sexta, 24 de maio de 2024

Grupo Winston comemora 50 anos

Hernani Corrêa

Uma empresa, para ter sucesso, não basta ser só administrada como negócio. É preciso saber lidar com o sentimento das pessoas que fazem parte dela, descobrir o talento em cada uma e saber valorizar.

Por esse e outros motivos, o Grupo Winston, composto por diversas empresas, chega aos 50 anos e mantém diversos colaboradores há mais de 40. E o empresário Winston Khatchik Edirnelian conta um pouco desta história de sucesso

Vida pessoal – Nascido no Egito, Sr. Winston é filho de pai armênio e mãe iuguslava, tem 73 anos, é casado há 48 anos com Dna. Elga e pai de três filhos: Jaqueline, advogada das empresas e administradora da Profitness, empresa especializada na fabricação de aparelhos para musculação e ginástica; Winston Júnior, administrador da Bosch Car Service, especializada em Carburadores e Injeção Eletrônica, da Wizard Idiomas e CI Intercâmbio e Turismo; Leonardo, que administra o sítio e o haras da família.

Winston veio para o Brasil por volta de 1.957, com 15 anos, morou em São Paulo durante 3 anos e meio e trabalhou inicialmente como ferramenteiro mecânico. Chegou em Ourinhos em 1.960, estudou na Escola Horácio Soares, no ‘Jorginho’, onde fez Contabilidade e depois nas FIO – Faculdades Integradas de Ourinhos, onde se formou na 3ª turma de Administração de Empresas e também concluiu Economia em Marília.

Como tudo começou – Após três anos em Ourinhos, morando com os pais, o empresário conheceu sua esposa e ficou noivo. Recebeu uma proposta irrecusável para trabalhar em São Paulo, onde ficou por mais três anos, voltou e um ano depois se casou.

De volta a Ourinhos, dia 17 de Agosto de 1.966, em sociedade com Pedrinho Boarato, que permanece até hoje, montou a empresa especializada em bombas injetoras. “Tive sorte de trabalhar em São Paulo com os melhores técnicos daquela época e faziam gosto de ensinar, por isso, não tive grandes dificuldades de abrir minha primeira empresa”, afirmou.

E assim procura ensinar seus colaboradores também. “Sou detalhista e permaneço há tanto tempo neste trabalho porque gosto. Eu mesmo conserto, acompanhei a evolução e participo de todos os treinamentos na Bosch até hoje”, garante Winston que entrou no ramo de retífica somente em 1.982.

Obrigado a montar retífica – “Fui obrigado a montar retífica porque tinham cinco retíficas na cidade e região e eu fazia os serviços de bombas injetoras para todas. Eles faziam eu fazer o estágio de motores na fábrica para não aumentar os salários de seus funcionários. Um dia, um deles fez uma propaganda enganosa: ‘faça o serviço completo de motor que não cobro a mão de obra da bomba injetora’. Os outros não quiseram ficar atrás, porque acharam que o serviço era simples e não é assim, a bomba injetora é muito mais delicada que o motor, se não souber consertar, você acaba com o motor, não se pode trabalhar na base do ‘chutômetro’, porque senão você dá prejuízo ao cliente”, explica.

Foi quando percebeu, ao fazer comparação de orçamentos, que um dos concorrentes enganava os clientes. “Ele fazia o orçamento separado do motor e da bomba injetora e colocava as peças mais baratas, tipo arruelas e juntas no orçamento da bomba e as mais caras no orçamento do motor. Aí não tinha jeito de concorrer e todo mundo achava que éramos careiros, em virtude de orçamentos aplicados pelas outras retíficas. Com o tempo, a verdade apareceu e a empresa de bombas injetoras voltou a crescer e as outras cinco fecharam as portas. O sistema aplicado por mim foi nunca revidar contra quem criou problemas pra nós”, conta Winston.

Dificuldades no início – “Naquela época não era como hoje, com a rapidez da internet que se resolve em segundos. Nós solicitávamos uma ligação “na manivela” para São Paulo as 7 hs da manhã para pedir peças, a telefonista conseguia completar lá pelas 4 hs da tarde, a gente estava no meio da conversa, a ligação caia, tínhamos que deixar para o dia seguinte. Só tinha asfalto até Sorocaba e tinha peça que demorava até uma semana pra chegar”, conta. 

A inadimplência também sempre foi muito grande e até hoje é uma das maiores dificuldades. Antigamente você conhecia o trabalhador pela palma da mão quando estava cheia de calos. Hoje temos todos os tipos de informações na hora”, afirma.

