segunda, 15 de abril de 2024

Consumidores apontam quais alimentos estão mais baratos e os que continuam caros

Na prática os especialistas da economia explicam que o comportamento dos preços dos alimentos é sempre de altas e baixas

 

José Luiz Martins

 

Não há como negar, a queda nos preços de alguns gêneros alimentícios segue em curso e é percebida com ânimo por consumidores de todas as classes sociais. Mas como será daqui para frente? Será que podemos esperar uma redução mais significativa nos preços dos cereais, carnes, hortaliças, legumes, leite, entre tantos outros produtos que desde o início do ano estão com preços mais baixos?

Essa é a expectativa e esperança de muitos consumidores que, em boa parte, estão sendo levados a crer que 2023 seguirá com preços de alimentos mais acessíveis, principalmente para as famílias de menor renda.

Mas na prática os especialistas da economia explicam que o comportamento dos preços dos alimentos é sempre de altas e baixas, o que significa que muitos itens terão preços menores e podem até subir de preço, mas devem aumentar num ritmo e intensidade muito menores do que a população viu nos últimos três anos.

A tendência é que haja melhoras, mas muitos ainda terão dificuldades de organizar os seus gastos com o consumo dos itens de subsistência porque o número de produtos que vão à mesa do brasileiro é extenso e nem tudo está com preços mais convidativos, o que para quem ganha pouco pode ser até proibitivo.

Mas quais são os itens que estão sendo acrescidos à lista de compras, à despensa, geladeira e mesa das famílias por conta de preços mais baixos? O que realmente teve o preço reduzido, o que subiu, ou não aumentou e nem teve queda de preços nos últimos meses? Leite, carnes, arroz, feijão, óleo, açúcar e até café, esses básicos são os alimentos mais citados por cidadãos ourinhenses ouvidos pelo Negocião ao longo desta semana.

 

COMPARANDO PREÇOS – Entrevistado pela reportagem na saída de um supermercado, o comerciante Mauro Luiz Paloski, morador na Vila Recreio, e que tem uma sorveteria, diz que nessa questão de preços de comida é tudo relativo, já que alguns produtos ainda estão caros e outros produtos estão mais baratos. “Olha tem alguns itens que estão com preços melhores do que algum tempo atrás, mas não aquela coisa de você se surpreender e falar nossa tá bem barato.  O que eu posso dizer que comparando os preços de hoje com um período do ano passado tem diferenças muito altas de preço”. 

O comerciante lembra o fator da concorrência entre os supermercados, diz que influencia a queda de preços e quem quer economizar tem que verificar isso também. “Tem a concorrência, tem esse fator e a pessoa tem que verificar e correr atrás, tem que comparar preços e eu faço isso constantemente. Faz uma enorme diferença, eu tenho notado que o óleo de soja caiu o preço, o açúcar tá mais barato, feijão também tá um pouco mais barato e até na parte de produtos de limpeza e de higiene, legumes, frutas e verduras estão mais ou menos”.

Mauro disse que hoje se sente menos preocupado com a carestia, porque até bem pouco tempo tinha que “tirar mais dinheiro do bolso e levar menos coisas para casa”, mas apesar disso não se sente confiante e não alimenta a expectativa de que vai melhorar mais “ainda estou meio duvidoso com relação a isso por causa da política, não sei ainda se a economia está começando a ir por um bom caminho”.  

 

COMBUSTÍVEIS X ALIMENTOS – O transporte e preço dos combustíveis são fatores que influem no valor de praticamente tudo, o transporte no país é feito por veículos movidos a combustível e isso sempre encarece os produtos da lavoura, indústria e do comércio em geral, aponta Daniel Rubens Marques Vieira, ótico de profissão, morador na Nova Ourinhos.

Primeiro eu quero dizer o seguinte, muita coisa está caro e os preços dos alimentos, das mercadorias ficaram mais caros e ainda continuam por causa do preço dos combustíveis. É o transporte, o maquinário, também os tratores no campo que precisa de combustível, então isso tem muita influência. Estou vendo preço mais em conta de alguns produtos, mas não são muitos não sabe. Os produtos básicos como arroz, feijão, açúcar, óleo, tiveram queda, a carne também, mas tenho observado os valores das frutas, legumes, tá complicado ainda, estão muito caros, são produtos que tradicionalmente eram mais em conta”.

Para ele há sinais de que possa melhorar, ou seja, que os preços dos produtos possam cair mais e cita ainda outro fator além do transporte e valor do combustível. “Enquanto o dólar estiver nesses patamares de quatro a cinco reais vai ficar complicado, vamos ter dificuldade de encontrar comida mais barata. Mas eu tenho que dizer que tá muito diferente se comparado com o governo passado, está melhorando devagar e aos poucos”.

