quinta, 13 de junho de 2024

Decadência de Associações de Moradores é reflexo da má gestão da administração municipal

José Luiz Martins

Na última edição do NOVO NEGOCIÃO publicamos uma reportagem que buscou demonstrar como as Associações de Moradores em Ourinhos transformaram-se em instituições ineficientes na tarefa de defender os interesses dos moradores junto ao poder público, seu principal objetivo.

São várias as razões para que passados vários anos esses órgãos não tenham cumprido satisfatoriamente a meta de buscar através da identificação dos problemas das comunidades e uma maior atenção, a reivindicações dos bairros.  São problemas comumente relacionados a infraestrutura urbana, educação, saúde, lazer, segurança, entre outros que fazem parte do cotidiano dos munícipes.

De certo modo essa situação é reflexo da má gestão da administração municipal que relegou a cidade ao abandono que culminou com o resultado das últimas eleições encerrando o ciclo do grupo político que governou o município nos últimos 8 anos. Mas na prática hoje, as associações não figuram como entidades representativas dos moradores na função de levar ao conhecimento do poder executivo municipal os problemas de cada localidade e cobrar as necessárias providências.

A história da Associação de Moradores do Jardim das Paineiras, situado na zona oeste de Ourinhos, é o retrato desse abandono e da falta de representatividade. O bairro existe há mais de 20 anos e é vizinho de locais tidos como nobres, como a Vila Inglesa, possui uma escola, um posto de saúde e uma creche, mas não tem iluminação adequada e existem pequenas praças que só são preservadas pelos próprios moradores.

Essa associação chegou a ter posse de um terreno de quase um quarteirão que ficou completamente abandonado com o mato tomando conta. Recentemente a antiga sede da associação, em situação deplorável, foi demolida pois vinha sendo utilizada por usuários de drogas, andarilhos, além de servir de depósito de lixo e criadouro de animais peçonhentos trazendo transtornos aos moradores da região temendo pela segurança.

A degradação e abandono do poder público revoltou os moradores próximos e uma moradora que preferiu não revelar o nome, disse que não deixava seu filho chegar perto do local por medo dos desocupados que tomaram posse do que sobrou da sede da associação. “Disseram que iriam reformar a sede para instalar oficinas de corte e costura ou incentivar o esporte, mas tudo não passou de promessas. Entra ano e sai ano o local está abandonado. Foi dinheiro jogado fora”, declarou a moradora indignada, que junto com outros moradores pedem mais policiamento no bairro.

Das 26 Associações de Moradores existentes com diretoria constituída somente 6 contam com sedes, mas poucas mantêm alguma atuação junto as comunidades. Uma exceção é a associação de Moradores dos Jardim Eldorado, que embora enfrente várias dificuldades ainda mantém algumas atividades em prol do bairro. Conforme o presidente da associação, Gustavo Alves, no começo a associação contava com vários voluntários e chegou a ter aulas de digitação, violão e artesanato.

“Hoje pela falta de apoio e esforço de populares através de doações e prestação de serviços estamos somente com musculação à noite três dias por semana, atendendo cerca de 60 crianças, e um projeto de futebol e capoeira, além de atender beneficiários do Programa Viva Leite da Prefeitura. Somos em dez pessoas na diretoria mas devido as atividades diárias relacionadas ao trabalho de cada um nem todos podem se dedicar as atividades da associação”, destacou Alves.

Ele reclama da falta de apoio dizendo que a associação tem procurado cobrar do poder público os direitos e melhorias para o bairro mas não existe mais aquela atenção do começo. Gustavo espera agora que com um novo prefeito as coisas mudem para melhor, que as associações sejam mais valorizadas e utilizadas para ajudar a administração na solução dos problemas nos bairros da cidade. Finalizando a conversa com a reportagem ele narrou um fato ocorrido que segundo ele, mostra a situação de descaso que as associações têm vivido nos últimos anos.

Por ocasião de uma forte chuva, parte do telhado da sede da associação foi danificado e prejudicou as atividades no local inclusive do Programa Viva Leite. Gustavo relatou a recusa dos responsáveis pelo programa de distribuição de leite da PMO para ajudar a arrumar o telhado e ouviu como resposta que a Prefeitura não tinha nada a ver com o problema e que só eram responsáveis pela entrega do leite. “Eles usam nosso barracão e se recusaram a ajudar, isso mostra como a associação fica ao “Deus dará” quando vai procurar ajuda da prefeitura. Na época, final de 2012, fomos falar com o prefeito Toshio e ele nos disse que a prefeitura não era pai de ninguém, que a associação tinha que se virar, essas foram as palavras dele”, desbafou.  

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