quinta, 13 de junho de 2024

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rogai por nós!

Da redação

Católicos de todo o Brasil comemoram nesta quinta-feira, 12 de outubro, o Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Em 16 de julho de 1930, o Papa Pio XI decretou a santa de devoção popular como rainha e padroeira do Brasil, seguido da Lei Federal nº 6.802, de 30 de junho de 1980 que decretou oficialmente o dia 12 de outubro como feriado nacional, dia de devoção à santa. Esta lei também reconhece Maria como sendo a protetora do Brasil.

Há mais de 300 anos, alguém lançou uma imagem em terracota de Nossa Senhora da Conceição, no Rio Paraíba do Sul, na antiga Vila de Guaratinguetá. Ao tomar essa atitude, a pessoa não imaginava que lançava a pedra fundamental da fé em Nossa Senhora Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. Os motivos daquele ato nunca vieram à tona, mas a história de como a imagem foi encontrada e dos milagres que se sucederam é contada há três séculos.

Em algum dia de outubro de 1717, o então governador de São Paulo, dom Pedro de Almeida, o poderoso conde de Assumar, viajava à Vila Rica (atual Ouro Preto), onde assumiria o cargo de governador da Capitania das Minas Gerais.

Ele seguia pela estrada do Vale do Paraíba e parou para pernoitar na Vila de Guaratinguetá. A fim de ajudar com um banquete que seria oferecido ao conde, três pescadores, João Alves, Domingos Garcia e Felipe Pedroso, saíram com a missão de trazer um grande número de peixes.

Ao lançarem a rede ao Rio Paraíba, ela voltou vazia. Foram várias tentativas sem nenhum sucesso, até que João Alves puxou um pequeno objeto, junto com alguns peixes. Era o corpo de uma santa, sem a cabeça. Os pescadores concordaram que se tratava de Nossa Senhora da Conceição.

Navegaram mais um pouco e, ao lançarem novamente a rede, puxaram outro pequeno objeto, com mais peixes. Era a cabeça da santa, que se encaixou perfeitamente ao corpo. Com a escultura depositada no barco, os pescadores lançaram a rede mais uma vez e ela voltou repleta de peixes. Assim, os três testemunharam o primeiro milagre atribuído à imagem pescada das águas

Construção da fé – Um dos pescadores, Felipe Pedroso, levou a escultura para casa, perto de onde foi encontrada. Seu filho construiu um altar rústico, onde a família passou a rezar o terço. Em 1745, foi erguida a primeira capela, no alto do Morro dos Coqueiros, que se tornou local de peregrinação.

Por ter aparecido do fundo das águas, os fiéis se referiam à imagem como Nossa Senhora Aparecida. Os relatos de outros milagres e a afluência cada vez maior de fiéis à capela fizeram com que fosse criada uma freguesia de Guaratinguetá, batizada de Capela de Aparecida. 

Em 1888, a santa e o povoado ganharam uma igreja maior, conhecida, hoje, como Basílica Velha ou Matriz. Quarenta anos mais tarde, a Terra da Padroeira emancipou-se de Guaratinguetá. 

Em 16 de julho de 1930, papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida rainha e padroeira do Brasil, em lembrança do encontro da imagem no rio. A cidade de Aparecida seguiu com sua história de fé e, em 1955, deu início à construção do Santuário Nacional, onde a imagem original da Virgem, encontrada no rio, pode ser vista no interior da Basílica, em um retábulo de 37 metros de altura, no térreo.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em sua assembleia geral de 1953, determinou que a padroeira fosse celebrada no dia 12 de outubro, por ser a data do descobrimento da América e da comemoração do Dia das Crianças, além, claro, por ser outubro o mês do encontro da imagem no Rio Paraíba.

A imagem – A imagem original de Nossa Senhora Aparecida, confeccionada em terracota (barro cozido), sofreu um ataque no dia 16 de maio de 1978, quando foi quebrada em mais de 200 pedaços (um jovem transtornado a teria arremessado ao chão). Ela foi levada ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde a artista plástica Maria Helena Chartuni começou o trabalho de reconstituição. Neste mesmo ano, a imagem foi restaurada e levada de volta ao Santuário Nacional de Aparecida.

Em 2012, a imagem foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Até hoje, continua exposta no nicho do Santuário Nacional de Aparecida.

Em entrevista, o padre João Batista, reitor do Santuário Nacional, disse que a expectativa é de que cerca de 170 mil pessoas estejam na cidade de Aparecida, no interior de São Paulo, nesta quinta-feira (12).

Fiéis de todo o país se dirigem até o santuário, inclusive a pé, em romaria. Pela Via Dutra, em São Paulo, passaram 5.453, entre os dias 1 de setembro e 10 de outubro, sendo 1.278 somente na terça-feira (10), segundo a CCR NovaDutra, concessionária da rodovia. A empresa estima que o número de peregrinos aumente 43% em comparação com o contabilizado na preparação para a festa litúrgica do ano passado, quando 8.640 pessoas caminharam pela via em direção ao Santuário Nacional. Uma curiosidade deste ano é o aumento do número de ciclistas romeiros.

No percurso, os peregrinos que caminham para pagar promessas, agradecer a padroeira ou pedir sua ajuda recebem apoio da concessionária e do estado, especialmente em caso de ser necessário atendimento à saúde, e também de voluntários. Entre estes, a organização do encontro Jubileu dos 300 anos registrou a presença de fiéis da Igreja Adventista, que montaram um ponto de apoio no trecho da Dutra que passa pelo município de Taubaté (SP). Lá, eles ofertam alimentação, cuidados com os pés e outros serviços de saúde, como massagem e teste de glicemia.

(Fonte: Agência Brasil)

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