sexta, 21 de junho de 2024

De pressão em pressão

Camila Mostasso

Muitas vezes quando escutamos a palavra depressão procuramos em nossa mente resgatar as lembranças de tudo aquilo que já ouvimos ou vivenciamos sobre o assunto, e nos deparamos com certo tabu. Considerada por muitos especialistas como o ‘‘mal do século‘‘, a depressão  pode surgir de diversas formas e nos variados quadros clínicos, como: transtorno de estresse pós-traumático, demência, esquizofrenia, alcoolismo, doenças clínicas, etc. Pode ainda ocorrer como resposta a situações estressantes, conviver em sociedade não é nada fácil e conseguir se manter com uma situação econômica estável? Nem se fala.

Há quem diga que esse mal pode ser evitado com a força de vontade das próprias vítimas, com algum tipo de ajuda, ou até mesmo por apelações de cunho religioso e é isso que divide opiniões e coloca em evidência a necessidade de discussão da doença uma vez que ela atinge hoje, segundo dados do IBGE no Brasil, 7,6% dos adultos diagnosticados, equivante a 11 milhões de pessoas e dentre esses brasileiros, mais da metade (52%) usa medicamentos. Uma coisa é fato, o dia-a-dia e o ritmo acelerado com o qual o ser humano leva a vida atualmente contribui para que as pessoas adoeçam se não fisicamente, mas emocionalmente, e assim como qualquer tipo de doença a depressão precisa ser tratada e desmistificada pelas pessoas que a encaram com um pré-conceito. 

É absolutamente normal você não conseguir dar conta de tantas responsabilidades, isso seria fisicamente impossível, mas é preciso que as pessoas pratiquem a empatia ao olhar para uma pessoa depressiva e não depreciar ainda mais o seu estado, além de ajuda psicológica é indispensável o apoio das pessoas em volta e a necessidade de discussão com seriedade sobre o assunto principalmente com a ajuda de um profissional. Quem não se chocou ao descobrir naquela quinta-feira julina o suicídio de Chester Bennington, vocalista do Linkin Park? Morreu aos seus 41 anos e vinha enfrentando batalhas contra os vícios da droga e do álcool além de um trauma muito forte de abuso sofrido na infância. De uma coisa é certa, de pressão em pressão estamos vivendo e cuidar de sua saúde mental deve ser prioridade e nunca em hipótese alguma seus problemas emocionais devem ser tratados com descaso.

 

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