sexta, 01 de março de 2024

Mesmo antes de começar, Moto Fest já causa polêmica entre legislativo e a organização do evento

Letícia Azevedo

Durante a 26ª sessão Ordinária da Câmara Municipal de Ourinhos, foi apresentado um requerimento pelos vereadores Sargento Sérgio e Cícero Investigador, para que houvesse uma reunião entre o poder legislativo e a organização do Moto Fest, para fins de acertar alguns detalhes relacionados principalmente ao barulho causado pelas motos, que perturba a população.

A partir daí criou-se um impasse e a reportagem do Jornal Negocião procurou pelos envolvidos para tentar esclarecer o caso, pois os vereadores afirmam que moradores dos bairros próximos à FAPI já estão procurando por eles em busca de soluções para as madrugadas que passam sem dormir durante os dias do evento.

AUTORES DO REQUERIMENTO – O Sargento Sérgio Pazianoto, após receber as críticas dos moradores que moram nas proximidades do parque Olavo Ferreira de Sá, decidiu por realizar o requerimento afim de conseguir a reunião entre o organizador do evento, Reinado Gaiquer, o Pica Pau, e a câmara Municipal.

Procurado pela nossa reportagem, o vereador se manifestou e esclareceu o que realmente foi dito na sessão da câmara. “Eu sugeri essa reunião com a organização do Moto Fest para que possamos juntos definir algumas regras para que o evento aconteça sem que haja o aborrecimento da população. De forma alguma foi colocado que nós desejamos o término do Moto Fest, apenas cobramos que haja uma festa que não incomode os munícipes, e não passe dos limites, como aconteceu na última edição.” – lamentou o vereador que recebeu até algumas ofensas via redes sociais após divulgações equivocadas da notícia em um veículo de comunicação da cidade.

“Não sou contra o evento, que fique bem claro, o que foi dito é que se esgotassem todas as possibilidades de negociação, e não tivéssemos nenhum contato com o Pica Pau (Reinaldo) seria melhor que o evento realmente acabasse, pois estão causando muitos transtornos à população. Até porque não compete a mim, e sim ao Poder Executivo. Gostaríamos de promover então uma reunião entre alguns vereadores, com o Prefeito, ou alguém que o represente e o Pica Pau, com o objeto de estipular algumas regras”. 

O vereador diz reconhecer a importância do evento para o município, e que ele agrega sim à cidade, no segmento hoteleiro, gastronômico, para o comércio, mas que as pessoas não admitem mais passar noites sem dormir. “O vereador é um intermediário da população, e eles nos procuram em peso para tentar resolver os problemas, e nós somos responsáveis por cuidar do bem estar das pessoas, e um terço da população ourinhense mora nos bairros adjacentes a Fapi, são cerca de 40 mil pessoas que são penalizadas com a perturbação que o evento também promove”.

Sargento Sérgio recebeu o apoio do vereador Cícero Investigador, morador dos arredores da FAPI, que também foi procurado pela redação, e alegou estar recebendo inúmeras reclamações dos vizinhos e moradores dos bairros adjacentes ao parque. “As pessoas estão batendo ao meu portão, exigindo uma postura por conta do cargo a mim conferido, depois da edição passada, que ultrapassou os limites. Gosto de moto, vivo no meio motociclístico, mas quando você está num evento, quando o barulho começa a incomodar você se retira do local. Mas e quando você reside nas imediações? Você tem que tolerar?” –  questionou o vereador.

Cícero relatou também que já presenciou uma situação que causou até um atropelamento, por conta da falta de regras e monitoramento por conta dos seguranças. “Uma pessoa foi atropelada ao meu lado, por uma motocicleta em alta velocidade dentro do recinto. Onde está a segurança para que as pessoas possam transitar sem serem atropeladas por esses motociclistas?”.

Outro ponto levantado pelo vereador é a questão da FAPI hoje, abrigar a hípica, que conta com um número grande de cavalos que acabam ficando expostos também a todo o barulho, causando grande stress a esses animais. 

Deixou claro que não há nenhum interesse da câmara e muito menos pessoal em extinguir o Moto Fest do calendário de eventos da cidade, mas que ele seja realizado com regras e limites principalmente no que leva em conta horários dos shows mais “barulhentos”. Na opinião dele, o evento vem perdendo a identidade, onde o perfil era de motoqueiros que vinham socializar com outros grupos, efetuar compras com os barraqueiros, se alimentar na praça de alimentação, enfim, um evento familiar. “De repente a organização se atentou muito na arrecadação financeira, e não se atentou a manter esse perfil que infelizmente vem se deteriorando a cada ano” – lamentou Cícero.

