terça, 21 de maio de 2024

Atendimento de emergência pediátrica no UPA de Ourinhos preocupa os usuários

Alexandre Q. Mansinho

No dia 13 de dezembro de 2012 a cidade de Ourinhos ganhou uma Unidade de Pronto Atendimento – UPA, que passou a dividir com a Santa Casa de Misericórdia o atendimento de urgência/emergência dos mais de 106 mil habitantes da cidade. No entanto, algumas semanas depois o serviço já passou a ser alvo de críticas e, nos últimos 2 anos, várias mortes foram registradas no UPA levantando várias questões sobre a qualidade do atendimento e à competência da equipe gestora do serviço. O protocolo define que todos os atendimentos devem ser concentrados no UPA e, havendo classificação de risco de emergência, o paciente é transferido para a Santa Casa. Tal protocolo é apontado pela população como a principal causa do atendimento ruim.

No dia 19 de outubro último, uma equipe de reportagem do Jornal Novo Negocião foi até a UPA para investigar uma séria denúncia – o atendimento às crianças no pronto socorro pediátrico estava demorando, em média, 3 horas e, sobretudo, estava sendo realizado de maneira displicente. Próximo ao meio-dia, no momento da chegada da equipe, havia 7 crianças aguardando atendimento – todas, sem exceção, estavam lá havia mais de 2 horas.

“Quando o atendimento era feito na Santa Casa era bem melhor”, afirma Heitor Júnior Rabello, que acompanhava sua filha para atendimento: “a Prefeitura faz um trabalho péssimo de gestão, quando todos os atendimentos eram concentrados na Santa Casa não se ouvia falar desse descaso que há hoje aqui”, desabafa.

Gabriela Gomes Chaves, mãe que acompanhava a filha para atendimento pediátrico, fez questão de registrar sua opinião para a equipe: “eu sei que não é muito bom falar com o jornal, às vezes a gente pode ficar marcada e ser atendida bem pior depois, mas não dá pra deixar pra lá isso que está acontecendo – já faz mais de duas horas que eu estou aqui, minha filha está com 39,5° de febre, e até agora nada foi feito”, afirma.

Silene Aparecida Nascimento Gomes diz que o atendimento é muito ruim: “em outra ocasião que eu vim aqui na UPA, com minha sobrinha, o pediatra prescreveu dipirona e mandou embora – hoje eu estou aqui com minha filha e já faz quase duas horas”, critica. “Na cidade toda o atendimento com pediatra é ruim, às vezes acontece uma emergência e o pediatra demora mais ainda – há poucos pediatras atendendo”.

No entanto, alguns usuários tem mais cautela na avaliação do serviço prestado pela UPA – Cirlene Aparecida Rodrigues de Alencar afirma que o problema é de gestão: “minha filha acabou de ser atendida, a médica foi muito atenciosa e prescreveu todos os remédios que julgou serem necessários”. Porém, Cirlene completa com uma advertência: “demorou mais de duas horas para sermos atendidas, a médica precisou atender uma emergência e nós ficamos aqui esperando”.

 O QUE É “AVALIAÇÃO DE RISCO”?

Parte da crítica ao atendimento feito na UPA é referente a avaliação de risco. Rogério Bartkevicius, especialista em gestão hospitalar, diz que “a avaliação de risco é um procedimento técnico que tem critérios protocolares, por meio desses critérios a equipe de enfermagem vai definir a ordem de atendimento a ser feita pelo profissional médico”.

 

Rogério ainda afirma que os critérios de urgência e emergência são definidos pelo próprio órgão regulador: “o Conselho Federal de Medicina define URGÊNCIA como “ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata”; EMERGÊNCIA como “constatação médica de agravo à saúde que implique em risco iminente de vida, ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, o tratamento médico imediato””.

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