segunda, 9 de março de 2026
Publicado em 26 jan 2026 - 10:55:15
O idoso é acusado de sequestrar a esposa pela segunda vez, restringindo sua liberdade e cuidados básicos, alimentada apenas com bolacha e água
Da redação
O caso do desaparecimento de um casal de idosos em Ibirarema, pela segunda vez, que causou mobilização e apreensão de familiares e comunidade em geral, além das forças policiais da cidade e região, tomou um rumo surpreendente e chocante nos últimos dias, com a prisão do Senhor João Manoel Borges, 60 anos, conhecido por João Dico, acusado de sequestrar a esposa e mantê-la em situação insalubre pela segunda vez.

Na sexta-feira, 23 de janeiro, o casal foi localizado por familiares na área rural do município de Ibirarema, em uma propriedade da família. A idosa estava dentro do carro, em estado de extrema debilidade e em condições indignas, tendo sido levada ao hospital, onde permaneceu internada.
De acordo com a polícia, o homem confessou ter levado a idosa para uma área de mata, onde a manteve escondida por vários dias em condições degradantes, restringindo sua liberdade e cuidados básicos, alimentada apenas com bolacha e água. Há indícios de que a vítima estava inclusive sob efeitos de calmantes.
Ainda de acordo com a polícia, mesmo diante dos pedidos da idosa para retornar para casa, o agricultor se recusava, alegando medo de ser preso e de se separar dela. As investigações também apontam que João tentou despistar familiares ao enviar mensagens falsas dizendo que o casal estaria viajando para o Paraná, além de descartar o próprio celular para dificultar a localização. O aparelho foi apreendido para perícia.
Após o depoimento, o caso foi reclassificado como encontro de pessoa, sendo o idoso preso em flagrante pelos crimes de cárcere privado qualificado, conforme artigo 148, §1º, inciso I do Código Penal, além de maus tratos e exposição de pessoa idosa a perigo, de acordo com o artigo 99 do Estatuto do Idoso.
A polícia informou que a prisão ocorreu diante das provas de que o suspeito restringiu a liberdade e o direito de locomoção da esposa. João Dico foi encaminhado a uma unidade prisional da região, onde se encontra a disposição da justiça.
AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA – No sábado, João passou por audiência de custódia virtual. A defesa alegou que não houve sequestro, sustentando que a idosa teria acompanhado o marido por vontade própria. Apesar do argumento, o Judiciário decretou a prisão preventiva, destacando a necessidade de garantir a segurança da idosa, evitar reincidência e assegurar a correta instrução do processo.
O advogado informou ainda que solicitou perícias para avaliar a capacidade mental tanto do agricultor quanto da esposa.
O caso chama atenção não apenas pela sucessão de versões contraditórias, mas por expor uma realidade muitas vezes silenciosa: situações de violência e negligência contra idosos que se escondem atrás de vínculos afetivos e discursos de proteção.
RELEMBRE OS FATOS – O casal havia desaparecido pela primeira vez no dia 23 de dezembro de 2025, quando saíram de casa em um veículo Crossfox prata, retornando apenas no dia 28 de dezembro. Na ocasião, ambos apresentavam sinais de debilidade e confusão mental e relataram que teriam sido sequestrados e mantidos em cativeiro na zona rural de Platina.
O segundo desaparecimento ocorreu no sábado, 17 de janeiro, quando ambos saíram novamente com o mesmo veículo, deixando de manter contato com familiares. O caso foi registrado na Polícia Civil na segunda-feira, 19, quando parentes informaram que o casal teria dito que iriam ao Paraná para visitar familiares da idosa.
(Créditos: Jornal da Comarca)
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