quarta, 22 de maio de 2024

Anos 30: O monopólio da Balsa no Paranapanema

José Luiz Martins

Durante a revolução de 1930 que levou Getúlio Vargas ao poder, a ponte ferroviária sobre o rio Paranapanema que liga os estados de São Paulo e Paraná foi parcialmente destruída por tropas paulistas, que para retardar o avanço de contingentes vindos do sul, dinamitaram os pilares da ponte.

Cessado o conflito o tráfego de trens da Ferrovia São Paulo Paraná ficou interrompido. Com isso, a travessia do rio que também era feita por balsas aumentou em demanda, pois por ali se transportava veículos, mercadorias, produtos agrícolas, animais, enfim tudo que pudesse, além de pessoas que em Marques dos Reis embarcavam em jardineiras (ônibus) com destino a várias cidades e localidades do Paraná.

Com o aumento do movimento de travessia do rio, alguém viu que era um momento de ganhar dinheiro com o negócio e tentou colocar mais uma balsa, o que provocou a contrariedade de quem já explorava a travessia fluvial. De propriedade particular, o serviço de travessia por balsa gerou uma polêmica a cerca do protecionismo e exclusividade de exploração reivindicado por quem já estava estabelecido ali.

A celeuma foi parar nas páginas do Jornal A Voz do Povo, de 18 de Janeiro de 1931. Diante de um possível monopólio, o editor do jornal foi saber com o governador da cidade que medidas seriam tomadas diante da pretensa exclusividade, ao que a autoridade pública respondeu “Na balsa não há privilégio nem concessão, tendo por conseguinte direito de colocarem quantas quiserem e quem bem entender. A prefeitura não o fez porque a balsa é provisória até que se reconstrua a ponte. Podem colocar quantas quiserem uma vez que ofereçam toda garantia aos que necessitam da travessia do rio.”

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