domingo, 14 de abril de 2024

O adeus a Bento XVI: “Pai, nas tuas mãos entregamos o seu espírito”

Papa Emérito foi sepultado na manhã desta quinta-feira, 5 de janeiro, nas grutas que ficam sob a Basílica de São Pedro, onde o caixão foi enterrado, no túmulo onde São João Paulo II foi sepultado antes de sua beatificação

 

Da redação

 

O funeral do papa emérito Bento XVI foi realizado nesta quinta-feira (5), na Praça de São Pedro, em frente à Basílica de São Pedro, no Vaticano. A cerimônia foi presidida pelo Papa Francisco e teve início às 5h30, pelo horário de Brasília. De acordo com o Vaticano, foi um evento “simples, solene e sóbrio”.

 

 

As imagens remetiam a abril de 2005, quando o mundo se despediu de São João Paulo II: o caixão de madeira, simples, posicionado diante do altar, sobre o qual foi apoiado o Evangelho aberto. Ao ser depositado no chão, recebeu um beijo do seu então secretário particular Dom Georg Gänswein.

A missa presidida por Francisco foi baseada no rito de enterro de um sumo pontífice, com algumas modificações, como a retirada de partes do protocolo sobre o enterro de um papa que estava no exercício da função.

No funeral, foram colocados quatro tipos de itens no caixão de Bento XVI: o pálio episcopal, moedas e medalhas comemorativas que foram cunhadas durante o seu papado, e a escritura que descreve o pontificado de Bento XVI, dentro de um cilindro de metal.

Estima-se que cerca de 50 mil pessoas participaram da cerimônia, entre as quais inúmeras autoridades e chefes de Estado. Celebraram com o Pontífice, além do cardeal-decano Giovanni Battista Re no altar, mais de 120 cardeais, 400 bispos e quase quatro mil sacerdotes.

 

 

Após a missa, o corpo foi levado para as grutas que ficam sob a Basílica de São Pedro, onde o caixão foi enterrado, no túmulo onde São João Paulo II foi sepultado antes de sua beatificação.

Bento XVI morreu no último sábado (31), aos 95 anos, no isolado mosteiro do Vaticano, onde vivia desde sua renúncia, em 2013.

 

Estima-se que cerca de 50 mil pessoas participaram da cerimônia, entre as quais inúmeras autoridades e chefes de Estado

 

Joseph Ratzinger, que foi o primeiro pontífice em quase 600 anos a renunciar, em vez de ocupar o cargo por toda a vida, foi eleito papa em abril de 2005, após a morte de João Paulo II.

Ratzinger nasceu em 16 de abril de 1927 na cidade de Marktl, na Alemanha, mas passou boa parte da infância e adolescência em Traunstein, perto da fronteira com a Áustria.

De família humilde e o mais novo de três irmãos, entrou para o seminário aos 12 anos e era fluente em diversas línguas, entre elas grego e latim. Mais tarde, fez doutorado em teologia na Universidade de Munique.

 

Dom Gänswein beija o caixão

 

O funeral seguiu o protocolo de um Papa reinante, com algumas modificações. Na homilia, o Papa comentou a leitura extraída de Lucas 23, 46, de modo especial a seguinte frase: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito».

“São as últimas palavras que o Senhor pronunciou na cruz; quase poderíamos dizer, o seu último suspiro, capaz de confirmar aquilo que caracterizou toda a sua vida: uma entrega contínua nas mãos de seu Pai. Mãos de perdão e compaixão, de cura e misericórdia, mãos de unção e bênção.”

Francisco nomeou Bento uma única vez, no final, mas as referências são extraídas de textos do Papa emérito: a Encíclica “Deus caritas est”, a homilia na Missa Crismal de 2006 e a missa do início do seu pontificado.

Citações que traçam o perfil do seu pastoreio, que se deixou cinzelar pela vontade do Pai, carregando aos ombros todas as consequências e dificuldades do Evangelho até ao ponto de ver as suas mãos chagadas por amor. Até ao ponto de fazer palpitar no próprio coração os mesmos sentimentos de Cristo Jesus de dedicação agradecida, orante e sustentada pela consolação do Espírito.

 

A oração do Papa Francisco

Foram essas três “dedicações” explanadas por Francisco. Dedicação agradecida feita de serviço ao Senhor e ao seu Povo que nasce da certeza de se ter recebido um dom totalmente gratuito. Dedicação orante, que se plasma e aperfeiçoa silenciosamente por entre as encruzilhadas e contradições que o pastor deve enfrentar e o esperançado convite a apascentar o rebanho. Como o Mestre, carrega sobre os ombros a canseira da intercessão e o desgaste da unção pelo seu povo, especialmente onde a bondade é contrastada e os irmãos veem ameaçada a sua dignidade. Dedicação sustentada pela consolação do Espírito, que sempre o precede na missão e transparece na paixão de comunicar a beleza e a alegria do Evangelho.

 

Oração do Papa Francisco

 

“Também nós, firmemente unidos às últimas palavras do Senhor e ao testemunho que marcou a sua vida, queremos, como comunidade eclesial, seguir as suas pegadas e confiar o nosso irmão às mãos do Pai: que estas mãos misericordiosas encontrem a sua lâmpada acesa com o azeite do Evangelho, que ele difundiu e testemunhou durante a sua vida.”

 

Simplicidade marcou o funeral de Bento XVI

Para Francisco, Bento XVI cultivou a consciência do pastor que não pode carregar sozinho aquilo que, na realidade, nunca poderia sustentar sozinho e, por isso, soube abandonar-se à oração e ao cuidado do povo que lhe está confiado.

É o Povo fiel de Deus que, congregado, acompanha e confia a vida de quem foi seu pastor. E o faz com o perfume da gratidão e o unguento da esperança, com a mesma unção, sabedoria, delicadeza e dedicação que o Papa emérito soube dispensar ao longo dos anos.

“Queremos dizer juntos: «Pai, nas tuas mãos entregamos o seu espírito». Bento, fiel amigo do Esposo, que a tua alegria seja perfeita escutando definitivamente e para sempre a sua voz!”

“Bento, fiel amigo do Esposo, que a tua alegria seja perfeita escutando definitivamente e para sempre a sua voz!”, com estas palavras, Francisco encerrou a homilia das exéquias do Papa emérito, diante de milhares de fiéis.

 

Com informações Bianca Fraccalvieri Vatican News e EFE.

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