quarta, 21 de fevereiro de 2024

Mercado de motos já sente que o pior da crise já passou

Alexandre Q. Mansinho

O mercado de motos no Brasil tem características diferentes dos outros mercados do setor de automóveis; fatores como baixo preço e baixo custo de manutenção torna o volume de negócios bem grande, mesmo em tempos de crise. No entanto, por causa da grande duração da última crise econômica, até um produto de grande comercialização como as motocicletas de baixa cilindragem acabou tendo uma queda nas vendas – tanto as motos novas quanto as usadas experimentaram um desaquecimento nos negócios.

“O consumidor brasileiro era irresponsável, o nível de inadimplência nesse período de crise cresceu muito, um pouco por causa da compra por impulso. O alto endividamento que veio com o aumento do desemprego produziu um grande “susto” no mercado”, afirma Fernando da Silva Gomes das Neves, analista de crédito. “Os bancos, em resposta, se reorganizaram e dispensaram muitos funcionários. Houve também um maior rigor por parte das instituições financeiras para conceder crédito para compra de produtos. Mas convém dizer que o tal “susto” do início do período de crise já passou, agora o número de negócios está voltando a crescer”, afirma.

Osvaldo Henrique Pereira, comerciante com 20 anos de experiência no mercado de motos novas e usadas, acredita que, mesmo em um cenário de desaquecimento, o usuário de motocicleta procura alternativas: “o cliente que procura uma motocicleta de baixa cilindragem quer preço baixo e praticidade. As vendas à vista e os parcelamentos caíram um pouco, mas o número de clientes que procura o consórcio aumentou”. Ainda segundo Osvaldo, mesmo nas compras usando financiamento, o cliente mudou de postura: “eu realizava aqui muitos financiamentos de 100% do valor da moto, fato que aumentava os juros que o cliente teria que pagar; agora eu faço mais financiamentos com uma porcentagem menor, incidindo assim menos juros para quem compra”.

Diogo Neres de Souza, vendedor da Hipermoto de Ourinhos, afirma que os fabricantes de motos também sentiram os efeitos da crise, no entanto a alternativa foi o investimento em tecnologia e alternativas mais em conta para os clientes: “para enfrentar o desaquecimento as fábricas criaram mais variedades de produtos para atender aos mais variados perfis de clientes”, afirma. “Também nós, vendedores, estamos buscando na capacitação a estratégia para continuarmos batendo nossas metas: atender bem o cliente e conhecer bem o produto que vendemos faz muito a diferença no fechamento dos balanços mensais”, completa.

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