quinta, 7 de maio de 2026

Justiça suspende contrato da UPA de Assis por suspeitas de irregularidades

Publicado em 01 abr 2026 - 08:51:39

           

O contrato, estimado em cerca de R$ 21,3 milhões anuais, foi firmado por meio de dispensa de licitação, com justificativa de situação emergencial, decisões questionadas pela justiça

 

Marcília Estefani

 

A Justiça de Assis determinou no dia 27 de março, a suspensão do contrato firmado entre a Prefeitura do município e a empresa Eder Hideki Pontes Munefica Ltda, responsável pela gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) “Ruy Silva”, que teve início em 10 de março. A decisão é pautada em indícios de irregularidades no processo de contratação.

 

 

O contrato, estimado em cerca de R$ 21,3 milhões anuais, foi firmado por meio de dispensa de licitação, com justificativa de situação emergencial. A justiça investiga a possibilidade de que essa emergência tenha sido previamente conhecida pela administração municipal que tinha conhecimento da crise com a gestora anterior desde abril de 2025.

Além disso, o documento aponta possíveis sinais de irregularidades mais graves, como suspeita de conluio entre empresas envolvidas no processo, sendo que uma das participantes no processo de licitação teria ligação direta com a empresa vencedora, levantando dúvidas sobre a formação de preços.

 

 

Também foram citadas dificuldades na identificação da estrutura física da empresa contratada e de seu sócio administrador, o que levanta suspeitas sobre sua capacidade operacional e suspeitas sobre uma suposta empresa de fachada, não estabelecida fisicamente.

Apesar da suspensão, a Justiça determinou que a interrupção do contrato ocorra de forma gradual, no prazo de até 120 dias, para evitar prejuízos à população que depende dos serviços de urgência e emergência. Durante esse período, a Prefeitura deverá realizar o pagamento direto aos profissionais de saúde e fornecedores, enquanto os valores referentes ao lucro da empresa serão retidos.

A decisão também estabelece que o município apresente, em até 15 dias, um plano para realização de nova licitação ou para assumir diretamente a gestão da unidade. O Ministério Público acompanhará o caso, com acesso aos dados financeiros e operacionais da UPA, e o Tribunal de Contas do Estado poderá abrir investigação própria.

Em nota oficial, a Prefeitura de Assis informou que acata a decisão judicial e que já adotou medidas para garantir a continuidade dos atendimentos. A administração também destacou melhorias implementadas recentemente na unidade, como aumento no número de médicos e redução no tempo de espera dos pacientes.

O caso segue em análise e deve ter novos desdobramentos nos próximos meses, especialmente em relação à legalidade da contratação e à definição de um novo modelo de gestão para a UPA.

A nota traz ainda as melhorias e benefícios trazidos pela empresa contratada. Leia abaixo a nota na íntegra:

“Esclarecimento sobre a Gestão da Unidade de Pronto Atendimento – UPA “Ruy Silva”

Em compromisso com a transparência e o respeito à população, a administração vem a público manifestar-se sobre a decisão judicial proferida nesta data, 27 de março, em relação ao contrato celebrado com a empresa Eder Hideki Pontes Munefica LTDA.

A administração municipal esclarece que entende, respeita e acata integralmente a decisão da Justiça. O departamento jurídico da administração municipal já foi acionado e segue trabalhando de forma diligente para adotar todas as medidas cabíveis.

O objetivo é garantir que o devido processo legal seja seguido, com a apresentação de ampla defesa fundamentada em dados técnicos e na total legalidade dos atos administrativos praticados pela gestão.

Embora a gestão acate a determinação, a administração entende que a saúde de Assis não pode retroceder. O contrato adotado permitiu avanços significativos, em especial o aumento do número de médicos clínicos, a implantação do atendimento de médicos pediátricos, a distribuição de fármacos pós-consulta para pacientes com alta (farmácia 24 horas), a substituição de auxiliares de enfermagem por técnicos de enfermagem e a inclusão de
psicólogo, assistente social e fisioterapeutas.

Desde o início do contrato, houve queda significativa e comprovada no tempo de espera para atendimento. A administração apresenta os dados operacionais dos últimos 16 dias no novo formato:

  • Tempo médio de espera: apenas 34,7 minutos, sendo o menor tempo registrado de 15
    minutos.
  • Total de atendimentos médicos: 3.814 pacientes assistidos.
  • Atendimentos pediátricos: 310 crianças cuidadas com atenção especializada.

Apoio multidisciplinar: foram realizados atendimentos de Psicologia e Assistência Social; esses profissionais também realizaram o acolhimento de pacientes e familiares na unidade, além de consultas de Fisioterapia — serviços que humanizam e aceleram a recuperação dos
pacientes.

A prioridade absoluta da gestão é garantir que a população não seja prejudicada. Estamos trabalhando de forma ininterrupta em soluções administrativas que preservem a qualidade da assistência e a segurança dos pacientes da UPA.

A administração reforça seu compromisso com a ética pública e com a verdade e seguirá lutando por um atendimento digno e eficiente para todos os assisenses.

Continuaremos acompanhando os desdobramentos jurídicos”, aponta o comunicado.

O jornalismo do EnDia Negocião tentou contato com o Doutor Eder Hideki, mas ainda não teve retorno.

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