segunda, 9 de março de 2026

Julgamento do padre acusado de atropelar e matar homem que furtou igreja acontece hoje em Santa Cruz do Rio Pardo

Publicado em 12 abr 2024 - 11:23:00

           

Por Fernando Lima

     O caso teve grande repercussão em todo o Brasil, o padre Gustavo Trindade dos Santos é acusado de atropelar e matar Ângelo Marcos dos Santos Nogueira, em 22 dia maio de 2022,  na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, após Ângelo ter arrombado uma janela da casa paroquial da Igreja São Sebastião e levado 3 moletons e 1 camiseta.

    Uma câmera de segurança flagrou o atropelamento na Avenida Tiradentes. Nas imagens, é possível ver o momento em que o carro atinge Ângelo, que é arremessado.

    O homem foi internado na Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo e, depois, na Santa Casa de Ourinhos. Ele apresentava dificuldade de comunicação, perda de massa muscular e necessidade de uso de fraldas. Ângelo teve alta algum tempo depois, seguindo para o tratamento em casa, mas semanas antes de sua morte, precisou ser internado novamente, mas não resistiu e faleceu em 22 de julho de 2022, segundo o Instituto Médico Legal (IML) por complicações decorrentes do atropelamento.

    A diocese de Ourinhos, responsável pela região eclesial, se manifestou por meio de nota após a morte de Ângelo e informou que lamentava o ocorrido e que se solidarizava com a família e os amigos.

    Novas perícias foram realizadas para esclarecer a morte,  segundo o delegado Valdir de Oliveira, que investigou o caso, para esclarecer se o óbito esteve diretamente relacionado com o atropelamento, o que  foi confirmado por um médico legista.

    O padre foi intimado à prestar esclarecimentos no Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) na cidade de São Paulo, mas não compareceu. Seu depoimento só ocorreu em 9 de junho de 2022. Ele contou que, na ocasião, havia terminado de celebrar um casamento quando, escutou soar o alarme da casa paroquial e viu um homem pulando o muro e fugindo do local

    Ele então pegou o carro e, acompanhado de uma pessoa, começaram a perseguir o homem na tentativa de alcançá-lo e, segundo o padre, pediram várias vezes para que ele parasse, no entanto as imagens captadas pelas câmeras de segurança mostram os vidros do carro fechados durante todo o trajeto. Durante a perseguição o padre teria encontrado um caminho para fechar Ângelo, mas ele teria se jogado nobre o capô do carro quando o padre entrou com o carro na calçada para pará-lo.

     O padre disse que logo após o atropelamento foi embora porque temia a possibilidade do homem estar armado e pediu a pessoas que estavam na rua para que chamassem a polícia. O religioso viajou para a cidade de Ribeirão Preto (SP) após o atropelamento, onde passaria o dia das mães.

    A mãe de Ângelo entrou na justiça pedindo uma indenização de 1 milhão de reais, contra o padre e contra a diocese de Ourinhos.

   A investigações concluíram que o padre era habilitado, mas sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) estava vencida e seus advogados apresentaram uma autorização para dirigir da União Europeia, que não é válida em território nacional.

     O padre respondeu o processo em liberdade, já que o Ministério Público negou o pedido de prisão preventiva duas vezes. Já o homem atropelado chegou a ser preso em flagrante no mesmo dia pelo furto, mas estava sendo investigado em liberdade.

      O religioso será julgado por tentativa de homicídio com qualificadoras da utilização de recursos que dificultaram a defesa da vítima. Há grande movimentação de populares no fórum da cidade, e logo mais o Negocião trará mais informações sobre o julgamento.

Imagens: Internet.

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