sábado, 15 de junho de 2024

Cada vez mais mulheres procuram o parto humanizado em Ourinhos

Alexandre Q. Mansinho

Parto humanizado é a filosofia de se buscar fazer com que a mulher tenha consciência de todas as alternativas que ela tem ao seu dispor para o momento de dar à luz – procurando assim que todo o processo, pré-natal, parto e pós-parto, seja o mais tranquilo e prazeroso possível.  Em Ourinhos essa tendência tem se tornado cada dia mais forte – por meio da troca de informações e a partilha de experiências, mulheres têm cada vez mais tomando consciência dos seus direitos.

Do grego “mulher que serve”, a doula é a profissional que tem por objetivo acompanhar a mulher gestante – desde o pré-natal até o pós-parto. Renata Santos Andolpho é doula há três anos e considera o parto humanizado como uma vitória para a saúde da mãe e do bebê: “meu trabalho é estar junto com a mãe em todos os momentos, apresentar a ela todas as alternativas que ela tem e respeitar sua vontade em todos os procedimentos”. Karina Kurman Almeida teve um filho usando o parto humanizado: “para mim foi uma experiência maravilhosa – todas as mães deveriam conhecer”.

Poline Rafaeli Prado Moreira, funcionária da Prefeitura de Ourinhos, é mãe e teve seu parto da forma tradicional. No entanto, Poline conhece a filosofia do parto humanizado e é simpática a ideia: “o hospital é impessoal e frio, a mulher às vezes toma muitas drogas que podem prejudicar seu organismo – o parto humanizado é uma coisa boa, desde que feito com muita responsabilidade”.

“Tive dois filhos, meu primeiro parto foi tranquilo, mas o segundo houve muitas intercorrências – eu me pergunto se, no caso de um parto domiciliar, não seria um risco enorme para a mãe e o bebê?”, questiona Viviane Maria Rodrigues, secretária. De fato, para que a mulher possa fazer o parto domiciliar, há diversas exigências médicas: “há um protocolo responsável com diversas exigências para que o parto seja feito em casa, humanizar o parto não representa irresponsabilidade”, diz a doula Renata Andoupho.

MEDO E DESINFORMAÇÃO

Quando se fala de parto humanizado, não está se falando de nenhuma atitude irresponsável que possa pôr em risco a vida da mão ou do bebê – muito pelo contrário. Essa filosofia compreende dar a mãe todas as informações necessárias para que a gestação e o parto, momentos únicos e marcantes, sejam marcados de ótimas experiências. “Alguns médicos roubam os momentos da mãe, obrigando-a a se encaixar em conveniências pessoais ou agendas próprias, forçando o parto cesárea em vez do parto normal – isso é uma violência, por isso alguns médicos não gostam do trabalho das doulas e falam mal para as gestantes, produzindo um medo injustificável”, afirma Anika Camilo, presidenta da Associação Nacional das Doulas.

ADOÇÕES ILEGAIS

Entre os diversos tipos de parto que são possíveis, há o parto domiciliar. Em 2016, até setembro, apenas no estado de São Paulo foram feitos 26 mil partos fora dos hospitais. Nesse mesmo período do ano passado foram 536 partos. Esse aumento tem preocupado o Ministério Público, pois, segundo o MP, pode estar estimulando possíveis fraudes ou adoções ilegais de bebês. Renata vê com cautela tal possibilidade: quando a gestante faz a opção pelo parto domiciliar há vários itens que são levados em conta – além dos fatores de saúde dos quais já falamos, há a necessidade de testemunhas que irão assinar documentos que serão levados ao cartório para a confecção da Certidão de Nascimento: “acredito que, se acaso houver doulas envolvidas nessas possíveis fraudes, não se trata de parto humanizado, se trata de quadrilhas usando dessa filosofia com objetivos criminosos”.

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