domingo, 19 de maio de 2024

A Imprensa “chapa branca” está dando as costas para a população – Veja Video

José Luiz Martins

Novamente a sessão legislativa da última segunda-feira foi uma das mais curtas deste ano, durando cerca de 50 minutos sendo encerrada pelo presidente Roberto Tasca por volta das 21 hrs. Pouco antes do término antecipado que irritou alguns dos presentes, parte do público no plenário virou as costas para os vereadores durante fala do vereador Inácio. Desde a 28ª sessão há 4 semanas, a Câmara de Ourinhos tem sido tomada por alguns manifestantes que invariavelmente tem tumultuado com manifestações verbais, vaias, impropérios e até aplausos, os trabalhos do legislativo. 

O grupo denominado “Por uma Ourinhos melhor” que tem como pauta questões pertinentes tanto ao legislativo e executivo, já solicitou oficialmente ao presidente da casa o uso da tribuna para expor as reivindicações do movimento. Na Câmara pedem a redução de salários dos vereadores, de assessores parlamentar e a revogação da lei que aumentou de 11 para 15 as cadeiras para a próxima legislatura a partir de 2017.

Uma reunião entre os vereadores com esse grupo e outros munícipes aconteceu na semana passada sem que houvesse dos vereadores nenhum posicionamento claro sobre a redução dos subsídios e quando será pautada essa discussão na casa. Participaram do encontro o advogado Roberto Zanoni Carrasco (representando o movimento “Por uma Ourinhos melhor”), os empresários Sebastião Macalé Izidoro, Celso Zanuto, Edenilson Natale e Emerson Cavalcante.

Carrasco ainda aguarda que lhe seja facultado o direito de usar a tribuna conforme requerido junto ao presidente Roberto Tasca, a falta de clareza e posicionamento ante a questão tem sido interpretada como birra do presidente do legislativo a quem cabe a decisão. O movimento reivindica ainda redução de cargos comissionados e salários na prefeitura, tendo protocolado oficialmente essa pauta dia 08 de setembro e aguarda reunião com a prefeita para discutir o assunto.

Os “chapa branca” – Outro grupo incentivado por jornais, rádios e sites noticiosos também quer a redução dos subsídios dos vereadores, mas não se manifestam pela redução de cargos comissionados e salários na prefeitura. Os atos desse grupo têm sido considerados retaliações às denúncias do vereador Inácio J. B. Filho ao Ministério Público, sobre irregularidades em contratos de publicidade com a prefeitura.

As denúncias e acusações do vereador, que pesam contra esses órgãos de comunicação, têm sido refutadas por esse segundo grupo, acusados de usar a questão da redução dos subsídios parlamentares como bode expiatório para atacá-lo e direcionar os protestos pedindo sua cassação. Estariam se valendo da ignorância popular em buscar fontes de maior confiança para obter informações a respeito dos problemas em questão, usando pessoas como massa de manobra para se manifestarem contra o vereador e garantir interesses pessoais.

O grupo acusa J. B. Filho de ser dono e gestor da Rádio Melodia (mantida por uma fundação) e ter recebido verbas públicas quando já ocupava o cargo público que é proibido por lei. O grupo que adotou o slogan “Vereador que tal ganhar o salário de um trabalhador”, manteve por alguns dias uma coleta de mais de 5 mil assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular a ser protocolado na Câmara Municipal pedindo a redução dos subsídios dos edis para 970 reais.  

Bate boca – Ao final da sessão e ânimos exaltados o bate boca entre manifestantes começou com acusações de uma suposta agressão física rechaçada pela maioria dos que presenciaram a animosidade. Por pouco a ocorrência não teve consequências mais vexatórias do que se apresentou no momento. Ao que tudo indica os antagonismos tendem a aumentar, a cada sessão o vereador Inácio tem apresentado novas denúncias que estão sendo encaminhadas ao MP avolumando ainda mais o rol de possíveis irregularidades cometidas pela prefeitura e a imprensa “chapa branca”, como definiu J. B. Filho. 

Apresentando uma sequência de slides o vereador demonstrou o quanto a prefeitura gastou com órgãos de comunicação e imprensa de 2012 a maio de 2015. Rádios R$1.006,428; jornais e revistas R$1.280.239,00; sites R$263.356,00 e Tvs aberta e TV a cabo local R$548.887,00. A agência de propaganda Única, com sede em Maringá, responsável pela distribuição dos serviços e verbas de publicidade da prefeitura de Ourinhos recebeu R$1.682.199,00. Somados esses valores, o gasto total do executivo com propaganda e imprensa no período de três anos e meio foi de R$4.781.109,00.

Diante de ruidosos protestos do grupo que pede sua cassação por improbidade administrativa, o edil ainda levantou suspeitas de artimanhas na editoração do Diário Oficial do Município. Destacou que o pagamento é feito por páginas, exibindo exemplares da publicação do dia 11 de setembro de 2015 com 12 páginas, e outro do mesmo dia 11 de setembro com 18 páginas. Ele quer saber qual o motivo para que se tenha impressos com duplicidade, com o mesmo conteúdo em diagramação com espaços maiores aumentando a quantidade de páginas de 12 para 18. 

“Eu estou vendo aqui a imprensa e gostaria de conclamá-los a nos ajudar a encontrar os 3.700 milhões do vale transporte que desapareceram dos cofres da prefeitura, queremos que essa imprensa que se preocupa com os 74 mil recebidos pela rádio Melodia se preocupe também com esses 3.700 milhões que sumiram dos cofres públicos. Hoje no município de Ourinhos algumas pessoas querem continuar mamando nas tetas da prefeitura (..) fica aqui minha indignação com essa imprensa que esconde os malfeitos, eu não estou aqui para dar as costas a população, quem está dando as costas pra população é essa imprensa chapa branca que não fala a verdade ao povo”. 

© 1990 - 2023 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.