domingo, 19 de maio de 2024

Medo de assaltos e violência impedem postos de gasolina de gerar empregos em Ourinhos

Alexandre Mansinho

Embora Ourinhos seja uma cidade que, em virtude do aumento da população e do incremento do público universitário, tenha uma vida noturna cada vez mais intensa; a falta de segurança, o medo de assaltos e os episódios de violência impedem postos de gasolina e suas respectivas lojas de conveniência de funcionarem 24 horas. Proprietários relatam episódios que, no passar dos anos, serviram como justificativa para fecharem as portas dos seus estabelecimentos mesmo com a possibilidade de altos ganhos. José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sindicato do Comércio Varejista dos Derivados de Petróleo de São Paulo (SINCOPETRO), afirma que o problema é nacional e que a falta de segurança produz milhões de reais de prejuízo anual, além de impedir a geração de milhares de empregos.

“Para mim valeria muito a pena manter o funcionamento durante 24 horas, porém a violência e o medo dos assaltos torna isso impossível”, diz Carlos Eduardo Machado, gerente de um posto de gasolina no Parque Minas Gerais. “Houve um tempo, há anos, em que funcionávamos durante a madrugada, mas os assaltos frequentes tornaram isso impossível – funcionários trabalhavam com medo e alguns se recusavam a vir”, completa.

Ainda segundo Carlos Eduardo, os mais de 50 postos de gasolina de Ourinhos iriam contratar mais funcionários e incrementar suas lojas de conveniência se não fosse a violência: “apenas no meu posto haveria mais 3 empregos diretos se pudéssemos trabalhar na madrugada, Ourinhos tem uma vida noturna que torna financeiramente interessante o trabalho durante esse período, mas o risco não compensa”.

Guilherme Brizola Machado, gerente de um posto de combustíveis na Avenida Jacinto Sá, bem próximo ao Parque Olavo Ferreira de Sá (FAPI), é um dos poucos empresários do setor que arriscam o funcionamento 24 horas na cidade de Ourinhos: “havia uma loja de conveniência e 4 funcionários atendendo no período noturno, para manter o serviço nós reduzimos para apenas um trabalhador e eliminamos todos os outros serviços prestados, há apenas combustíveis”, afirma. Guilherme diz também que a própria Polícia Militar foi quem orientou os procedimentos de segurança: “o único frentista que trabalha de madrugada fica com apenas R$ 100,00 para troco e a maquininha de cartões de crédito e débito – não temos mais loja de conveniência”, lamenta.

Os trabalhadores também reclamam a falta de segurança: Edna de Oliveira, frentista com vários anos de experiência, coleciona relatos de assaltos sofridos: “eu tenho medo de trabalhar de noite, já fui assaltada três vezes, mas a necessidade fala mais alto”, relata. “Eu nunca sofri violência física durante os assaltos, mas o trauma psicológico me fez ter que usar antidepressivos continuamente”. Danilo Augusto do Nascimento denuncia que a Polícia Militar raramente passa fazendo rondas: “o posto no qual trabalho fica em uma das saídas da cidade, é um ponto de fuga para bandidos, muito raramente vemos alguma viatura por aqui. Se houvesse mais policiamento nós trabalharíamos mais tranquilos”. Dino César Souza da Silva relata que no último assalto sofrido no estabelecimento no qual trabalha, a polícia demorou cerca de duas horas para atender a ocorrência: “todos aqui trabalham com medo”.

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