domingo, 14 de abril de 2024

MP irá averiguar denúncia de possível ligação clandestina de energia elétrica na Câmara por manifestantes  

O grupo está acampado ao lado do prédio do Legislativo, pois o mesmo fica de frente ao quartel do Tiro de Guerra, onde diariamente cantam o Hino Nacional

 

José Luiz Martins

Alegando fraude e a interferência do judiciário no pleito presidencial que deu mandato de presidente da República a Luiz Inácio Lula da Silva em 30 de outubro, apoiadores do candidato Jair Bolsonaro em Ourinhos, permanecem acampados há duas semanas em uma área pública defronte a sede do Tiro de Guerra (TG) na Rua Expedicionário em Ourinhos ao lado da Câmara Municipal. O grupo protesta contra o resultado das eleições e pede intervenção militar para impedir a posse do novo presidente eleito.

Apesar de pacíficos e ordeiros, segundo denúncia publicada na reportagem do Jornal Biz no último domingo (13), a fim de manter o acampamento os manifestantes estariam supostamente se utilizando de energia elétrica da Câmara Municipal de Ourinhos através de ligação clandestina.

A reportagem do portal de conteúdo Biz divulgou um vídeo onde aparece um cabo de energia conectado a uma caixa de força em uma dependência interna da Câmara, que se estende por metros adiante até a área onde estão montadas barracas com equipamentos elétricos dos manifestantes.

O assunto foi repercutido por outros órgãos de imprensa e largamente nas redes sociais com internautas cobrando explicações do vereador Santiago de Lucas Ângelo (União Brasil) presidente do legislativo que, segundo reportagem publicada pelo site noticioso “Passando a Régua” foi citado por manifestantes inquiridos pelo site como responsável por supostamente autorizar a extensão e uso da energia elétrica do prédio público.

Na reportagem do Passando a Régua, os manifestantes questionados teriam dito: “(…) o presidente do Legislativo Santiago de Lucas Ângelo inicialmente havia permitido o fornecimento, mas, após a denúncia do site, achou por bem retirar a ligação. Os manifestantes afirmaram que não se tratava de uma ligação clandestina, ou seja, um “gato” e sim algo permitido pelo presidente, apesar de não haver qualquer oficio sobre a autorização”. O portal não identificou os autores das declarações que comprometem o presidente da casa de leis.

 

Câmara abre procedimento interno para apurar o suposto “gato”

A reportagem do Jornal Negocião tentou ao longo desta semana falar com o presidente Santiago Lucas por telefone, e-mail, whats app, assessoria de imprensa e Ouvidoria do legislativo sem que houvesse a devida atenção para uma série de questionamentos sobre o caso.

Na manhã de sexta-feira (18) após contato com a Secretaria Geral do Legislativo fomos informados que foi iniciado um procedimento interno (Protocolo 1144/2022) para apurar pela própria secretaria da casa o possível “gato” demonstrado no vídeo.

Segundo uma fonte ouvida pelo Negocião, à primeira preocupação da apuração interna do legislativo é identificar o responsável pela gravação do vídeo, supostamente feito na noite de sábado (12/11).

Há suspeita de que as imagens tenham sido registradas em represália a Santiago por partidário do prefeito Lucas Pocay, alvo de três CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) arregimentadas pelo presidente da Câmara após rompimento com o prefeito do qual era aliado até bem pouco tempo, e hoje um desafeto político.

Ainda segundo a fonte, após identificar o autor das imagens repassadas ao jornal Biz, autor da reportagem que denunciou o fato, o procedimento interno irá apurar em que circunstâncias os manifestantes tiveram acesso à fonte de energia, identificar quem autorizou, já que tal ligação é terminantemente ilegal, levando em conta ainda que o acesso às dependências do legislativo é diuturnamente restringido por seguranças da casa.

 

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Promotoria do Patrimônio Público se posiciona

Questionado pela reportagem do Negocião sobre a denúncia, o Ministério Público respondeu que a Dra. Paula Bond Peixoto, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público, teve conhecimento do suposto uso de energia elétrica da Câmara Municipal pelo grupo que está acampado no terreno ao lado do legislativo, por meio de notícias veiculadas pela imprensa e que foi instaurado ontem (6ª feira) procedimento para averiguar especificamente a suposta utilização da energia elétrica.

 

OUTRO LADO – Ainda na noite do domingo, 13, por volta das 20h00, a reportagem do Negocião esteve no acampamento, falou com alguns manifestantes e entrevistou um deles em uma live, e eles negaram suposto “gato”. A reportagem ainda transmitiu imagens que mostravam um veículo com as luzes ligadas para iluminar o ambiente da tenda onde as pessoas estavam, e pontos de iluminação improvisados com lanternas.

 

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