quarta, 21 de fevereiro de 2024

Qual é o perfil do candidato a vereador em Ourinhos?

Alexandre Q. Mansinho

Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo divulgou na última semana os dados atualizados dos candidatos a vereador na cidade de Ourinhos. São 231 candidatos que disputam as 15 cadeiras da Câmara Municipal. O número anterior divulgado pela imprensa, 171, ainda não contava com as candidaturas registradas nos últimos dias do prazo. “O número saltou de 136, em 2012, para 231 em 2016. Esse crescimento de quase 70% revela uma estratégia dos partidos para driblar as restrições impostas pelo TRE”, afirma um coordenador de campanha. “Procuramos pessoas conhecidas nas comunidades, que possam “puxar” um bom número de votos e a convencemos a se candidatar. As chances dessa pessoa são mínimas, mas ela acaba funcionando como um bom “cabo eleitoral” para garantir a vaga dos melhores votados em cada coligação”, confirma.

Homem, de 45 a 49 anos, comerciante, branco, casado e com Ensino Médio completo – esse é o perfil geral do candidato a vereador em Ourinhos para as eleições 2016. “Tal perfil revela uma desigualdade e uma incompatibilidade com o perfil social da própria sociedade ourinhense. São poucos negros, poucas mulheres e poucas pessoas que têm condições de conhecimento para compreender as demandas sociais cada vez mais diversificadas e complexas”, comenta o Prof. Luiz Eduardo Devai, geógrafo e professor da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. “A diversidade da sociedade ourinhense não será nunca contemplada com vereadores de um perfil tão conservador”, completa.

Os números revelam que apenas 27% dos candidatos têm Ensino Superior, frente a mais de 29% de candidatos que têm apenas Ensino Fundamental ou nem concluíram os estudos regulares. No quesito étnico os números indicam que somente 20% dos candidatos se declaram pretos ou pardos, já a população de Ourinhos tem mais de 40% de pessoas que se enquadram nesse grupo.

 

Outra desigualdade apresentada no perfil dos candidatos a vereador está na representação feminina, enquanto números do IBGE apontam que 51,4% da população é formada por mulheres, o número de candidatas é de apenas 31%. Embora a representação feminina na política tenha crescido nos últimos anos, ainda é muito pouco em relação ao que seria considerado adequado na representatividade. “A sociedade brasileira ainda considera a mulher como um sexo frágil, o política machista sempre considera a opinião feminina como menos importante – isso se reflete no perfil dos candidatos e, mais ainda, no perfil dos vereadores eleitos”, afirma Luciana Souza Carvalho, mestre em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

© 1990 - 2023 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.