quarta, 17 de abril de 2024

Manifestante ourinhense responderá a processo e terá bens bloqueados

O valor e o pedido de bloqueio de bens das pessoas e organizações envolvidas foi apresentado à Justiça Federal do Distrito Federal em medida cautelar

 

José Luiz Martins

 

Desde os atos antidemocráticos no último domingo, 8/01, em Brasília, praticados por radicais que não aceitam o terceiro mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva, autoridades do judiciário e da polícia trabalham para identificar e encontrar os participantes responsáveis pela invasão e depredação dos prédios públicos e, até mesmo, os financiadores.

Não está sendo preciso uma força tarefa para encontrar os que tiveram participação direta no quebra-quebra. A maioria são apoiadores de Jair Bolsonaro e sem nenhum temor, mostrando a cara, muitos dos que invadiram e atuaram na depredação do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF) facilitaram a sua identificação produzindo provas contra si mesmo, através de selfies e filmagens postadas nas redes sociais.

Muitos dos envolvidos foram presos e outros ainda estão sendo procurados em virtude dos atos configurados crimes, como dano qualificado, supressão violenta do estado democrático de direito e golpe de estado, associação criminosa conforme a Constituição Federal.

O ex-bancário ourinhense Nelson Eufrosino está entre os que expuseram imagens, ele aparece em um vídeo onde pede para uma mulher filmá-lo enquanto destruía vidraças no STF.

 

Nelson Eufrosino responderá a processo (imagem divulgada nas redes sociais)

 

Postado pelo próprio Eufrosino em grupos de mensagens as imagens comprometedoras rapidamente começaram a circular pelas redes sociais e o ourinhense não demorou a ser identificado. O fato chegou ao noticiário nacional e o vídeo viralizou e materializou-se como prova da prática dos crimes.

Outro bolsonarista de Ourinhos que também aparece em vídeos e fotos divulgados na internet é o ex-policial militar Primo Costa, também conhecido como Mike. Ele mostra a movimentação e reclama das bombas de efeito moral que estavam sendo atiradas contra os manifestantes.

 

Jairo (Ti), João Tossi e Primo Costa no acampamento em Brasília antes da invasão das sedes dos poderes da república (imagem divulgada nas redes sociais)

 

Processado pela Advocacia Geral da União

O nome de Nelsinho consta na lista divulgada pela Advocacia-Geral da União (AGU) quarta-feira (11/1). Além das pessoas que participaram do vandalismo, consta empresas, Sindicatos Rurais como suspeitos de financiar a ida de pessoas para os atos antidemocráticos.

A reparação dos danos da invasão e depredação de patrimônio público do Supremo Tribunal Federal (STF), Palácio do Planalto e Congresso Nacional, segundo a AGU, até o momento está estimada em R$ 6,5 milhões.

 

 

O valor e o pedido de bloqueio de bens das pessoas e organizações envolvidas foi apresentado à Justiça Federal do Distrito Federal em medida cautelar. A AGU poderá pedir a ampliação do valor a ser bloqueado na medida em que finalizarem a contabilização dos prejuízos, que ainda não foi concluída.

A notícia de que “Nelsinho Chapeiro”, como também é conhecido, estava entre os presos em Brasília chegou a ser divulgada pela imprensa local e teria sido confirmada por um parente.

Ao que tudo indica Eufrosino não foi preso, surgiram informações dando conta que ele foi identificado e fichado quando voltava a Ourinhos, no momento em que o ônibus que trazia os manifestantes foi apreendido pela Polícia Rodoviária Federal em uma rodovia no estado de Goiás.

Ele e outros 12 manifestantes estavam em um ônibus detido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-50, onde fica a base da PRF na cidade de Catalão/GO. A determinação de bloqueio e apreensão dos ônibus que retornavam de Brasília foi do Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda no domingo, 8/01.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal o veículo apreendido foi fretado na cidade de Andirá. Entre os doze passageiros estava a pessoa que seria responsável pela organização do grupo, que partiu de Ourinhos na sexta-feira (06/01).

Os detidos, cujos nomes não foram divulgados, tiveram objetos pessoais apreendidos e prestaram depoimento à Polícia Civil na delegacia de Catalão sendo liberados em seguida, retornando a Ourinhos em uma Van alugada.

A comitiva de Ourinhos para participar do ato foi feita pelas redes sociais em grupos de mensagens que reúne dezenas de moradores da cidade.

 

Manifestantes de cidades da região também foram detidos

Da mesma forma manifestantes de outras cidades da região foram arregimentados pela internet. Na segunda-feira, 9/01, a Polícia Rodoviária apreendeu um ônibus com placas de Botucatu com 45 pessoas na Rodovia BR-153, em Onda Verde com pessoas de Bauru e Jaú.

Segundo a PRF, alguns passageiros estavam feridos nas pernas por balas de borracha e confessaram que participaram da invasão das sedes dos três poderes na capital federal.

 

Ônibus detido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-50, onde fica a base da PRF na cidade de Catalão/GO

 

A reportagem do portal G1 informou que todos foram qualificados e liberados, uma professora do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu chegou a ser detida.

Sandra de Moraes Gimenes Bosco teria compartilhado dias antes nas redes sociais um folder chamando apoiadores bolsonaristas para participarem do ato em Brasília.

Fátima Aparecida Pletti de 61 anos, de Bauru, que organizou um ônibus da cidade até Brasília (DF) estaria presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF).

Nas redes sociais da idosa, há uma publicação em que ela organiza o ônibus e que estava em busca de verba para bancar a hospedagem próxima ao local das manifestações.

 

 

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