terça, 23 de abril de 2024

Com um número grande de usuários de crack, Ourinhos e demais cidades da região buscam alternativas para combater o problema

Barato, popular e altamente destrutivo, esse subproduto da cocaína desestrutura famílias e leva pessoas para a criminalidade

 

 

Alexandre Mansinho

 

 

O vício em crack é, inquestionavelmente, um dos problemas sociais mais graves que o Brasil enfrenta, no caso de Ourinhos e as cidades da região sudoeste paulista e norte do estado do Paraná, o problema ainda é mais grave, visto que a posição geográfica coloca essas regiões no centro da rota de distribuição das drogas vindas da Bolívia, Colômbia e Paraguai. Esse fator dificulta o trabalho de repressão das polícias e aumenta a oferta desse entorpecente nas ruas.

O vício em drogas não impacta apenas profundamente os indivíduos que o experimentam, mas também tem consequências devastadoras em suas comunidades e na sociedade como um todo. Essa característica cruel torna o combate ao tráfico uma ação que transcende as responsabilidades das polícias e torna a questão um problema de saúde pública.

Dados do Conselho Nacional de Justiça apontam que há, atualmente, cerca de 180 mil pessoas presas pelo crime de tráfico de drogas, isso significa dizer que, do total de pessoas presas no Brasil, que gira em torno de 773 mil pessoas, 23% estão cumprindo pena de restrição de liberdade por conta das drogas.

O Ministério da Saúde aponta o vício em crack como uma epidemia e a droga como responsável por danos físicos graves, como problemas cardíacos, respiratórios e neurológicos. Ainda de acordo com o Ministério, o crack é altamente viciante, levando à dependência em um curto espaço de tempo. Os indivíduos frequentemente priorizam a busca pela droga sobre suas necessidades básicas, como alimentação e moradia.

 

“Perdi minha família, perdi meus filhos e fui parar na cadeia” – Ana (nome fictício), de 26 anos, é atualmente moradora da Vila Nossa Senhora de Fátima em Ourinhos. Ela recebeu a equipe do Negocião para falar sobre sua experiência com o crack e, segundo ela mesma diz, “tentar abrir o olho da molecada”.

Ana diz que sempre foi usuária eventual de maconha: “o pai de um dos meus filhos (eu tenho quatro, tá (…) eles estão com a avó, a juíza tirou eles de mim), então, o homem que morava comigo traficava, a gente usava maconha juntos, mas experimentar o crack foi minha derrota”. “Primeiro ele foi preso, depois eu acabei sendo presa também (…) nessa vida a gente precisa fazer os corres pra levantar a grana pro uso”. Perguntada se ela obteve ajuda para sair do vício, Ana responde: “só me deram cadeia, humilhação e tiraram meus filhos”. Atualmente Ana mora sozinha, trabalha com uma cooperativa, que é de onde consegue seu sustento: “eu vou recuperar meus filhos, vou reerguer”, completa.

 

“A porta de entrada acaba sendo o serviço social” – Viviane Barros, secretária da Secretaria Municipal de Assistência Social de Ourinhos falou com exclusividade ao Jornal Negocião, ela afirma que “embora o trabalho com pessoas em situação de drogadição seja responsabilidade da Secretaria de Saúde, é na assistência social que as famílias primeiro buscam ajuda”. “Nós, enquanto serviço social, encaminhamos para os serviços de saúde e buscamos, por meio de visitas familiares, entender como está a estrutura familiar das pessoas atingidas pelo vício”.

Ainda segundo Viviane, as ações do poder público são coordenadas: “é necessário tratar não só a pessoa que padece do vício, mas toda a comunidade que interage com ela (…) para o doente em si o SUS oferece diversos tratamentos, mas o CAPS é o mais indicado”, completa.

 

Porta aberta – Os Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS, são aparelhos públicos voltados à promoção da saúde mental, especialmente para pessoas que enfrentam desafios graves, como problemas relacionados ao álcool e às drogas. São serviços comunitários de porta aberta, acessíveis sem agendamento prévio, que oferecem suporte em situações de crise e reabilitação psicossocial. Equipes multidisciplinares, incluindo profissionais de saúde mental, adaptam o atendimento às necessidades individuais. As atividades são coletivas ou individuais, com um foco centrado no usuário e em sua rede de apoio, visando a eficácia do tratamento.

 

CAPS II em Ourinhos está localizado na Rua Dom Pedro I, 394 Vila Moraes, o telefone é (14) 3302-6100.

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