sábado, 20 de abril de 2024

Carestia e inflação deixam preços do custo de vida cada vez mais caros

Ourinhenses afirmam que foi necessária uma mudança de hábitos e muita pesquisa de preços

 

José Luiz Martins

 

Atrelados aos altos preços dos combustíveis e energia elétrica, os alimentos têm sido por meses consecutivos os maiores vilões do aumento do custo de vida com os preços influenciando a alta de dois dígitos na inflação.

As contas estão longe de se equilibrar para a maioria da população, ainda tem a energia elétrica, água, aluguel, transporte, material escolar, vestuário, remédios, produtos de higiene e limpeza, praticamente tudo continua aumentando dia após dia.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo alimentação e bebidas acumularam alta de 11,84% nos últimos 12 meses encerrados em novembro — o dobro da variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mesmo período, de 5,90%.

Esses índices refletem a triste realidade da maioria da população quando se fala em comida porque nos alimentos os preços explodiram contribuindo para o aumento da fome no Brasil.

E mantém-se em alta, ou seja, botar comida na mesa continua caro e a inflação dos alimentos é a que mais pesa justamente para as famílias que ganham pouco, diferentemente de outras categorias.

Essa carestia tem feito de forma generalizada os consumidores mudarem os hábitos nas compras do supermercado, está cada vez mais difícil manter a dispensa e a geladeira abastecidas.

Nem as medidas artificiais, às vésperas das eleições, impediram que os preços continuassem a subir, principalmente dos alimentos pesando mais ainda no orçamento das famílias.

Um estudo do DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos sobre o custo da cesta básica que mostrou que na soma do acumulado em 12 meses aumentou bem acima da inflação oficial.

O movimento do sistemático de alta dos preços dos alimentos segundo o órgão, segue a vários anos, em janeiro de 2019 a cesta básica custava R$ 460 e agora está próxima dos R$750.

 

 Confira o relato de alguns ourinhense ouvidos pela reportagem do Jornal Negocião sobre as dificuldades de pagar as contas e sobreviver nesse momento de carestia geral.

 

 

“Eu moro sozinho, o que ganho é pouco, pego o benefício do governo, mas mesmo assim tá complicado pagar aluguel, luz, água e quando chego no mercado é uma tristeza. Olha o que eu comprei hoje, um quilo de cebola, batata, leite, uma lata de sardinha, pão e salsicha deu R$ 60. Carne só de vez em quando, verdura, tomate a R$ 8 reais, um saco arroz mais de R$ 22, feijão R$ 9 o quilo, quem é que aguenta? Eu não aguento tá tudo muito caro demais e dizem que não tem inflação, onde? – Jair José de Sousa, autônomo, Vila Christoni.

Jair José de Sousa – Autônomo – Vila Cristoni

 

Ourinhense afirmou que ultimamente tem ficado bem complicado a questão de custo dos alimentos principalmente alimento da cesta básica, que é preciso um cuidado muito maior principalmente para as pessoas de baixa renda alguma, é necessária alguma ajuda mais direta nessa questão. “Alguns alimentos que a gente consumia acabamos deixando de consumir ou trocando por algum outro tipo de alimento, em se tratando de carne que subiu muito o preço teve uma mudança muito grande nesse hábito de consumo principalmente a carne bovina, reduzimos bastante o consumo aumentando mais na carne de porco que ficou com preço um pouco melhor e dentro do orçamento”.

Ele relata ainda que verduras, legumes e frutas não deixaram de consumir em casa porque é necessário, mesmo com preço mais alto são alimentos que precisam estar inseridos na alimentação.

Para driblar a situação, Carlos diz que a receita é “o consumo ele tem que ser de forma muito correta, humana, evitar o desperdício, optar por alimentos que é de extrema necessidade, muita gente passando fome e o mínimo que a gente pode fazer para não desperdiçar, e mesmo diante da dificuldade poder ajudar as pessoas mais necessitadas”. – Carlos Camargo, vendedor, Jd. Santa Fé

Carlos Camargo – Vendedor – Jd. Santa fé

 

