sexta, 21 de junho de 2024

Coluna da Dani Mendes: AS LEMBRANÇAS DA FAPI A GENTE NUNCA ESQUECE

Domingo de sol, gelado como há muito tempo não se via por essas bandas, e eu aqui, sentada na calçada esperando a cavalgada. Todo ano é assim. Os cavalos vão levando a FAPI embora. Mas eles não levam todos de uma vez, não. A cada quinze minutos aparece um cavalo aqui, outro lá. E a gente espera, no ócio do domingo, porque ninguém liga pra falta de sequência, a gente se diverte com os carrinhos de som, as crianças em festa e o solzinho gostoso.

A feira não é unânime. Tem gente que jura que não gosta. Duvido. Desafio um ourinhense da gema, com terra roxa no sangue, forjado no barro das vilas a me dizer que nunca foi na FAPI. E tem FAPI pra todos os gostos, pra quem vai comer, pra ver os sertanejos, pra brincar no parque e até pra quem quer arrumar uma tampa pra sua panela. Eu confesso que já fui muito para a FAPI arrumar namorado. Mas depois do episódio com o Paulão… desisti dessa estratégia.

Paulão, o garoto mais fofo da escola. No auge da nossa paquera a FAPI estava a toda, nos encontramos na Casa do Expositor e rumamos pra onde iam todos os casais pra uns amassos inocentes. Lá no meio dos bois. O Paulão era mesmo fofo, mas aquele cheiro de estrume entranhou tanto nas minhas narinas que o amor de FAPI não subiu a serra. Hoje ainda vejo o Paulão, continua fofo, mas aquele cheiro de coco de vaca… A FAPI separou a gente pra sempre.

Na verdade, acho que não existe um aroma tão marcante na FAPI como o sanduiche de pernil. É isso mesmo, aquele pernil da esquina, que parece ser todo ano o mesmo. Ninguém sabe de onde o pernil vem vindo e nem pra que cidade vai, mas aquele cheiro é um deleite. Não importa que ele seja pesadelo de qualquer agente sanitário, que fique lá exposto com toda aquela poeira, o aroma da gordura da carne suína em contato com a chapa quente hipnotiza, e nós comemos sem remorso, como se não houvesse amanha.

 

Essa feira mexe com todos os nossos sentidos. Além de cheiro e gosto a FAPI tem a voz que nenhum ourinhense jamais vai esquecer, daquela loja de peças com tantos erres que deixaria o RRRRRRRRonaaaaldo do Galvão no chinelo. No fundo, no fundo mesmo, para mim, a lembrança mais bonita da FAPI, coisa que a gente vê pequeno e fica marcado pra sempre em nossa retina, são as luzes do parque e a vista da cidade de cima da roda gigante. Quando eu nasci, quase quarenta anos atrás, a FAPI já estava aqui, quando eu morrer, daqui a muitos anos, espero que a FAPI ainda esteja lá, esperando meus netos na escadaria do parque.

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