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sábado, 28 de maio de 2022

A triste realidade enfrentada por quem busca uma oportunidade de sustento

A reportagem do Negocião conversou ao longo da semana com alguns ourinhenses que estão em busca de uma colocação formal no mercado de trabalho local. Pessoas simples que estão sofrendo com a perda do meio de sustento.

  

José Luiz Martins

 

Com índice de desemprego elevado de norte a sul do país, a renda média das famílias brasileiras vem se reduzindo, com reflexos no consumo, o que traz um cenário de incertezas para os empresários que afinal são os geradores de empregos.

O desemprego no Brasil hoje está na casa dos 11%, com cerca de 12 milhões de desempregados e de forma geral, atinge todas as pessoas e não apenas determinados grupos.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) quem busca uma recolocação no mercado de trabalho ou vai começar uma carreira do zero, vê que o cenário atual é bastante preocupante. No estado de São Paulo é de 11,4%, o que representa resultado pior do que o índice nacional.

Em Ourinhos, embora a cidade figure como a maioria dos municípios paulistas com alta taxa de desemprego, conforme informações colhidas junto ao PAT – Posto de atendimento ao trabalhador, no mês de fevereiro deste ano foram disponibilizadas 154 ofertas de vagas por empresas de Ourinhos e Região.

Os setores de serviços e construção foram os que mais contrataram, seguido pelo setor da indústria e agropecuária.

O número de atendimentos mensais realizados pelo PAT do município é de 3.840 pessoas registradas, com índice de qualificação para as vagas exigidas entre o ensino fundamental completo/incompleto e ensino médio completo/incompleto. A procura maior é do sexo feminino, faixa etária de 25 a 50 anos.

A reportagem do Negocião conversou ao longo da semana com alguns ourinhenses que estão em busca de uma colocação formal no mercado de trabalho local. Pessoas simples que estão sofrendo com a perda do meio de sustento.

 

“Estou desempregado há uns 4 anos e tenho sobrevivido fazendo bicos, já tive emprego como estoquista, repositor de supermercado, auxiliar de lojas, e hoje faço de tudo um pouco, o que aparece estou encarando. Eu e minha esposa estamos sempre procurando uma colocação formal, este ano já estive aqui no PAT pelo menos umas três vezes e ainda não consegui me encaixar em nada (…) está muito difícil, pago aluguel, pensão alimentícia, água, luz e quando chega essas contas é um desespero”. – Renato Messias Mendes – Estoquista repositor – Vila Mano

Renato Messias Mendes 

 

“Eu trabalho como autônoma e faço alguns bicos, só que preciso de um trabalho registrado, tenho duas filhas e está muito difícil. É complicado pois a gente faz as entrevistas de emprego e fica aguardando chamar, mas não tem retorno. O problema é que a maioria exige experiência, eu tenho 25 anos e se você não tem experiência acaba perdendo a vaga para outro. Não entendo isso, se é pra ter experiência como conseguir isso sem uma primeira oportunidade”. – Emly Marcela de Moraes Lima – Manicure – Jd Ouro Verde

 

“Estou desempregada já faz uns dois anos, tenho conseguido me sustentar na marra fazendo faxina duas vezes por semana na casa de alguns conhecidos que ajudam a gente, e também com um dinheirinho de um terreno da minha família que foi vendido no Paraná e foi repartido, mas também está acabando. Tenho experiência de 17 anos como auxiliar de limpeza, o último trabalho fiquei mais de dois anos na firma e fui mandada embora quando começou a pandemia. Hoje aqui no PAT tem vaga, mas tem que ter carro próprio”. – Marilene Sebastiana Lima – Auxiliar de limpeza – Bairro Helena Braz

Marilene Sebastiana Lima

 

“Faz tanto tempo que estou sem emprego que nem lembro, o último que tive foi de firma terceirizada por 9 meses. Já vim várias vezes aqui (PAT) e não deu certo ainda. Tenho me virado com o que ganho do Bolsa Família e cesta básica que recebo. Sou divorciada e se não fosse essa ajuda não sei o que seria da minha família, dos meus filhos. Vivo perguntando pros amigos se eles sabem de alguma casa de família que precisa de empregada, mas ninguém sabe. Encontro várias conhecidas que também foram mandadas embora porque o patrão não consegue pagar. Tá muito difícil viu”. – Olinda Ramires Carreira – Empregada doméstica – Bairro Helena Braz

Olinda Ramires Carreira

 

EM DESTAQUE – Ciente da grande demanda de desempregados na cidade, dentro das dificuldades e facilidades do município, e para contribuir para um panorama de oferta de empregos e capacitação da mão de obra, a Prefeitura de Ourinhos implantou os programas “Meu Primeiro Emprego” e “Currículo Certo”. Veja a seguir se eles podem colaborar com o seu caso ou de algum conhecido.

 

“MEU PRIMEIRO EMPREGO” – O programa da SEDETT capacitou gratuitamente mais de 1.380 pessoas. A iniciativa visa a capacitação para o mercado de trabalho, em um formato que oferece noções sobre normas de comportamento, postura e vestuário adequado para participação em processos seletivos e para pessoas em situação de desemprego, assim como para jovens e a comunidade em geral. Há também orientação sobre cuidados com postagens em redes sociais, vícios de linguagens e noções sobre formatação profissional de currículo.

Há entrega do certificado de participação, que pode ser incorporado ao currículo. Diversos empresários já reconheceram o diferencial que os candidatos capacitados pelo programa apresentam quando passam pelo processo seletivo.

 

“CURRÍCULO CERTO” – Com orientação gratuita, o programa é uma extensão do “Meu Primeiro Emprego” para auxiliar os trabalhadores a formatar o currículo no padrão profissional, impresso colorido, ampliando a possibilidade de contratação. O serviço ainda inclui tirar foto digital na hora do atendimento, sendo acrescentada ao currículo. Mais de 2.560 pessoas já foram beneficiadas pelo Currículo Certo.

O Posto de Atendimento ao Trabalhador de Ourinhos está estabelecido na Rua Cardoso Ribeiro, 290 junto à SEDETT – Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo e atende de segunda a sexta-feira, das 8h00 às 16h30.

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