quinta, 18 de abril de 2024

Criminosos usam estratégias ainda mais criativas para enganar as vítimas

Golpistas prometem dinheiro fácil e rápido, seduzindo vítimas com recompensas iniciais, mas, por trás do esquema de pirâmide via redes sociais, esconde-se um ciclo vicioso de investimentos.

 

 

Alexandre Mansinho

 

 

Sob uma abordagem mais sedutora e acessível, bandidos prometem uma maneira fácil e rápida de ganhar dinheiro, chegando até a pagar pequenos valores para conquistar a confiança de suas vítimas. No entanto, por trás dessa proposta, tentam esconder um esquema de pirâmide financeira.

O modus operandi é o seguinte: os criminosos entram em contato com suas potenciais vítimas através de canais como WhatsApp, Facebook e Telegram, oferecendo oportunidades de pagamentos rápidos e de baixo esforço. A “atividade”, segundo eles, envolve uma série de “missões”, muitas vezes relacionadas ao marketing digital, como seguir perfis em redes sociais, dar curtidas em postagens ou deixar avaliações positivas de estabelecimentos no Google.

Quando a vítima aceita participar, os golpistas pedem a chave Pix da vítima, sob a justificativa de realizar o pagamento pelas tarefas executadas. Além disso, a pessoa é convidada a ingressar em um grupo no Telegram, onde há milhares de membros, o que é utilizado para dar uma falsa sensação de credibilidade ao golpe.

Para ganhar a confiança das vítimas, os criminosos costumam pagar por suas primeiras tarefas, geralmente com valores baixos, variando entre R$4,00 e R$20,00. No entanto, para receber pagamentos maiores, a vítima é pressionada a “evoluir nas missões” e a fazer investimentos cada vez mais substanciais.

Isso leva a vítima a um ciclo vicioso, onde ela precisa fazer um novo investimento para tentar recuperar o anterior. Os golpistas até oferecem “dicas” sobre como conseguir o dinheiro para os investimentos, como pedir empréstimos a familiares e amigos, sempre garantindo que se trata de um retorno garantido de uma empresa respeitável. Eles podem até enviar capturas de tela de outros “clientes” como prova de que a atividade realmente dá lucro.

O delegado da Polícia Civil de Ourinhos (SP), Dr. Pedro Telles, relata que na Central de Polícia Judiciária de Ourinhos, existem diversos registros de golpes que seguem essa metodologia. Algumas vítimas, por vergonha ou desconfiança, evitam até mesmo fazer denúncias. Dr. Pedro alerta: “infelizmente a vítima é ‘seduzida’ pela promessa de lucro rápido e fácil, e, na ânsia de ganhar dinheiro, ela se envolve até ignorando o bom senso (…) nunca se deve fornecer informações pessoais a estranhos, especialmente quando o contato é feito por meio de aplicativos de celular, sem que uma pessoa revele sua identidade.”

O delegado destacou a importância de documentar todas as conversas, capturando “prints” das mensagens e fazendo cópia dos depósitos realizados e recebidos. Somente com informações fornecidas, a Polícia Civil pode conduzir uma investigação eficaz e identificar os estelionatários por trás desses golpes.

Principais Tipos de Golpes Relacionados ao Pix:

Golpe do Falso Parente: Nesse golpe, o estelionatário se faz passar por um parente ou amigo, solicitando dinheiro ou pedindo o pagamento de contas.

Golpe do Produto ou da Loja Falsa: Este golpe envolve a compra de produtos ou serviços em lojas virtuais falsas, onde o comprador nunca recebe o que adquiriu.

Golpe da Falsa Central/Banco: Golpistas se fazem passar por profissionais de centrais de atendimento ou gerentes bancários, solicitando a reversão de um suposto Pix fraudulento.

Golpe da Rede Social Hackeada: Neste tipo de fraude, o criminoso utiliza uma conta de rede social hackeada ou clonada para vender produtos falsos em nome de alguém conhecido.

Golpe do Falso Investimento: Esse golpe atrai vítimas com promessas de oportunidades de investimento que, na realidade, são falsas e não resultam em ganhos financeiros legítimos.

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