infraestrutura, para enfrentar vendavais e tempestades ainda mais recorrentes. Segundo ele, teremos um verão de 2024 igualmente quente e mais episódios de tempestades.
Os bairros ourinhenses mais afetados pelos vendavais foram os mais próximos ao centro, regiões mais altas nas quais as rajadas têm um impacto destrutivo bastante acentuado. As regiões mais descampadas, próximas à zona rural e às estradas, também foram muito atingidas pelas fortes chuvas causando destruição de placas de publicidade e até de sinalização de trânsito. Já os alagamentos se deram nos bairros mais baixos, próximos às barrancas dos rios, e também na região central, em lugares nos quais o escoamento das águas pluviais foi insuficiente.

Esse aparente “desarranjo” climático acontece em todo o planeta, o Brasil enfrenta uma intensa onda de calor, projetada para atingir recordes históricos nos próximos dias. Mesmo em cidades acostumadas ao calor, as temperaturas máximas podem superar em até 15ºC a média para o período. O fenômeno é atribuído em parte ao El Niño, mas os episódios recentes de calor extremo não podem ser exclusivamente vinculados a esse fenômeno.
Durante todo o ano a capital paulista esteve em estado de atenção devido às altas temperaturas. Municípios de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, tradicionalmente quentes, registraram médias de temperaturas acima de 42°C, como ocorreu em Porto Murtinho (MS), que atingiu 42,3°C, e Cuiabá, com 40,4°C.

A tendência projetada para o verão é de calor úmido, o que pode não elevar tanto as temperaturas, mas piorar a sensação térmica. O El Niño também está associado à estiagem na Amazônia, resultando em rios secos, queimadas e nuvens de fumaça sobre Manaus. A falta de recursos para combater incêndios na região foi admitida pelo governo federal, que planeja solicitar mais recursos ao Fundo Amazônia.
Relatórios da Organização Mundial de Meteorologia (OMM) indicam que o El Niño, responsável pelo aumento nas temperaturas, deve persistir até abril, alcançando seu pico em novembro-janeiro de 2024. Essa persistência e o aumento contínuo das temperaturas podem ter impactos significativos no planeta e na saúde humana.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para onda de calor em 15 estados, indicando um fenômeno de “intensidade excepcional” com grande probabilidade de causar danos. O ano de 2023 já é considerado um dos mais quentes registrados, atribuído ao super El Niño e ao aquecimento global.
A versão provisória do Estado Global do Clima 2023, divulgada pela OMM, revela que a temperatura média global até outubro deste ano foi 1,4°C acima da média de 1850/1900. Com isso, 2023 é considerado o ano mais quente em 174 anos de registros meteorológicos, superando os anos de 2016 e 2020.
O Brasil também registrou temperaturas acima da média em 2023, sendo considerado o mais quente desde a década de 1960. Novembro seguiu a mesma tendência, com ondas de calor persistentes e temperaturas acima da média. A previsão para o verão, que teve início nesta sexta-feira, 22/12, indica persistência das temperaturas elevadas em grande parte do país, reforçando a necessidade de medidas de mitigação e adaptação diante das mudanças climáticas.
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