Além de todos esses aspectos, o vereador levanta uma outra questão, que seria a falta de prestação de contas por parte da realização do evento. “Pedimos a prestação de contas dos últimos Moto Fest realizados, e até agora a Câmara não obteve nenhuma resposta. É preciso que haja essa prestação de contas, pois ali é utilizado iluminação, água, e até a limpeza do local é feita pela Prefeitura. Está sendo feita a utilização de recursos públicos e nós não sabemos qual a finalidade do dinheiro arrecadado. É fato que o organizador tem que ter algum lucro, pois sabemos do empenho e do trabalho dispensado, mas como o local é público é imprescindível que haja a prestação de contas”. 

O vereador também frisou a importância de realizar essa reunião com rapidez. “É de suma importância que haja esse encontro entre quem realiza e quem fiscaliza e até de lideranças de grupos de motoqueiros para que seja discutido o que é melhor para o evento”.

ORGANIZAÇÃO DO EVENTO – Reinaldo Gaiquer, mais conhecido como Pica Pau, também conversou com a nossa reportagem, e disse que regras estão sendo implantadas desde o evento do ano passado. “Esse ano foi estipulado um horário para o término da festa, afim de que o barulho seja amenizado. Estipulamos o término da festa as duas da manhã, com uma tolerância de 30 a quarenta minutos, exceto na noite de sábado, que o término está estipulado para as três da manhã, pois é o dia com maior lotação”.

Pica Pau disse também que uma empresa de segurança de Lençóis Paulista foi contratada para fazer a segurança do evento. “Já contratamos essa empresa de outra cidade, para que não haja nenhum tipo de ‘vistas grossas’ com pessoas que estejam burlando as regras no local. Essa equipe, que contará com 30 seguranças, começará a atuar às 00:00 com o término do expediente às 8:00 da manhã. No entorno do recinto, a Polícia Militar já circula, e faz sua ronda rotineira”.

Pica Pau disse também estar disposto a comparecer nessa reunião proposta pelo poder legislativo, e a ouvir as propostas.

Em relação à prestação de contas Reinaldo disse que prestará contas sim, quando for cobrado pelo poder executivo. “Somos obrigados a prestar contas para a Prefeitura, não para vereadores. Se a Prefeitura achar necessária essa prestação de contas, a organização prestará contas, pois ela é responsável pelo recinto”. Afirmou ainda que o Moto Fest não recebe nenhuma verba pública, e questionou os motivos destas cobranças apenas com o seu evento. “Porque dos outros eventos, que inclusive recebem auxílio de verbas públicas, os nobres vereadores não pedem a prestação de contas?” – indagou o organizador do evento.

Pica Pau ressaltou que o Moto Fest tem uma tradição de mais de 20 anos, dentro e fora da cidade e que o evento é de portões abertos, que o público não pode ser seleto. “Todos os locais abertos estão sujeitos a todo tipo de público, desde pessoas de alto poder aquisitivo, baixo poder aquisitivo, crianças, famílias, mas que sempre há algum grupinho acostumado a badernar e são essas pessoas que estarão sendo abordadas pela segurança do local”.

A geração de recursos gerada pelo Moto Fest é muito importante para a cidade comentou. “São cerca de 35 mil pessoas na cidade, lotando 90% da rede hoteleira, desde o mais sofisticado até o mais simples hotel, todas as motos do evento acabam abastecendo os tanques antes de retornarem às suas cidades. Na noite de sábado, os visitantes procuram pelas casas noturnas, lanchonetes e acabam gerando um retorno financeiro para os comerciantes”. 

Quando indagado de uma possível queda de público nos últimos anos, Pica Pau explica que há alguns anos o Moto Fest era o único evento de moto da nossa região. “Hoje são mais de 30 eventos espalhados por todo país, e as pessoas costumam procurar os mais próximos, além de hoje haver uma “classificação” de certos grupos, como os de marcas de motos, motos club e etc, que são eventos destinados apenas a um tipo de público, ao contrário do evento ourinhense que é de portões abertos”.

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