sábado, 25 de julho de 2026
Publicado em 25 jul 2026 - 11:23:18
Entidade alerta que o abandono de trilhos em diversos pontos encarece o frete, inflaciona os alimentos no supermercado e prejudica o desenvolvimento das cidades do interior
Anna Miranda
Representando o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana e a Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários (FNTF), o presidente José Claudinei Messias protocolou contribuição técnica na primeira sessão da Audiência Pública nº 11/2026 da ANTT, em Brasília, que define o futuro da Malha Sul.
A rede de trilhos funciona como a principal ligação logística entre os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e a fronteira com a Argentina.
Com foco na defesa do patrimônio da União, o Sindicato exige que as novas regras do edital obriguem as concessionárias atuais a recuperarem e devolverem as ferrovias funcionando plenamente, combatendo o abandono e o sucateamento de linhas históricas.
Segundo o documento protocolado pelo Sindicato na ANTT, quando as malhas da antiga FEPASA e da RFFSA foram repassadas à iniciativa privada na década de 1990, o Estado brasileiro entregou uma estrutura robusta e plenamente operacional: vias permanentes ativas, oficinas, pátios de manobra, estações e mão de obra altamente qualificada.

“Entretanto, após quase 30 anos de concessão, a realidade da Malha Sul é de abandono em diversos trechos. O Sindicato denuncia que a concessionária atual direcionou seus investimentos quase que exclusivamente para corredores de exportação de alta rentabilidade (como as Malhas Paulista e Norte), deixando ramais regionais históricos definharem”, denuncia José Claudinei Messias, presidente do Sindicato da Sorocabana.
“Se você aluga um imóvel, tem a obrigação legal de devolvê-lo nas mesmas condições em que o recebeu. No entanto, o que estamos vendo na Malha Sul é a devolução de patrimônio público depredado, com trilhos arrancados, estações destruídas e ramais inteiros desativados porque a empresa privada preferiu focar apenas nos trechos que geram lucro rápido. O modal ferroviário deve ser encarado como política de Estado e não de Governo”, alerta Messias.
CASO OURINHOS – A interrupção da atividade ferroviária no ramal de Ourinhos tornou-se emblemática e produziu impactos negativos incalculáveis. Além de submeter os trabalhadores à difícil escolha entre a transferência compulsória para localidades distantes ou o desligamento da empresa, municípios vizinhos perderam competitividade logística.
O encarecimento dos fretes e o aumento dos custos forçaram a migração para o transporte rodoviário, prejudicando investimentos privados vinculados ao modelo. Trata-se de uma consequência da falta conservação do patrimônio concedido e do direcionamento dos ativos para corredores de maior rentabilidade econômica.

IMPACTO ECONÔMICO PARA A POPULAÇÃO – O Sindicato da Sorocabana enfatiza que o sucateamento das ferrovias não é problema apenas dos ferroviários, mas de toda a sociedade. A falta de trens regionais funcionando força o transporte de cargas a migrar para as rodovias, encarecendo o custo do frete que, inevitavelmente, é repassado ao preço dos alimentos e produtos no supermercado.
Um exemplo foram os recentes eventos climáticos extremos ocorridos no Sul do país demonstraram que a ferrovia é uma infraestrutura de segurança nacional indispensável.
PRIORIDADE ESTRATÉGICA – Segundo o Sindicato Sorocabana, a reconstrução da malha ferroviária do Rio Grande do Sul deve ser uma prioridade estratégica no novo contrato de concessão.
Os danos causados pelas enchentes evidenciaram a necessidade de uma infraestrutura resiliente, capaz de assegurar o abastecimento, o escoamento da produção e a integração logística da Região Sul com o restante do país.
Diante disso, a entidade defende que o novo acordo preveja obrigações claras de recuperação, manutenção e modernização da malha gaúcha, evitando que trechos essenciais fiquem inoperantes ou expostos a novas deteriorações.

“Exigimos a inclusão de cláusula de devolução obrigatória para que as concessionárias atuais – não apenas da Malha Sul, mas de todo o país – entreguem os trilhos e estações totalmente operacionais, além de auditorias independentes e um fundo financeiro de garantia para cobrir prejuízos à infraestrutura. Também defendemos uma comissão permanente de fiscalização, envolvendo municípios, o governo e os trabalhadores, e o veto definitivo ao abandono de ramais regionais. A Malha Sul é estratégica demais para ser tratada como sucata e descartável. Ela precisa gerar desenvolvimento regional, frete mais barato para a cadeia dos alimentos e respeito aos trabalhadores ferroviários”, afirma José Claudinei Messias, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana e representante da Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários (FNTF) na audiência pública.
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