sábado, 22 de junho de 2024

Inadimplência no comércio: Índices em Ourinhos estão dentro da normalidade

Rose Pimentel Mader

Os dirigentes da Associação Comercial e Empresarial de Ourinhos, Diógenes Corrêa Leite (presidente) e Alexandre Mariani que assumiu a vice-presidência da entidade em 1º de janeiro deste ano, estão otimistas em relação ao desempenho do comércio neste primeiro semestre de 2017. A crise econômica nacional que tanto aflige a sociedade e o setor empresarial e produtivo tem reflexos negativos em todos os segmentos admitem, mas a capacidade de trabalho e o poder de reação do empresariado podem contribuir para minimizar o impacto desse momento da vida nacional.

“Todo empreendedor precisa se ajustar e se preparar para estes momentos, modernizando e reestruturando seus negócios”, avalia Alexandre Mariani que atua no ramo comercial há 36 anos.

“Desde o ano passado começamos a ter uma pequena recuperação”, observa Diógenes Corrêa.

Estas ponderações estão baseadas em números e estatísticas da ACE. De acordo com o banco de dados da entidade, os valores negativos são de 6 milhões e 750 mil reais que correspondem ao registro de 13 mil pessoas na lista de inadimplência e 18 mil ocorrências. Isto significa que, em média, uma parcela desses consumidores possui dois registros no SCPC e a maioria das dívidas não ultrapassa os R$ 500,00. “Ourinhos está abaixo da média da inadimplência em relação aos anos anteriores, apesar da crise”, afirma Diógenes.

Esses números refletem também uma iniciativa da Associação Comercial que teve a adesão dos associados: o Feirão Limpa Nome, realizado em novembro de 2016, quando as pessoas devedoras tiveram a oportunidade de renegociar suas dívidas com juros baixos diretamente nas lojas.  

Segundo Alexandre Mariani, se observarmos o volume de desemprego em termos nacionais, a tendência natural é um aumento da inadimplência, mas é preciso considerar, no caso de Ourinhos, alguns fatores. O índice maior de desemprego se verifica na área industrial e Ourinhos tem uma vocação comercial e na área de prestação de serviços, setores que congregam o maior número dos trabalhadores ourinhenses.

No caso da indústria o desemprego gera efeitos imediatos na economia local e nacional, mas no caso do comércio o processo é mais lento. Naturalmente, neste primeiro semestre do ano, quando as pessoas estão empenhadas em pagar os impostos, buscando apenas as promoções e optando por saldar as dívidas contraídas no final do ano, a tendência é uma queda no movimento do comércio que começa a melhorar em maio, o próximo período de pico devido ao Dia das Mães, uma das datas mais tradicionais do calendário comercial.

Mariani ressaltou que nunca tivemos período tão difícil, como nos anos 2015 e 2016, em termos econômicos e isso refletiu muito no comércio. “No caso do nosso ramo, de calçados, voltamos ao patamar de 2011”, afirmou. As crises não ensinam nada, diz Mariani e impõe ainda mais dificuldades para a nova geração do comércio que precisa se organizar e reestruturar para continuar e preconiza que haverá naturalmente fechamento de empresas.

O vice-presidente da ACE diz que esses momentos exigem atitudes que nem sempre são prazerosas e que a perspectiva para 2017/18, se não houver nenhuma intempérie, é o comércio voltar a crescer.

Além de ser um polo regional importante, Mariani enfatiza que Ourinhos com mais de 100 mil habitantes tem condições de se manter e promover o comércio, fatores que geram boas expectativas. Também observa que a concorrência que é sempre salutar, a modernização de todo o centro comercial e as opções que oferece fez a cidade crescer e se consolidar. O grande diferencial afirma é um comércio mais atualizado e renovado, ao contrário inclusive de outros centros tradicionais da região que envelheceram, não acompanharam as tendências e não se modernizaram.

Todos esses fatores geram otimismo e boas perspectivas mesmo em momentos como esse de instabilidade econômica, acreditam os dirigentes da ACE.

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