segunda, 9 de março de 2026
Publicado em 06 fev 2026 - 10:39:56
Segundo a esposa e mãe dos supostos autores, “Junio entrou numa briga que não era dele”
Marcília Estefani
Ourinhos registrou na madrugada da quarta-feira, 4 de janeiro de 2026, o primeiro homicídio do ano, crime que resultou na morte do músico Junio Aparecido de Oliveira, 42 anos, ocorrido na Vila Musa, durante um desentendimento motivado pela negociação de uma televisão.
Os supostos autores do crime já estão em poder da justiça, foram detidos ainda no mesmo dia dos fatos, já passaram por audiência de custódia na quinta-feira, 5/2, e dois deles, Tiago P. S., 40 anos, e Diovani H. L. S., 20 anos, tiveram suas prisões preventivas decretadas, segundo informou o delegado de polícia Doutor João Ildes Beffa. Um menor, irmão de Diovani, enteado de Tiago, está apreendido a disposição da justiça.

Em entrevista ao EnDiaNegociao, doutor João Beffa esclareceu que a desavença que culminou com o crime teve início com a negociação de uma televisão, que levou as partes a brigarem por várias ocasiões, com agressões que gerou um primeiro boletim de ocorrência, danos em um portão com uso de machado, levando os supostos autores a se armarem de arma branca (faca) culminando com o homicídio.
CRIME NÃO OCORREU EM UM BAR – Junio não foi atingido em um bar, como foi divulgado anteriormente, mas sim nas imediações da residência de Tiago, na Rua Liberdade. Apesar de estar gravemente ferido com golpes de faca, a vítima ainda se deslocou até a Rua São José, Vila Musa, onde foi encontrado já sem vida, por volta das 4h00 da manhã, deixando um rastro de sangue pelo caminho que percorreu.
Em buscas pela casa dos suspeitosos policiais encontraram uma foice e uma faca que foram reconhecidos por testemunhas que presenciaram os fatos, além de uma faca que teve o cabo quebrado, ficando parte do cabo no local.
Segundo o delegado, as investigações tiveram início imediatamente e através de diligencias e oitivas de testemunhas, eles já tinham a autoria, e mostravam a participação de dois maiores e um menor.
Depois do crime os suspeitos fugiram do local, e foram encontrados durante a tarde, nas proximidades do Clube Balneário Diacuí, após a companheira de Tiago, Daniela, informar o paradeiro do marido e dos filhos à equipe do doutor Beffa.

PRISÃO DOS ENVOLVIDOS – Após localização e abordagem, o trio foi encaminhado à DIG de Ourinhos, onde o menor declarou ter sido o responsável pelos golpes que tiraram a vida de Junio, porém esta declaração ainda é apurada e não condiz com as investigações.
JUNIO ENTROU NUMA BRIGA QUE NÃO ERA DELE – O jornalismo do EnDiaNegociao conversou também com a esposa de Tiago, mãe dos outros envolvidos, que fez questão de falar sobre o caso. Daniela A. L., 40 anos, confirmou a informação de que a briga não ocorreu em um bar “a briga começou na porta da minha casa, onde a turma que estava com Junio veio tentar agredir a minha família”, disse a mulher.

Segundo declarações de Daniela, o desentendimento começou por conta da negociação de uma tv de seu filho, que foi vendida para um indivíduo conhecido no bairro como B. O filho passou a cobrar o comprador, que não gostou e desferiu um tapa na cara do rapaz, fato que deu início à uma briga corporal.
A partir daí houve ameaças e brigas em diferentes ocasiões, por parte deste suposto comprador que se juntou a outros indivíduos, e no dia do ocorrido, de acordo com Daniela, eles foram até sua casa, apedrejaram o local e fizeram ameaças inclusive contra suas filhas.
“A briga não era nem com eles, eles se envolveram em uma briga que não era deles, no dia do homicídio eles vieram apedrejar minha casa, e fazer ameaças onde minha família não permitiu e agiu em legítima defesa. Na hora da discussão, quando meu menino foi correr atrás dos agressores ele [Junio] entrou no meio da briga, e acabou acontecendo o homicídio”, contou Daniela.
TRÂMITES – As investigações sobre o caso continuam, segundo explicou Doutor Beffa. O laudo necroscópico do corpo da vítima é aguardado e serão ouvidas ainda várias pessoas que presenciaram os fatos, foram inclusive citadas no boletim de ocorrência e auto de prisão em flagrante.

O delegado citou ainda uma outra pessoa que foi atingida durante a briga com um golpe de facão, que será conduzida até a delegacia para oitiva.
VÍTIMA – Junio Aparecido de Oliveira, o Juninho como também era conhecido, era conhecido nas ruas de Ourinhos, onde já vivia há algum tempo. Gostava de compor, tocar praticamente todos instrumentos musicais, por isso era chamado de músico.
Seu velório teve início às 18h00 da quarta-feira, 4/2, no Velório Municipal de Ourinhos, onde foi sepultado às 11h00 da quinta-feira, 5.
Veja entrevista com Doutor João Beffa.
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