quinta, 18 de abril de 2024

Novo governo estuda retorno do Horário de Verão

José Luiz Martins

 

Muitas coisas dividem a opinião dos brasileiros, algumas mais e outras menos. Entre as que mais dividem está o horário de verão extinto pelo atual presidente, Jair Bolsonaro, assim que tomou posse. Muitos não sabem, mas o horário de verão no Brasil foi implementado pela primeira vez na década de 30 em uma época de grave crise econômica mundial.

O retorno da medida com duração fixa de quatro meses foi em 2008 e durou até 2019. O principal intuito era a economia de energia por meio dessa uma hora a mais de luz natural para evitar o que se chama de apagão no sistema elétrico no país.

 

BENEFÍCIOS – De 2012 para 2013 a demanda de consumo foi reduzida em média 4% e, pelo que se registrou em várias regiões do país, de 2016 para 2017, conforme o relatório do FGV houve uma redução de 6% na carga geral dos equipamentos.

Com a crise hídrica de 2021 e temendo apagão, várias entidades do setor elétrico, de bares e restaurantes, entre outras, pediram a volta da medida mais o governo de Jair Bolsonaro não atendeu a reivindicação.

A justificativa do governo federal foi de que as reduções não são significativas e que a maioria dos brasileiros desaprova a medida.

Agora com a mudança de governo e no atual cenário energético, há uma tendência de retorno e a decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as discussões no Ministério de Minas e Energia.

 

POSSIBILIDADES – Durante a campanha eleitoral uma das primeiras mudanças sugeridas pelo novo governo federal ao assumir em 2023, está o possível retorno do horário de verão. O presidente eleito chegou a postar no Twitter uma enquete para sondar a opinião dos internautas.

A votação mostrou que mais de 66,2% entre 2,3 milhões de votos são favoráveis ao retorno da medida que, terá apresentado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estudos sobre a mudança como, por exemplo, na forma como os brasileiros consomem energia elétrica atualmente e os impactos de novas tecnologias em equipamentos elétricos.

A decisão sobre o assunto, porém, é política porque o horário de verão mexe com hábitos de trabalho e de consumo de milhões de brasileiros.

No passado, as pessoas e empresas eram estimuladas a encerrarem suas atividades do dia com a luz do sol ainda presente, evitando que muitos equipamentos estivessem ligados quando a iluminação noturna era acionada.

 

CONSEQUÊNCIAS BIOLÓGICAS – Muita gente deixou de ter um horário tradicional de trabalho, chegando em casa com período a mais de claridade do dia, ouviu-se muito sobre os impactos das alterações do corpo que precisa de pelo menos 14 dias para se adaptar.

Constatou-se como consequência imediata do horário de verão ou do término dele o desajuste do relógio biológico. Enquanto o organismo não se adapta a mudança de horário, as pessoas se sentem mais sonolentas e, em decorrência disso, aumenta o cansaço, diminuindo a atenção, afetando ainda o metabolismo.

 

OPINIÃO DOS OURINHENSES – A reportagem do Jornal Negocião foi ouvir alguns ourinhenses a respeito dessa questão do horário de verão, que muitos gostam e muitos não. Há pessoas que não gostam por entender que atrapalha no horário de sono embora a maioria consiga se adaptar.

Outras não veem problemas, como a atendente Aline Garcia Leal que não se incomoda com o horário de verão, “até acho bom pra economia do Brasil, quando tem horário de verão o dia fica mais tempo claro e não precisa ter várias luzes ligadas, mas entendo que tem alto consumo também de ventiladores e ar condicionado, mas no geral acaba ajudando pra que não tenha falta de energia elétrica, é válido”, diz a jovem que reside no Jd. Eldorado.

Aline Garcia Leal – atendente – Jd Eldorado

 

Já o pedreiro Manuel da Silva Resende, natural do estado do Piaui, que trabalha na construção de um edifício em frente à Praça Melo Peixoto, diz não gostar do horário estendido porque atrapalha o seu trabalho, “é ruim, você vai pra casa mais cedo, mas também tem que chegar mais cedo na obra, aí é complicado porque com dia alongado se eu puder trabalhar é melhor, mas o expediente termina com dia muito claro tem que parar por que deu o horário, não rende o serviço”, diz o trabalhador que está apenas a trabalho na cidade há mais ou menos um ano. Para ele atrapalha horário de almoço também, pois está acostumado a almoçar ao meio dia e tem que alimentar-se mais cedo e tem dificuldades para acostumar-se.

Manuel da Silva Resende – pedreiro – Centro

 

O aposentado Laercio Fortunato de Oliveira, morador do CDHU diz não ter nenhuma restrição ao horário de verão, mas que pode acabar atrapalhando outras pessoas em algumas situações, “a mim não afeta em nada e acredito que a maioria não se incomoda, pelo menos com quem convivo, todos até gostam, preferem o dia claro mais longo, é melhor dá pra passear, outras pessoas procuram trabalhar mais e assim por diante”.

Laercio Fortunato de Oliveira – aposentado – CDHU

 

“Na verdade, o horário de verão ajuda em nada, ele simplesmente complica a atividade do comércio por que o dia vai até mais tarde, atrapalha tanto de manhã como à tarde”. Essa é a opinião do empresário Luiz Henrique de Souza, de Cambará, que estava realizando compras no centro de Ourinhos.

Mesmo com o menor risco de apagão no sistema há 20 anos ele argumenta dizendo, “antigamente, há 20 e poucos anos atrás, não tinha e era tudo tranquilo entendeu. Hoje as opiniões se dividem muito sobre isso, mas a minha opinião é que não valeu nada o horário de verão. Existem outros meios para evitar um possível apagão de energia”.

Segundo ele para isso acontecer é preciso que os governantes tomem providências como colocar em prática o uso de energia eólica e energia solar. “As cidades já podem trocar as lâmpadas das ruas, de iluminação pública, por aquelas que consomem bem menos energia como as de LED, e além do mais a maioria dos equipamentos elétricos e eletrônicos hoje em dia trabalham com reduzido consumo de energia”.

Luiz Henrique de Souza – empresário- Cambará

 

Igor Wesley de Oliveira Benedicto, morador da vila Perino, trabalha como ajudante de pedreiro e diz que, para quem pode aproveitar, a época de horário de verão é uma boa. “É melhor pra quem tá de folga, não tem que trabalhar como eu. Mas não tenho problemas me adapto muito bem, mas na minha casa tem gente que reclama porque atrapalha o sono, minha sogra vive reclamando que não sobra um tempinho pra dormir um pouco mais”.

Igor Wesley de Oliveira Benedicto – Vila Perino -ajudante de pedreiro

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