Preços alimentos – Daniel Rubens Marques Vieira ótico de profissão morador na Nova Ourinhos 06-2023 

BÁSICO MAIS EM CONTA – O caldeireiro Francisco Marques Bezerra, da Vila Nova Sá, tem família de quatro pessoas e chega a gastar perto de R$ 2.000 por mês com alimentação, para ele essa situação é complicada, mas está acreditando que esse custo no seu orçamento familiar irá diminuir. “Para mim os preços estão razoáveis viu! Está melhor sim, tem bastante coisa que tá baixando o preço de uns três, quatro meses para cá. Os principais é óleo, arroz, feijão e outras coisas que estão mais barato até sabão em pó e o botijão de gás”.

Ele diz que a vida financeira principalmente por conta da comida na mesa estava diferente comparando com hoje, “…tempos atrás era uma dificuldade danada, tinha que fazer muita pesquisa, deixando de comprar algumas coisas, parece que está caminhando para que isso não aconteça “.

Preços alimentos – O caldeireiro Francisco Marques Bezerra da Vila Nova Sá 06-2023 

 

GARIMPAR É PRECISO – Nem um pouco otimista está a aposentada Valdete Gouveia, moradora da Vila Margarida. Ela vai com frequência aos supermercados, mas não tem notado queda de preço. Em sua casa moram ela e o marido, ambos aposentados, e apesar de não gastarem tanto com comida, a dona de casa procura aproveitar bem tudo e “garimpar”.

“Para mim as coisas estão muito caras, aliás eu acho que estão subindo de preço. Então o que eu tenho que fazer é garimpar preço de um supermercado para outro. Os preços não caíram nada, eu já cheguei a fazer compra de mês com R$ 900, R$ 1.000, mas agora é picadinho, um pouquinho ali no mercado, um pouquinho ali no sacolão, mais um pouco no outro mercado e assim a gente reduziu essa despesa garimpando em função dos produtos estarem caros mesmo”.

Preços alimentos – aposentada Valdete Gouveia moradora da Vila Margarida, 06-2023 

A professora aposentada, moradora na Nova Ourinhos, Eleida Zanuto, diz também estar encontrando produtos alimentícios com preços mais acessíveis, mas não vê preço menor em alguns produtos de hortifrúti que para ela ficaram caríssimos, o que a levou a tentar substituir por outros. “Tenho observado queda de preços no óleo, açúcar, carnes e leite estão bem mais acessíveis, mesmo carne bovina está mais barata. Tem outros produtos também mas é uma quedinha aqui uma quedinha ali, somente frutas, alguns legumes, que ainda estão caríssimos. Tenho procurado comprar os produtos que são da época, que tem a colheita naquela época e geralmente são mais baratos tem mais oferta”.

Eleida diz enxergar que a diminuição dos preços da comida pode ter uma continuidade nos próximos meses e acredita que os valores vão ficar melhores ainda para todos, mas não por isso deixará de procurar onde encontrar o que precisa com melhor preço. “Sou daquelas pessoas que procura sempre os estabelecimentos comerciais que estão vendendo mais barato, pesquiso e vou atrás. Tenho comigo que não posso chegar e comprar tudo num lugar só, para mim é assim não tenho nenhum problema em rodar de um supermercado para outro para conseguir as boas ofertas. Para você ter uma ideia eu tenho comprado verduras e legumes na “Feira do Rolo” aos domingos, tem uma barraca lá de legumes e frutas e verduras de qualidade com ótimos preços”.  

Preços alimentos – A professora aposentada moradora na Nova Ourinhos Eleida Zanuto06-2023 

Enquanto uns se preocupam em ter noção do que está caro ou barato, alguns consumidores não dão muita atenção a isso ou já estão sem paciência para manter essa preocupação no dia a dia. Como no caso da aposentada Ione Gomes Cruz, que mora com o neto na Vila Margarida. Dona Ione conta que o neto Carlos é quem sabe disso.

Para dizer a verdade eu já não tenho mais noção de preço, não sei te dizer se está caro ou se tá barato. Eu vivo junto com meu neto e ele que sabe dessas coisas, ele faz a lista de produtos e às vezes eu é que tenho que ir no mercado e aí eu vou comprando. Mas é verdade, eu nunca dei assim muita atenção para isso para verificar o preço, ah a carne está muito cara, todo mundo fala isso e eu nunca prestei atenção. Meu neto até fala, Vó vê os preços, vê o que tá mais em conta, mas eu digo pra ele, ah se tem o dinheiro para comprar e dá para levar porque que eu vou ficar batendo cabeça com preço disso e daquilo”. Mas se tem uma coisa que ela diz verificar sempre, é o prazo de validade dos produtos que compra, “para não levar coisa que pode estragar e durar pouco, afinal sou aposentada”.

