sexta, 21 de junho de 2024

Em meio a desacordos com a nova gestão da SAE, trabalho de coleta seletiva em Ourinhos corre risco de acabar

Alexandre Mansinho

No último dia 13 um grupo de catadores de material reciclável, cooperados da Recicla Ourinhos, realizaram um protesto em frente à SAE (Superintendência de Água e Esgoto de Ourinhos). Os trabalhadores alegam que a autarquia pretende reestruturar o contrato de prestação de serviços que permite a cooperativa realizar a coleta seletiva na cidade de Ourinhos.

Atualmente o trabalho realizado pela Recicla Ourinhos é referência mundial na coleta seletiva e na geração de renda tendo recebido vários prêmios. “380 toneladas por mês de material reciclável é coletada em Ourinhos, nosso trabalho evita doenças e impede que todo esse material vá parar nas beiras dos rios ou entupa os esgotos, somos mais de 130 cooperados”, diz Matilde Ramos, presidente da cooperativa.

Os cooperados alegam que o superintendente Luís Perino não recebeu os trabalhadores para efetivar um novo aditivo ao contrato, sem esse aditivo os salários dos cooperados pode não ser pago. Embora haja uma parceria de anos da prefeitura com a cooperativa, nessa nova gestão os desacordos têm sido grandes. “Tivemos várias reuniões no início desse ano e havia ficado acordado que haveria apenas essa alteração no aditivo, visto que o contrato está em vigor até 2018 (…) viemos conversar com a Karine e Aline do Jurídico e o advogado Alexandre, além da Edna, Chefe do Setor de Contabilidade e o Guilherme diretor de Limpeza Urbana. Nós tivemos três reuniões com eles que nos sinalizaram que seriam feitas algumas mudanças no contrato, mas nada de muito relevante (…) na última sexta-feira, 10, não deixaram a gente entrar no aterro sanitário para jogar o rejeito da coleta, dizendo que estão fazendo controle diário, sendo que outras empresas de caçambas jogam normalmente, e nos disseram que temos que ter um ticket para dizer qual a quantidade em peso que está sendo jogada no aterro. Após não nos deixarem entrar no aterro, liguei para a Karine do Jurídico e ela nos falou que agora seria um único documento, que o contrato atual que está em vigor até 2018, será rescindido e terá outro contrato”, afirma Matilde.

Os cooperados, diante do acontecido e diante das informações desencontradas, temem que o trabalho seja interrompido e os hoje mais de 130 trabalhadores percam seus empregos.

A SAE, por meio de nota, afirma que “em momento algum (…) trabalhou com a hipótese de não renovar o contrato com a Recicla Ourinhos (…) e que vem mantendo os repasses a entidade normalmente, sendo feito o último pagamento referente ao mês de fevereiro, na sexta-feira (10) (…) de acordo com o Superintendente da SAE, Luís Augusto Perino, o contrato está sendo revisto antes de sua renovação, visando definir melhor as responsabilidades da Recicla Ourinhos e também da SAE. Até que esse trabalho seja concluído, o contrato será mantido nos termos atuais”.

A nota também afirma que o repasse anual da SAE para a Recicla Ourinhos é de aproximadamente R$ 2,2 milhões por ano, além de ceder dois caminhões com motorista, manutenção dos veículos e combustível, e arcar com as contas de energia elétrica, água e dos IPIs (Equipamentos de Proteção Individual) consumidos pela Cooperativa.

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