quarta, 21 de fevereiro de 2024

Novo desafio da internet, jogo da ‘Boneca Momo” já faz vítimas e coloca os pais em alerta

Letícia Azevedo

Bem semelhante ao desafio da Baleia Azul, que vitimou cerca de quatro adolescentes no país e feriu dezenas deles, surgiu o desafio da “Boneca Momo”. Por meio de mensagens de Whatsaap, o desafio leva crianças e adolescentes a cometerem contra si atos de violência, mutilação e até suicídio.

A “Boneca Momo” é representada por uma criatura magra, de olhos esbugalhados, que se assemelha a uma mulher-pássaro e faz referência a uma lenda japonesa, de uma mãe que morreu durante o parto e adquiriu a capacidade de se transformar em outros seres para estar próxima a seus filhos. Os olhos grandes e esbugalhados e o sorriso pontudo remetem a um pássaro, conhecido por seu instinto protetor em relação aos filhotes.

Segundo informações, os participantes são desafiados a ligar para um número desconhecido, e por trás dele, está uma pessoa que se passa por essa “Boneca Momo”, que lança um jogo movido a desafios que vão do sufocamento até o enforcamento.

Outro fato apontado é que nessas conversas com a “boneca”, as crianças são induzidas a passarem seus contatos e informações pessoais, onde pessoas de má-fé acabam utilizando-se dos mesmos.

No dia 29, a Polícia Civil da Paraíba iniciou investigação de denúncia feita por seis pessoas de uma mesma família que dizem ter recebido mensagens de texto com ameaças com foto de perfil da boneca Momo. O conteúdo causou pânico entre as vítimas.

Até o momento, uma vítima fatal foi confirmada em Recife (PE), onde uma criança de nove anos foi encontrada enforcada em uma árvore. Os pais contaram à polícia que o filho não largava mais do celular e que ele estaria participando de um jogo, que teria o induzido a se enforcar. Outro caso também no Recife está sendo investigado, onde um menino de 11 anos foi encontrado com um fio de nylon amarrado ao pescoço, mas conseguiu ser resgatado com vida. Existem ainda outros casos em investigação.

O Jornal Negocião conversou com o psicólogo Fábio Sagula de Oliveira, Pós Doutorando em Filosofia da Educação pela Unesp de Marília e Especialista em Psicanálise pelo Núcleo de Psicanálise de Marília, sobre os motivos que levam crianças, adolescentes e até a se envolverem com jogos tão perigosos.

Fábio acredita que essas situações de alguma forma, sempre ocorreram, mas que com a implantação da tecnologia, eles acabam tendo mais ênfase na vida dos jovens (…) se pararmos para pensar em nossa história de vida, encontraremos situações na infância e adolescência onde, de certa forma, fomos desafiados por amigos e conhecidos a realizar alguma tarefa. Quem não se lembra da “loira do banheiro” que fazia parte do imaginário de muitas crianças em idade escolar cujo desafio consistia em “evocar” esta figura? Ou ainda desafios de apertar a campainha da casa de uma pessoa específica da vizinhança? Na verdade este tipo de curiosidade e conduta faz parte do desenvolvimento das pessoas, o problema é que com as redes sociais estes elementos ganham uma nova proporção.”

O psicólogo acredita que a participação dos pais é fundamental para que haja uma tentativa de impedir que uma possível tragédia aconteça (…) infelizmente o que percebemos hoje é que muitos pais e responsáveis não fazem ideia do que seus filhos consomem em termos de conteúdo advindo das redes sociais, e isso é perigoso. Não se trata de banir essa realidade tecnológica de crianças e adolescentes, até porque isso tudo faz parte de nosso contexto cultural e privar este sujeito em formação, do contato com este mundo pode levar a situações também prejudiciais, como por exemplo a exclusão por parte dos colegas de escola, problemas de socialização e até um prejuízo futuro no desenvolvimento de tarefas escolares e no trabalho. O que seria mais adequado e saudável consiste num acompanhamento por parte dos adultos sobre o acesso a estes conteúdos, refletindo e questionando junto com seus filhos sobre o que aparece na tela destes equipamentos eletrônicos. Uma parceria entre pais e escola também vale a pena, na medida que o ambiente escolar acaba por evidenciar o contato com diversos conteúdos e isso transparece nas relações entre as crianças” – esclarece.

Salientou ainda que algumas mudanças no comportamento dos filhos podem facilmente ser notadas pelos pais e familiares (…) mudanças bruscas de comportamento e na rotina dos filhos pode ser um sinal de que algo não vai bem. Apetite, sono, humor, roupas que não condizem com a estação (geralmente roupas de frio em tempo de calor), isolamento ou insistência em falar sobre determinados assuntos podem ser indício de que as questões habituais do desenvolvimento estão fugindo do controle. Passar a madrugada em contato com as redes sociais também pode indicar uma vinculação da pessoa com esses jogos e desafios. Prestar atenção nestes elementos e dar ouvido às demandas dos filhos pode reduzir consideravelmente o risco de que a pessoa se envolva nestas situações, em caso de dúvidas os responsáveis devem procurar ajuda profissional para orientá-los.” – encerrou Fábio.

A verdade é que a participação dos pais é de extrema importância. Acompanhar o desenvolvimento e relacionamento dos filhos é dever da família e pode prevenir centenas de situações. Procurar ajuda quando se tem dúvidas em relação a como lidar com determinados fatos também é muito importante.

A FIO (Faculdades Integradas de Ourinhos), disponibiliza em sua Clínica-Escola Cepp (Centro de Estudos e Práticas em Psicologia), prestação de serviços à comunidade no que diz respeito ao atendimento psicológico gratuito. Os interessados podem se dirigir ao Núcleo de Práticas FIO, que fica na Rua Rio de Janeiro 905, portando seus documentos, se cadastrar no programa de atendimento e aguardar o contato dos profissionais.

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