sexta, 01 de março de 2024

Policiais Civis cruzam os braços por uma hora em Ourinhos

Policiais Civis de todo o Brasil cruzaram os braços por uma hora na data de hoje, 19/10 em “Operação Nocaute”. Em Ourinhos os serviços foram suspensos das 12 horas ás 13 horas em protesto para chamar a atenção do Governo pela desvalorização e falta de funcionários. Durante a paralisação nacional, apenas situações de flagrante foram atendidos. De acordo com os civis, o objetivo principal é mostrar para a sociedade que a precariedade do atendimento e inclusive a demora no atendimento e elucidações de crimes, não é culpa dos policiais, mais sim do sistema considerado por eles defasado. Leiam a Carta emitida pela Associação dos Delegados.

CARTA AO CIDADÃO

Ao cidadão, a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, em parceria com os Sindicatos dos Policiais Civis de Bauru, Presidente Prudente e Santos, realiza hoje a Operação Nocaute. Por uma hora, interromperemos os serviços prestados nessa Delegacia e gostaríamos de explicar nossos motivos. Apesar das circunstâncias instáveis e, muitas vezes, perigosas, os profissionais que optam pelas carreiras da Polícia Civil o fazem por vocação e amor ao trabalho. Ainda assim, os préstimos à sociedade são insatisfatórios e, muitas vezes, grosseiros. Temos ciência das reclamações e da insatisfação da população diante do serviço entregue pela Polícia Civil. Sabemos bem que o cidadão vai à Delegacia quase que contra a própria vontade; que a espera e o atendimento são irritantes, quase inconvenientes. E não temos receio em concordar. 

Somos cidadãos como vocês. Nossas famílias estão sujeitas aos mesmos problemas que as de vocês. E é com esse espírito que nos sentimos na obrigação de prestar um esclarecimento. A Polícia Civil está à beira da falência. Sequer temos como pagar a própria limpeza das unidades policiais, que dirá a estrutura como um todo? Estamos sem profissionais. Os que entram, dificilmente ficam ao constatar a realidade e os que permanecem, infelizmente, são poucos demais para cobrir um rombo que está aí há anos.

O resultado? Atendimento precário, condições de trabalho tenebrosas e uma realidade que só tende a piorar. Infelizmente, não conseguimos atender melhor porque mal temos como trabalhar bem. Num futuro não tão distante, sequer existiremos. Pedimos perdão pela interrupção dos trabalhos. Estamos cientes do desespero da população por mais segurança, mas estamos perto de jogar a toalha. A Operação Nocaute é um dos últimos suspiros da Polícia Civil. Precisamos de gestão e valorização ou certamente fecharemos as portas.

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