domingo, 31 de maio de 2026
Publicado em 31 maio 2026 - 16:41:06
Impresso por 30 anos, foi o mais vendido em Ourinhos e hoje se solidificou na Internet, através do Grupo no Facebook
Hernani Corrêa
Parece que foi ontem, mas quem recorda aquela antiga banca de jornais da Praça Mello Peixoto, onde é atualmente o Posto da GCM – Guarda Civil Municipal? Foi posto para vender um pequeno jornal de classificados, quase um panfleto em 31 de maio de 1990.
Foi o dia do lançamento do Negocião, há 36 anos atrás, que se tornaria o maior jornal de classificados de Ourinhos e região. E o mais vendido, chegando a vender duas vezes mais do que a soma de todos os outros juntos.
Uma verdadeira referência de mercado, pois a partir dali, ninguém fazia mais negócios sem antes consultar o ‘jornalzinho de classificados’, carinhosamente como era chamado.

RECORDAÇÃO DO LEITOR – “Me lembro quando começou o jornal. Foi feito uma divulgação com panfletos em um final de semana, logo no outro já começou a entregar do Jornal. Era entregue nas casas como se fosse panfletos. Eu, nessa época era um molequinho de 16 anos na Vila Margarida”, recordou Léo Botino, vendedor, de Ourinhos.
Na época os exemplares que sobravam das bancas eram entregues nas residências como forma de fazer propaganda. E tinham um carimbo: ‘Cortesia, a edição desta semana está nas bancas’.
GUIA DE MERCADO – “Jamais imaginávamos o sucesso que se tornaria, com a circulação em apenas 10 municípios. Provocava um intercâmbio de pessoas que faziam negócios na cidade e com toda a região. Tinha gente que vinha de Bandeirantes no Paraná para comprar um carrinho de bebê em Ourinhos. Queria comprar, utilizava o Negocião, ia vender, consultava antes o jornalzinho que era uma referência de mercado”, afirma Hernani Corrêa, jornalista e diretor comercial.
Corrêa acrescenta que depois o Negocião atingiu 42 municípios do centro oeste de São Paulo e Norte do Paraná.

FILOSOFIA DE TRABALHO – No início, muitos pensaram que o anúncio gratuito seria uma promoção de lançamento, mas esse sistema permanece até hoje. “Era uma filosofia de trabalho na época do Primeiramão de São Paulo, onde o lucro viria dos anúncios comerciais e da venda do Jornal”, salienta o diretor.
TINHA E TEM DE TUDO – E era verdade, tudo o que se procurava, tinha no Negocião: vagas de emprego, filhotes de animais, veículos, motos, geladeiras, fogões, bicicletas.
E isto acontece até hoje dentro do Grupo de Classificados no Facebook, criado em 2017, que acompanhou o leitor também dentro das redes sociais. Basta acessar:
https://www.facebook.com/groups/108684543143496
LETRAS ILEGÍVEIS – “Chegavam para nós uma grande quantidade de papeizinhos que as pessoas escreviam seus anúncios em folhas de caderno, bloquinhos de anotação, guardanapos de lanchonete e tudo mais. Era um trabalho minucioso de separação por setor, decifrar letras muitas vezes ilegíveis, dava muito trabalho, mas fazíamos com muito carinho”, lembra Marcília Estefani, esposa de Hernani, que era responsável para o processamento dos anúncios.
FAKE NEWS – “Tivemos um período em que as pessoas começaram a ‘brincar’ com o Jornal. Faziam anúncios falsos que hoje chamamos de fake News nas notícias. Brincadeiras com parentes e amigos, anunciavam os produtos no nome deles com valores muito menores do que o de mercado. Isto causou muitos transtornos, triplicou nosso trabalho, começamos a checar todos os anúncios antes de publicar para garantir a qualidade e credibilidade do Negocião”, prossegue Marcília.
NEM CAPITAL NEM CONHECIMENTO – Hernani Corrêa conta que antes de lançar o Jornal, saiu ali no centro da cidade e, com uma folha de caderno mal desenhada alguns quadrinhos, contou a ideia para alguns comerciantes. “Alguns confiaram antes do lançamento e investiram em nós, eu nunca havia vendido propaganda, não tínhamos nenhum capital, apenas a renda de jornaleiros ali da banca. E tudo o que ganhamos no início do Negocião, foi investido nele”.

10 ANOS DEPOIS – Hernani e Marcília perceberam a importância e a grande utilidade do Negocião como prestação de serviços em classificados e não pararam ali. “10 anos depois do seu lançamento, já com algumas receitas e horóscopo, começamos a por notícias no jornal que teve outro nome junto com o Negocião, era o Tem de Tudo que vinham os dois juntos”, pontuaram os diretores.
Depois foram separados com o Negocião circulando às quartas-feiras e o Tem de Tudo, já com outro nome, aos sábados. “Foi quando rebatizamos o Jornal de Notícias como Tribuna da Cidade, depois NovoNegocião e hoje o EN DIA”, esclareceram.
O AUGE – Por volta do ano de 1998, os dois jornais atingiram o auge, chegando a ter 22 funcionários, entre digitadores, jornalistas, entregadores e vendedores de propaganda. O imenso escritório e redação estavam instalados na Vila Moraes, onde foi uma Agência da Caixa Econômica, o Curso Aprove e hoje é o Centro de Ensino da Santa Casa.
“Eu viajava toda semana para Assis, depois Marília, Bauru, Apucarana e Londrina onde o jornal era impresso. Trabalhava o dia inteiro e depois ia num bate volta buscar toda a tiragem e trazia no carro”, relembra Hernani Corrêa.

TUDO DIGITAL – A partir de 2019, pouco antes da pandemia, os jornais que já tinham mais de 150 pontos de venda em Ourinhos e região, deixaram de ser impressos.
Foram criadas as versões digitais, já tinha as redes sociais e o Portal, que permanecem até hoje, cada vez mais fortes e com a mesma credibilidade. “Hoje, digo que temos mais do que uma TV nas mãos. Com lives, vídeos, o Portal de Notícias e o EN DIA DIGITAL sem limites de espaços, não paramos de crescer diariamente”, finalizam os diretores.
PERSISTÊNCIA E PERSEVERANÇA – “Parabéns Hernani pelos 36 anos do Negocião, prestando relevantes serviços para Ourinhos e região. É preciso muita persistência e determinação para manter um jornal no interior. Parabéns também à equipe”, afirmou Claury Alves da Silva, que foi vereador, prefeito de Ourinhos, deputado estadual e Secretário de Estado.
© 1990 - 2026 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.