sábado, 3 de outubro de 2026
Publicado em 03 out 2026 - 16:10:55
Evento mobilizou diretores, associados, autoridades, comerciantes, famílias e crianças nesta manhã na “cidade praia”
Hernani Corrêa
A ACP-SG – Associação Cidade Praia de Salto Grande – promoveu na manhã deste sábado, 03, grande movimento de conscientização pelo assoreamento contínuo que vem sofrendo o Rio Paranapanema na região que margeia a cidade.

O encontro reuniu dezenas de pessoas na Chácara Santa Clara, localizada às margens do rio. Entre elas, autoridades, empresários, membros da Associação, professoras, secretários, vereadores, famílias e crianças.
O locutor de rádio Nilton César foi o mestre de cerimônia.

O objetivo foi chamar a atenção das autoridades competentes e da empresa que é responsável pela usina hidrelétrica que gerencia o setor, sobre o que vem acontecendo no rio e no lago, com a proliferação de algas e o acúmulo de sujeira.


Se continuar o assoreamento como vem acontecendo, em curto espaço de tempo não terá mais reservatório de água às margens de Salto Grande, de acordo com Cladmyr Pereira dos Santos, vice-presidente da ACP-SG.

Um dos focos maiores foram as crianças que receberam uma cartilha educativa e totalmente didática focada no Rio Paranapanema (vegetação e animais), além de diversos brindes.





Um abaixo assinado também foi lançado e colheu assinatura de todos os presentes, com objetivo de convidá-los para se associarem ao Movimento.


UNIÃO DE FORÇAS – “O rio está baixo e está claro o assoreamento lá no meio. O movimento visa as autoridades competentes, talvez o Ministério Público. Não temos apenas proprietários de chácara aqui, temos também comerciantes da cidade. Salto Grande é uma cidade turística e a beleza da cidade é o rio. Todas as pessoas têm responsabilidade com ele e sem ele, não existe Salto Grande. Precisamos muito da união de todos os salto-grandenses para se juntar nessa ação”, declarou o casal Ivone e Santiago Jaime (tesoureiro da entidade).



GRITO DE SOCORRO – Em entrevista exclusiva à reportagem o vice-presidente da ACP disse que “o foco principal é um grito de socorro para os rios e o lago do reservatório da usina hidrelétrica e o lançamento do Projeto “Pequenos Guardiões do Rio Paranapanema” com o objetivo de atingir as crianças. Vamos trazer elas uma vez por mês na sede da ACP onde teremos atividades, jogos voltados ao meio ambiente. O que pudermos fazer para que uma criança divulgue a preservação da água, da natureza é muito importante. Uma criança muda uma família, uma comunidade. Que as crianças se tornem futuros adultos preservadores para as outras gerações. Esta cartilha é a primeira de muitas outras que pretendemos lançar no futuro”.



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Antes de existir a usina, antes das máquinas, antes do grande reservatório, já existia aqui uma história. Existia um rio.
Existiam suas águas, suas corredeiras, suas margens, suas matas e suas paisagens. E foi dessa natureza exuberante, desse encontro com as águas, que nasceu o nome Salto Grande.
O nome da nossa cidade carrega, desde o começo, a lembrança de uma natureza grandiosa. Então chegou o progresso, chegou a Usina Hidrelétrica.
E com ela veio a energia, o desenvolvimento, novas oportunidades e uma transformação que marcou para sempre a história da nossa cidade.
O rio foi represado, a paisagem mudou. Aquilo que antes estava diante dos nossos olhos ficou escondido sob as águas. A natureza que conhecíamos se transformou.
Mas o progresso também nos deixou um novo patrimônio, uma praia.
E essa praia passou a fazer parte da identidade de Salto Grande, vieram os ranchos, vieram os pescadores, vieram as famílias, vieram os turistas.
Vieram histórias de infância, encontros, fins de semana e momentos que ficaram guardados na memória de muita gente.
O que era rio se transformou em reservatório, o que era uma paisagem se transformou em outra. E nós aprendemos a amar essa nova Salto Grande.
Mas existe algo que precisamos compreender: a natureza não é estática.
Quando o homem transforma uma paisagem, o tempo passa, as águas se movimentam, os sedimentos chegam, as margens mudam, a vegetação responde, a vida encontra novos caminhos.
E aquilo que foi construído precisa, de tempos em tempos, ser cuidado, ajustado e acompanhado. Não estamos querendo voltar ao passado, não podemos voltar. E talvez nem devêssemos.
Queremos cuidar do presente para construir o futuro. Queremos que o progresso que um dia chegou através da energia elétrica continue trazendo benefícios para a nossa cidade.
Mas queremos também que esse progresso caminhe de mãos dadas com a natureza.
Queremos uma praia viva, um reservatório saudável, margens cuidadas, águas limpas, turismo fortalecido.
E um ambiente que possa continuar encantando quem nasceu aqui e quem chega para conhecer nossa cidade. Talvez esse seja o grande desafio da nossa geração: conciliar aquilo que o homem construiu com aquilo que a natureza nos deu.
A Usina trouxe progresso, o reservatório trouxe uma nova paisagem, a praia trouxe novas possibilidades. Agora, chegou o momento de fazermos os ajustes necessários para que tudo isso continue existindo de forma equilibrada.
É isso que estamos buscando, não é uma guerra contra o progresso, não é uma luta contra a Usina. É uma luta a favor de Salto Grande.
A favor do nossos rios, a favor da nossa praia, a favor da nossa natureza, a favor do turismo. E, principalmente, a favor das próximas gerações.
Porque talvez nossos filhos nunca conheçam a história de Salto Grande. Mas nós podemos fazer com que eles conheçam um Rio Paranapanema bonito, vivo e cuidado.
Podemos fazer com que eles tenham orgulho da nossa praia. Podemos fazer com que, daqui a muitos anos, alguém olhe para essas águas e pergunte: “Por que esta cidade se chama Salto Grande?”
E nós possamos responder: “Porque aqui sempre existiu uma natureza grandiosa.” E que essa grandeza continue sendo verdadeira.
Salto Grande mudou com o progresso. Agora, com responsabilidade, cuidado e união, precisamos fazer com que o progresso também aprenda a respeitar e preservar a natureza.
Esse é o nosso propósito, cuidar do que recebemos, ajustar o que precisa ser ajustado. E preservar o que queremos deixar para nossos filhos.
Porque a história de Salto Grande não terminou quando o rio foi represado. Ela continua sendo escrita pelas nossas mãos.
E cabe a nós decidir que história vamos entregar às próximas gerações.
Uma cidade bonita com praias e águas cristalinas ou um reservatório assoreado que virou um pântano.
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