Outro fator marcante foi a ‘concorrência predatória’ que sofri, pois ia buscar uma peça num concorrente, ele dizia que não tinha, mandava o meu cliente, ele vendia. Eu nunca fiz isso, sempre atendi quando podia, e hoje nenhum deles está mais no mercado”, relata Winston.

Mas em se tratando de consertos de bombas injetoras, compressores, retífica de motores, carburação e injeção eletrônica não tem ninguém que faz em quantidade igual a nós. Para fazer a quantidade de serviços que fazemos, são poucos no Brasil hoje”, orgulha-se.

Evolução – Primeiro bombas injetoras, depois retífica de motores entre outras especialidades, em seguida, carburadores e injeção eletrônica, estes últimos sob a responsabilidade de seu filho Winston Jr. “Fazem 20 anos que meu filho Júnior trabalha com carburação e injeção eletrônica. Quando era pequeno disse: ‘pai, quero trabalhar’. Pois bem, trouxe na bomba injetora, não se deu bem, trouxe na retífica, não se deu bem. Não era isso que ele queria fazer. Como eu tinha todos os aparelhos para testar os motores a gasolina, todos Bosch, eu mandava meus funcionários fazerem estágios, eles voltavam e não queriam fazer aquilo. O Júnior se dispôs a aprender o serviço de revisar o sistema de carburação dos motores. Foi auxiliado por uma pessoa que hoje é seu padrinho de casamento e o ensinou os primeiros passos em gratidão pelo que eu havia feito por ele e pelos outros funcionários. Achava que tinha que fazer alguma coisa por mim”, lembra.

Diferencial do cliente Winston – “Qualidade, comprometimento, preocupação pelo bem do cliente, honestidade, orientação, porque eu não sei a quantia de dinheiro que está no bolso dele. Faço questão de trazer ele pra dentro da oficina, mostrar o problema e como vamos resolver, perguntar se tem alguma dúvida e se precisa de mais alguma informação”, garante o empresário.

Futuro – “Todo mundo sabe que ninguém é eterno, tenho funcionários aqui com 46 anos de empresa, somos em mais de 100 no total, juntando todos das empresas da família. Primeiro preciso verificar o que vai acontecer nos próximos dois ou três anos, na semana que vem vou para uma convenção da Bosch e lá vou ficar sabendo as novidades que estão na Alemanha, nos Estados Unidos, que é o nosso futuro”, diz.

Além da profissão – Winston já foi vereador, vice-presidente da Associação Comercial, entidade onde é conselheiro até hoje, presidente do Rotary Clube por quatro mandatos, onde ajudou a construir a sede, é maçom há 45 anos, foi diretor da Santa Casa por 28 anos, presidente do Grêmio Recreativo em sua fase ruim, conseguiu levantar as finanças, em seguida saiu e foi colaborar com o Ourinhense, dentre outras atividades. “Na minha opinião, acho que ainda fiz pouco por Ourinhos. Desde criança, meus pais diziam: ‘ama a terra onde você pisa’. Foi o que fiz até hoje”, afirma.

O futuro de Ourinhos – “Pelo ponto estratégico de Ourinhos, nossa cidade não pode continuar perdendo o que está perdendo. Tentei trazer quatro empresas para a cidade no ano passado e não consegui, se eu fosse prefeito, traria 200. Não tenho vontade e interesse nenhum de ser prefeito, porque o que eu gosto de fazer é isso, ajudar sem estar lá sentado. Eu não vou largar minha profissão e não vou aceitar político chegar em mim e dizer: ‘se você não me arrumar tal cargo, eu não assino tal documento’. Se parar com essa frescura de ‘fulano’ não gosta de ‘fulano’, ‘ciclano’ é da oposição, essa cidade vai crescer. Se continuar essa frescura: ‘Ah não vou fazer isso aqui porque ‘fulano’ vai tomar o meu lugar, isso não existe, quem decide é o povo. Se você pensa na cidade, você pensa na tua família e você pensa em você. Se você pensa somente em você, você não pensa em mais ninguém”, alerta o empresário. 

Conselhos – “Dinheiro é importante sim, mas não é em primeiro lugar e se você deixar muito dinheiro, vai dar briga na família. Quando você vê, seus filhos já cresceram e você só trabalhou. Eu curti meus filhos e estou curtindo meus netos. Sempre digo aos meus funcionários: ‘Trabalhe como se você fosse viver eternamente e se divirta como se fosse morrer amanhã’. O dia em que você entender isso aqui, você será um homem feliz. Mesmo que esteja em situação difícil, acredite que vai melhorar, acredite em Deus”, finalizou Winston.

© 1990 - 2023 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.