sábado, 15 de junho de 2024

Feminicídio no banco dos réus

Alexandre Mansinho

No dia 14 de setembro, a partir das 13h, o conselho de sentença irá se reunir para julgar o caso de Laurinda Alves, 30 anos, espancada até a morte em 27 de agosto de 2015, dentro das dependências do Posto Vip, pelo seu companheiro Lucas Arruda de Oliveira, de 29 anos. Na ocasião, as dependências do posto estavam abandonadas e abrigavam andarilhos e usuários de drogas.

A princípio, quando a polícia atendeu o caso, foram efetuadas três prisões – porém, depois de confrontar os depoimentos e verificar as provas, concluiu-se que apenas Lucas A. Oliveira teve participação no homicídio. O momento para esse júri não poderia ser mais adequado, a cidade ainda respira a revolta com o assassinato de Josiane Calistro que, em comum com o caso de 2015, tem o motivo fútil e a extrema violência.

A promotoria, conduzida pelo Dr. Silvio Brandini, pedirá a condenação de Lucas por homicídio qualificado: além da crueldade do homicídio propriamente dito, há as qualificadoras, que são fatores que tornam a pena mais longa. Houve, na visão da promotoria, o motivo fútil e o recurso que impediu a defesa da vítima.

Morreu “na base da porrada” – Em 2015, em meio as entrevistas realizadas pela imprensa ourinhense, um morador de rua, que também frequentava as dependências do Posto Vip, disse que Laurinda já havia sido vítima de violência outras vezes e que, na surra que deu cabo a sua vida, ela apanhou até de panela de pressão: “a mulher foi assassinada na base da porrada (…) era normal a gente ver ela chorando (…) mas ninguém dava palpite”. A vítima chegou a ser socorrida e ficou internada durante algumas horas, o laudo necroscópico revelou que, além das marcas decorrentes dos socos e chutes, havia queimaduras.

Abuso de álcool – Também segundo o laudo necroscópico, Laurinda estava embriagada e, por esse motivo, não teve a menor chance de se defender dos golpes de Lucas. Os crimes violentos cometidos entre os moradores de rua não são incomuns, Ourinhos já foi palco de diversos casos de brigas entre alcoólatras que terminaram em tragédia. Natanias Feitosa, vulgo Mimi, foi a júri no ano passado recebeu pena máxima por ter assassinado seu desafeto em uma casa abandonada na Vila Christoni. Nessa ocasião, Dr. Silvio Brandini falou, durante suas colocações no julgamento de Natanias, que esses crimes violentos entre mendigos era mais comum do que se pode imaginar e que, infelizmente, o fato dessas pessoas não terem referências familiares e terem seus objetivos de vida reduzidos, faz com que elas possam cometer crimes bárbaros por motivos ínfimos.

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