 

TUDO NA MESMA – Paulo Henrique de Castro, torneiro mecânico, morador no Jardim Paulista, tem a opinião de que os preços das coisas, não só de comida, continuam na mesma – não melhorou nada da pandemia. Diz que desde então os preços dispararam e não vê que está caindo. “Para mim não tem nada abaixando de preço, cada vez que você vai no supermercado vê que tudo subiu. Não é de hoje, se você for no mercado pensando em gastar uns R$ 100 você sai com meia dúzia de produto e olha lá, já foi melhor né”. Ele conta que a comida é que sempre traz mais despesa para a sua família e revela que na verdade, quem lida com preços e compras é sua esposa. “Quem faz compra mesmo é minha esposa, ela que sabe se aquilo está barato ou não, eu vejo que ela procura preço melhor, onde tem bastante oferta, qual lugar está com preço melhor que os outros. É assim nas ofertas de um supermercado para outro, aí eu vejo a diferença de preço, mas só na concorrência entre eles porque para mim no geral tá tudo ainda caro”.

Preços alimentos – Paulo Henrique de Castro torneiro mecânico morador no Jardim Paulista 06-2023 

MAIS COMIDA NA MESA – Já para Alexsandro Frota, funcionário de frigorífico, morador na cidade de Cerqueira César, o povo está conseguindo colocar um pouco mais de comida na mesa. Ele frequenta supermercados todos os dias em várias cidades da região, mas não para fazer compras, e sim para entregar cortes de carne suína da empresa em que trabalha.

“É minha esposa que faz as compras, mas eu tenho notado que alguns preços estão melhores principalmente na parte de arroz, feijão, uma coisa que eu vi que caiu bem o preço – praticamente pela metade – é o óleo de soja. Lembro que no final do ano passado custava entre R$ 9,00 e R$ 12,00 um litro de óleo, hoje está mais barato, a gente acha até por R$ 4,50. Nessa época o arroz alcançou a faixa de R$ 30 o pacote de 5 kg, hoje acha até por R$ 16,00 então a diferença é muito grande”.

Diz que tem conversado com os amigos que também comentam que está melhor, mas todos ainda reclamam do preço da carne bovina e que a carne suína que ele entrega está muito acessível para todos comprar e se alimentar bem. “Olha, eu acho que todos têm que reconhecer que com esse governo as coisas estão caminhando melhor do que o governo passado, principalmente no preço do alimento que o pai de família precisa pôr na mesa todo dia. É a mais pura verdade, só não vê a diferença quem não quer.”

Preços alimentos – Alexsandro Frota, funcionário de frigorífico morador na cidade de Cerqueira César06-2023 

COMÉRCIO DE ALIMENTOS PRONTOS – Um bom termômetro para medir altas ou baixas de preço de alimentos é o ramo do comércio de alimentação fora de casa, os restaurantes podem dar bons indicativos do comportamento de preços que vai à nossa mesa. A reportagem do Negocião verificou isso com Aparecido Rocha, que há 28 anos trabalha nesse segmento, em outros tempos ele foi proprietário e manteve ao mesmo tempo dois famosos restaurantes da cidade, o “Tropical e Ilha do Sol”. “Tenho que reconhecer, no meu ramo muita coisa já baixou de preço e baixou bastante, óleo, feijão, arroz, carne suína, frango e até a carne de boi. Eu posso falar também que baixou o leite, farinha e vários outros que sirvo no meu restaurante”.

Preços alimentos – Aparecido Rocha do restaurante Rocha 06-2023 

Atualmente dono do restaurante Rocha, na Rua Antônio Prado, ele revela que até o preço de embalagens de marmitex está melhor, seu estabelecimento vende em média 100 marmitas por dia de segunda a domingo. “São aproximadamente 3.000 marmitas por mês, a queda de preço vem desde o comecinho de janeiro. Para você ter uma ideia, o filé de frango no final do ano passado estava custando pouco mais de R$ 20 o quilo, hoje a gente encontra até por R$ 9, dependendo do supermercado.

Segundo ele, quase tudo no seu ramo de atividade está com preços em queda, mas ainda assim tem que procurar o produto que tenha qualidade e preço bom. Porém, ele ressalta que legumes e verduras em determinados momentos está mais barato, ou está mais caro, e isso é um problema para os restaurantes “… eu costumo ter um fornecedor, um agricultor que me vende direto vários produtos de agrícolas, mas às vezes a gente encontra alguns produtos nos supermercados mais barato que do produtor. Mas eu te digo que estou animado vendo que as coisas estão caminhando pra melhorar ainda mais”.

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