domingo, 19 de maio de 2024

Prefeitura prepara projeto de 6 km de Ciclofaixa e Ciclovia

José Luiz Martins

Durante entrevista coletiva na segunda-feira (06), a prefeita Belkis anunciou a retomada do projeto de implantação de   Ciclovias e Ciclofaixas em Ourinhos. A explicação do projeto inicial à imprensa foi feita pelo coordenador de trânsito Alfredo Amádio, que detalhou como a iniciativa irá se desenvolver. 

Serão feitas por etapas estendendo-se a outras regiões da cidade, interligando bairros ao centro, com ponto de convergência na Praça da Mulher no encontro da Avenida Horácio Soares com as Ruas Júlio Mori e Antônio Carlos Mori, local ao lado do pontilhão da ferrovia onde será construída área de convivência e bicicletário, ponto de apoio para as pessoas que se utilizam da bicicleta como meio diário de transporte, ou mesmo aqueles que pedalam por esporte ou lazer. 

As obras se iniciarão com a Ciclofaixa na Av. Miguel Cury na Nova Ourinhos que está em fase final de recapeamento em extensão com cerca de 1.600 metros, até o trevo do Pão de Açúcar. Ali, a ideia é também o aproveitamento do canteiro central para pista de caminhada mantendo gramado e a arborização existente. Conforme Amádio, a construção das ciclofaixas está condicionada primeiro ao trabalho de recuperação do asfalto das vias, escolhidas também pela adequação ao projeto de criação das rotas de pistas exclusivas para bicicletas.

Na sequência a ciclofaixa da Avenida Miguel Cury seguirá pela Avenida Horácio Soares até Rua Júlio Mori, cujo trecho a ser aproveitado no sentido a Cohab é o mais longo e adequado a ciclovias. A ciclofaixa deverá ser implantada em praticamente toda extensão de aproximadamente 3 km da Júlio Mori, ligando o centro a Cohab e adjacências. O trecho margeia os trilhos da ferrovia e está sob domínio e concessão da Rumo ALL, é totalmente plano e fica fora do leito carroçável da via com trechos largos e outros mais estreitos. 

Segundo o coordenador de trânsito essa é a primeira etapa da implantação do projeto que num segundo momento irá se estender até bairros como Vila Brasil, Boa Esperança e Parque Minas Gerais. Questionado sobre custos e prazos Alfredo disse, “É o início e não iremos parar até integrar vários caminhos dos bairros ao centro da cidade. Nós estamos na fase saindo do ante projeto para o projeto em si, posteriormente teremos levantamentos de preços que serão apresentados. Mas de antemão posso dizer que nas áreas onde serão implantadas as ciclofaixas será somente a pintura e sinalização no solo e colocação de tachões com um custo mínimo possível”.

Conforme Amádio, existe diferenças quando se fala em Ciclovia e Ciclofaixas, Ciclovia são áreas com separação da via pública com muretas, meio fio e até grades, sinalização e maior segurança. Ao passo que ciclofaixas são feitas na estrutura da própria via, apenas com sinalização de solo e dispositivos como olhos de gato ou tartarugas. O coordenador evitou falar em prazo para conclusão de todo o projeto inicial, tendo em vista que a ciclofaixa pela Rua Júlio Mori acompanhando os trilhos da ferrovia depende de anuência da RumoALL e da ANTT – Agencia Nacional de Transportes Terrestres.

A reportagem do NOVONEGOCIÃO entrou em contato com a assessoria de comunicação da Rumo ALL questionando sobre a existência de alguma gestão da Prefeitura de Ourinhos desde 2012 relativa a construção de ciclovia em área de domínio da empresa. Fomos informados que nenhum pedido ou projeto relacionados ao assunto está registrado no sistema administrativo da empresa. A concessionária informa ainda que para qualquer intervenção na faixa de domínio da ferrovia, é necessário atender às determinações da ANTT por meio da resolução nº 2.695 de 13 de maio de 2008, que estabelece os procedimentos a serem seguidos pelas concessionárias de serviço público ferroviário para a realização de obras.

Há três anos: Os ciclistas não esquecem  – Em agosto de 2012 no final da gestão do ex-prefeito Toshio Misato, há 60 dias da eleição que elegeu Belkis Fernandes sucessora de Misato, a Prefeitura de Ourinhos divulgou a notícia de que teria iniciado uma obra até então inédita na cidade. 

Era a construção de uma ciclovia de 3 km ligando a COHAB ao centro margeando a linha férrea, Rua Júlio Mori até a Praça da Mulher no pontilhão da Rua Antônio Carlos Mori. A ciclovia teria 3 metros de largura, sinalização, paisagismo, sendo uma moderna alternativa para trafegar seguro sobre duas rodas. A etapa inicial do projeto foi a terraplenagem, feita as pressas com a promessa de que em 30 dias a ciclovia estaria concluída, no entanto Belkis assumiu e nada foi feito. 

A possibilidade de implantação de ciclovias em Ourinhos surgiu no início de 2012 após questionamentos e polêmica gerada acerca da reurbanização da Avenida Domingos Camerlingo Caló, onde ciclistas daquela região da cidade reivindicavam a construção de uma ciclovia. Pela longa avenida que começa na rotatória da Av. Gastão Vidigal e vai até a Rodovia Raposo Tavares na Vila Musa, circulam diariamente centenas de trabalhadores, estudantes entre outros usuários da bicicleta.

O entendimento era que, aproveitando a reurbanização da via, a prefeitura construísse uma ciclovia ao longo da avenida, adequada as bicicletas dando mais segurança aos ciclistas que trafegam por ali para ir ao trabalho, a escola disputando espaço com automóveis, ônibus e caminhões que formam o intenso e veloz tráfego no local. 

Foram gastos mais de R$ 1 milhão na recuperação da avenida, em alguns trechos, diminuíram o leito carroçável com canteiros e estreitamento da via, a ideia da ciclovia não foi adotada. A justificativa dada pelo coordenador de urbanismo da PMO Gustavo Gomes, para a não inclusão da ciclovia na reforma da avenida foi de que na Camerlingo Caló era inviável tecnicamente e uma alternativa seria pela Rua Júlio Mori com garantia de mais segurança, pois os ciclistas não disputariam espaço com os motoristas.

Ressaltou ainda que fora elaborado um plano cicloviário sistematizado constatando a necessidade de ciclovias na cidade, sinal de que Ourinhos estaria se “modernizando”. Conforme declarou Gomes, a obra ficaria “pronta em um mês” e assim teria sequência as próximas etapas do plano elaborado pelo grupo Técnico do Plano Cicloviário de Ourinhos formado de ciclistas e funcionários da prefeitura.

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