 “Tem que se virar a gente tá vendo que os preços das coisas só sobem a gente não tem aumento, está cada dia cada vez mais difícil (…) tem que cortar algumas coisas como a carne, por exemplo, diminuir ou não comprar mesmo e manter o que é muito necessário. Ultimamente tem que prestar atenção nas promoções dos supermercados, é um pouco mais barato, às vezes tem que ir a mais de um mercado pra poder economizar e tocar a vida” – Francisco Egídio Cutinhola, aposentado, Vila Boa Esperança

Francisco Egídio Cutinhola – Aposentado – Vila Boa Esperança

 

 “É muito difícil qualquer coisinha hoje em dia que você vai no mercado tá um horror o preço, o quilo de feijão a 15 contos, um litro de óleo de boa qualidade custando de 11 a 13 reais, comprar um pacote de arroz bom hoje não sai por menos de 25 reais, acabou toda aquela mordomia que a gente tinha há muito tempo atrás. Mas pelo básico na minha vida e da minha família eu não deixei de comprar nada, mas tive que ver bem onde comprar pra não pagar mais caro, não deixamos de consumir nada mais diminuirmos o que eu comprava dobrado um, o produto que comprava três hoje só é dois”.

Para o empresário é imprescindível pesquisar preços “O leite que sempre levava de caixa fechada levo menos, até algum tempo atrás custava até 3 reais, agora está doido quase 5 reais, hoje paguei R$4, 89. Tá muito complicado temos que esperar para ver se muda, porque de promessas muitos já morreram esperando, você sabe disso né todo mundo promete agora cumprir é outros quinhentos. Então o que eu posso fazer é economizar gastar menos, sempre procurar lugares melhores de preço, pesquisar, mas não ficar andando de carro pra baixo e pra cima assim não economiza nada” – Manoel Braz, microempresário, Vila Perino

Manoel Braz – Micro empresário – Vila Perino

 

“É uma dificuldade geral, luz, água, remédios é tudo muito caro, as pessoas só falam dos alimentos mais caros, mas os produtos de limpeza e higiene pessoal estão muito mais caros. Deve ser por causa do monopólio entre alguns fabricantes, são várias marcas, mas as indústrias são poucas e acaba não tendo concorrência então aumentam o que querem. Sabão em pó, detergente, desinfetante essas coisas de limpeza pesada para casa, se você olhar bem na hora da compra verá que são mais caros que comida”.

Para ele é difícil diminuir a quantidade desses produtos, alguns alimentos como a carne vermelha que está mais cara é colocada de lado e substituída pela carne suína, frango, algum tipo de peixe. Já os legumes, verduras, frutas tem que observar o produto que está na estação, na safra que costumam ter o preço mais em conta por causa da sazonalidade e oferta.

“Nós não podemos não parar de comer, então tem que ser criativo na cozinha montar um cardápio de acordo com o que está mais acessível para por na mesa. Infelizmente nos últimos anos é só aumento nada baixa de preço, mas quem sabe no próximo ano com o novo governo isso mude. É a esperança que renova, mas é esperar pra ver”, finaliza o Senhor José – José Luiz Pinha Forte, servidor público aposentado, Vila Margarida

José Luiz Pinha Forte – Servidor público aposentado – Vila Margarida

 

“Tudo está caro, não é só comida, carne, presunto, pão, a mussarela é um absurdo o preço, os hortifruti então, o tomate está custando o preço de um quilo de coxa e sobrecoxa na faixa de 8 reais, tenho que trabalhar dobrado para não deixar faltar nada, não tem outro jeito pra mim que sou autônomo o negócio tá muito feio. Tivemos que cortar gastos, tudo que é supérfluo, manter o que é essencial mesmo”.

Ricardo cita ainda outros produtos que têm encarecido a vida dos brasileiros. “Além da alimentação tem o combustível que de manhã é um preço e a tarde já é outro mesmo com a Petrobras anunciando que baixou o preço, mas na bomba subiu, isso aí é complicado, as despesas fixas como, água, luz, telefone, internet só sobem (…) até o lazer com a família diminuiu, antes saiamos para comer fora, tomar um lanche, num passeio sábado e domingo, hoje está bem esporádico. Precisa bem cauteloso nos gastos para não dificultar ainda mais a situação se não prestar atenção acaba pagando muito mais caro. – Ricardo Martins, autônomo, CDHU.

 

 

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