quarta, 17 de abril de 2024

Instalação de “tachões” em ruas gera descontentamento e dúvidas na população

Segundo a prefeitura de Ourinhos, a instalação dos dispositivos é paliativa e provisória, pelo risco eminente de acidentes e atropelamentos

 

José Luiz Martins

 

A colocação de dispositivos auxiliares de sinalização, popularmente chamados de “tachões” em várias vias de Ourinhos, têm gerado controvérsias desde que começaram interferir no sistema viário de ruas e avenidas da cidade com o propósito de reduzir a velocidade no tráfego.

Na Rua Jose Bonifácio, morador já presenciou três acidentes com motoqueiros

 

Implantados há pouco tempo, os tachões têm despertado descontentamento de motoristas, principalmente motociclistas e ciclistas, que temem danificar seus veículos devido ao impacto e trepidação causados ao passar sobre esse tipo de dispositivo, a depender da velocidade em que se trafega.

O que a grande maioria dos condutores não sabe, é que as tachas refletivas são dispositivos para a orientação e organização do trânsito, delimitadores de espaço; e não podem ser utilizados como redutores de velocidade fixados transversalmente nas ruas.

É o que diz o parágrafo 2º da resolução 600/2016, do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), “é proibida a utilização de tachas, tachões e dispositivos similares aplicados transversalmente à via pública”.

 

Avenida Rodrigues Alves

 

A redação do Jornal Negocião recebeu várias queixas de munícipes alertando para a irregularidade, conforme prevista no Código de Trânsito Brasileiro e praticada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade da Prefeitura de Ourinhos que cuida da mobilidade no trânsito na cidade.

Mesmo com a proibição, a Secretaria tem implantado tachões em vias do centro e de alguns bairros, foram instalados na Avenida Rodrigues Alves, Rua Brasil, Rua Gaspar Ricardo, Rua José Bonifácio, Rua Sete de Setembro na Vila Margarida, Rua Dom José Marelo, Vila Mano, e outros locais.

Um dos reclamantes R.J. V. que trabalha como moto taxista e entregador, relata que ao passar por sobre os tachões, os motociclistas correm risco de perder o equilíbrio do veículo de duas rodas.

 

O uso de tachas e tachões é proibido e quando aplicados transversalmente à via pública como redutor de velocidade, podem causar acidentes e danos aos veículos

 

“Mesmo que você passe devagarinho aquilo pode tirar o equilíbrio ainda mais se estiver com alguém na garupa. Por pouco não caí da moto com passageiro quando fui passar com a roda naquele vãozinho entre os tachos. Tinha chovido estava molhado e aquele negócio é liso, o pneu resvalou e jogou o guidão da moto do lado foi por pouco”, reclamou.

De acordo com observação do próprio Contran, “o uso de tachas e tachões é proibido e quando aplicados transversalmente à via pública como redutor de velocidade, podem causar acidentes e danos aos veículos”.

Há risco de acidente” é o que atesta o vendedor Carlos Renato Bueno, morador na Rua José Bonifácio (Vila Nova Christoni). Na rua em que reside foi instalado tachões quase que em frente à sua casa. A via é estreita sem espaço de estacionamento de ambos os lados em toda sua extensão e com grande tráfego de caminhões.

 

Renato Bueno morador na Rua José Bonifácio

 

Ele diz não ser contra diminuir a velocidade dos veículos nas ruas com intuito de dar mais segurança, mas acredita que esse tipo de dispositivo não é o ideal. Além do risco de queda de quem trafega com moto, no seu caso o barulho e a trepidação causada no imóvel onde reside por veículos pesados são constantes.

“O problema que esse obstáculo trouxe para nós aqui é o barulho que faz quando os caminhões vazios passam aqui, muitos não diminuem a velocidade e a casa chega a tremer. Acho que desse jeito aqui não adianta, estão rasgando dinheiro porque a peça solta fácil do asfalto, é muito caminhão passando nessa rua. O certo aqui é fazer o quebra-molas (ondulado no próprio pavimento) normal que nem fizeram na frente do antigo sacolão seria bom muito bom”, sugeriu.

 

Barulho e a trepidação causados por veículos pesados são incômodos aos moradores

 

Segundo Renato, desde que os tachões foram implantados nesse local ele já presenciou o SAMU socorrendo motociclistas que perderam o controle de direção e foram ao solo.

“Teve três acidente aqui com moças pilotando Biz, elas tentaram passar no vãozinho dos quadradinhos e aí caíram. Vocês podem confirmar, foi chamado o SAMU pra socorrer, e isso em horário de pico no final da tarde. Esse negócio aqui não funciona o cara quer passar pelo vãozinho com a moto e acaba caindo, principalmente quando é mulher”, testemunhou.

Conforme a legislação de trânsito o uso desses dispositivos é indicado apenas para a canalização de tráfego, dando a percepção do condutor os limites do espaço e a sua separação em faixas de circulação.

 

De acordo com a prefeitura, ruas recapeadas acabam procovando um aumento de velocidade de motoristas

 

O QUE DIZ A PREFEITURA – A reportagem do Negocião conversou sobre o assunto com o Prefeito Lucas Pocay, que garantiu ser a instalação dos dispositivos uma ação provisória pelo risco eminente de acidentes e atropelamentos, que seriam, segundo ele, danos muito maiores à população.

Ainda segundo o prefeito, o programa de recape asfáltico que a cidade vem recebendo, com a recuperação da malha viária em diversos bairros tem provocado um aumento de velocidade por parte de condutores e a imprudência de alguns colocam em risco os pedestres e a segurança nas vias.

“Se, pela falta de consciência dos motoristas, tivermos que colocar lombada ou semáforo em toda esquina, a cidade ficará intransitável e virará um caos. Por isso, os tachões estão sendo provisórios e paliativos devido a demanda, para a conscientização e entendimento da velocidade para o fluxo adequado e seguro a todos os condutores”, declarou o prefeito.

 

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