sexta, 21 de junho de 2024

Família é constrangida por não poder ir ao banheiro no Camelódromo de Ourinhos

Alexandre Mansinho

No último dia 26 de fevereiro, F. H. O., profissional liberal, procurou a reportagem do Jornal Novo Negocião com uma grave denúncia: após ter a chave do banheiro negada no Centro Popular de Compras (mais conhecido como Camelódromo Municipal), ele, que é diabético e tem incontinência urinária, acabou por urinar nas calças diante de todos ali presentes: “passei a maior humilhação (…) foi no box 15 que eu pedi a chave, a moça disse que poderia dá-la se eu comprasse alguma coisa (…) eu saí de lá bravo, fui até outro box para poder comprar algo que eu precisava e pedir a chave, mas nisso tudo não deu tempo (…) tenho diabetes e incontinência urinária, acabei fazendo nas calças”.

A equipe do jornal procurou o presidente da associação dos comerciantes do camelódromo, Luciano Bueno, que disse a nossa reportagem que a orientação é dar a chave a todos que pedirem: “nós mantemos o banheiro trancado para poder impedir vandalismo e impedir que pessoas mal intencionadas usem para outros fins”. Luciano ainda afirmou que, até aquele momento, não havia tomado ciência do fato.

A vendedora do box 15 nos informou que, de fato, chegou a perguntar se F. H. O. iria comprar alguma coisa e, em tom de brincadeira, disse que não iria dar a chave: “eu falei que não iria dar a chave, mas foi brincando, meus colegas de outros boxes viram quando eu peguei a chave, chamei ele e disse “moço, olha a chave”, mas ele me ignorou e saiu bravo”.

Dr. Roberto Carrasco, advogado e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, subsede Ourinhos, nos informou que é lícito sim trancar o banheiro para prevenir algum ato de vandalismo, mas não há nenhum fundamento legal em se negar a chave a alguém que peça, mesmo porque o Camelódromo é um local público: “toda aquela estrutura foi construída com dinheiro público, negar a chave do banheiro é, além de ilegal, uma grande falta de humanidade”, afirma.

Falta de apoio da Prefeitura – Durante suas explicações, a vendedora expôs um problema que os vendedores do Camelódromo enfrentam: “aos domingos, em horário de feira, as pessoas vem aqui para poderem usar o banheiro (…) nós, comerciantes, é que pagamos um funcionário para manter o banheiro limpo e pagamos também os utensílios de higiene e limpeza (…) não acho justo que pessoas que não consumam aqui conosco usem o banheiro (…) a prefeitura deveria nos ajudar nas despesas se acha que nós deveríamos abrir o banheiro também para os clientes de fora”, completa.

O Centro Popular de Compras foi inaugurado em 2013, para acolher os comerciantes que antes ficavam na praça em frente à Escola Estadual Domingos Camerlingo Caló. O projeto e a construção foram subsidiados pela prefeitura, havendo, por parte dos comerciantes organizados em uma associação, o compromisso de zelar das instalações. 

Informado sobre a resposta da vendedora, F.H.O disse que ele foi sim vítima de descaso: “ela não me conhece para brincar comigo assim, eu estava com minha sogra e o local estava cheio, foi a maior humilhação, não havia clima de brincadeira”.

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