quinta, 13 de junho de 2024

Exigências do DETRAN e altas despesas tornam a obtenção da carteira de habilitação ainda mais cara

Alexandre Mansinho

Atualmente, para se obter a carteira nacional de habilitação (CNH), o candidato tem que desembolsar mais de 2 mil reais, valor muito alto levando-se em conta a crise econômica e uma comparação com valores praticados em outros países. Em Ourinhos, impulsionado por uma forte concorrência, as autoescolas trabalham com margens de lucro muito baixas, reforçando uma sensação de opressão por parte do governo. Empresários do ramo afirmam que pouco desse dinheiro fica de fato com eles, a maioria acaba indo parar nas despesas de funcionamento e nas taxas governamentais.

Recentemente o DETRAN obrigou as autoescolas a adquirir um simulador, semelhante aos simuladores de voo usados para a formação de pilotos, para que os alunos tivessem algumas horas no ambiente virtual antes de ir para as aulas práticas. Tal fato aumentou em R$ 250,00 as despesas para a obtenção da CNH e, segundo especialistas, pouco ajuda na formação geral do futuro motorista. Outra exigência polêmica é a das aulas noturnas, donos de autoescolas alegam que tal exigência aumenta os custos com funcionários (adicional noturno e aumento das jornadas de trabalho) e, na prática, também não representa um benefício muito grande para a formação dos alunos.

Além das mudanças já em vigor, os DETRAN’s de todo o país estudam impor nacionalmente as exigências que já estão valendo no Mato Grosso do Sul: lá as autoescolas foram obrigadas a instalar câmeras, GPS e biometria em todos os veículos usados para as aulas práticas. Soma-se a isso estudos que objetivam obrigar os alunos a fazer testes de nível alcoólico no sangue (o popular bafômetro) antes de fazer as aulas práticas. 

O que dizem donos de autoescolas em Ourinhos? 

Sheila Kátia Vieira Samadello tem uma visão muito crítica sobre as mudanças que já estão em vigor e sobre as mudanças que estão em estudo pelos DETRAN’s: “um bom trabalho na autoescola salva vidas todos os dias, temos uma postura ética e cumprimos com rigor todas as determinações do DETRAN, mas o custo de tudo isso torna o nosso trabalho muito difícil”. Para Sheila o governo implanta mudanças e deixa os custos todos por conta das autoescolas: “na minha opinião as exigências de simulador e de aulas noturnas são irrelevantes na formação do futuro condutor, mas acabam tornando o custo do processo mais alto”, protesta. Para Luciana de Paula Vidal as mudanças são muito importantes para aumentar a segurança e a seriedade do trabalho de formação de condutores. O uso de tecnologias para certificar a presença dos alunos em todas as fases do processo é importante, mas há exigências que são inúteis: “o simulador substitui aulas práticas e isso é uma perda para o aluno”.

Douglas da Silva Cândido, aluno que está no processo de formação para conduzir veículos, vê de forma positiva as medidas de segurança e faz elogios à exigência do simulador: “quando passamos pelo simulador ficamos mais seguros na hora de entrar no carro de verdade e, na minha opinião, todas as medidas de segurança e exigências do DETRAN colaboram para que o trânsito tenha menos acidentes”.

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