sábado, 22 de junho de 2024

Artigo: Sem deixar a peteca cair

Bruno Caetano*

 Como foi amplamente previsto, este ano começou trazendo sérias dificuldades no campo da economia, motivo de enorme apreensão entre os empreendedores. Não é para menos: inflação e juros em alta, aumento de impostos, esgotamento do crescimento calcado no consumo interno, medidas econômicas restritivas, maior desemprego e perspectiva de recessão.

Pesquisa Indicadores, do Sebrae-SP, mostra que o pessimismo dos donos de micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas em relação à economia atingiu níveis recordes. Em janeiro, 32% afirmaram acreditar em piora, o dobro de janeiro de 2014, quando 16% dos entrevistados manifestaram esse sentimento. Consequência de um 2014 em que as MPEs viram seu faturamento recuar 0,6% em comparação com o ano anterior, segundo o mesmo levantamento.

Nos momentos de turbulência, sempre haverá correntes contraditórias de pensamento. É o caso de enxergar o copo meio cheio ou meio vazio? Pensar no copo meio vazio é importante para não se distanciar da realidade, afinal a situação preocupa e é preciso manter-se alerta. Porém, crises podem representar o copo meio cheio, ou seja, oportunidades. O erro é ficar inerte, esperando a maré melhorar. Não há dúvida que o impacto de uma conjuntura adversa será sentido por todos. Agir para minimizá-lo é a saída.

Nessa hora, o dono de uma MPE tem de primar ainda mais pelo planejamento. Deve rever metas e gastos, traçar estratégias, ser flexível para adaptar-se, além de ficar de olho na concorrência. A movimentação dela ajuda a delinear eventuais ações.

Inovação é outra arma contra as intempéries. Não significa reinventar a roda, mas fazer o que não fazia. Pode ser incorporar um novo produto ou serviço no portfólio da empresa ou melhorar e alterar processos a fim de se obter resultados mais positivos.

O marketing não pode ser esquecido. Aparecer é fundamental para manter-se vivo no mercado.

Em tempos bicudos, o espírito empreendedor tem de prevalecer. Esmorecer diante das dificuldades não é opção. Mas o empresário não está sozinho: o Sebrae-SP está a postos para apoiar em todos os momentos.

 

*Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

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