quinta, 18 de julho de 2024

Quem assiste a propaganda eleitoral no rádio e na televisão?

Publicado em 26 ago 2022 - 11:32:22

           

O Jornal NEGOCIÃO, a reportagem foi saber com alguns ourinhenses o que pensam sobre o assunto, afinal se os eleitores têm ou não algum interesse em assistir ao horário eleitoral, se este tipo de propaganda política tem ou não alguma influência no voto, já que os candidatos entram virtualmente na casa de cada eleitor.

 

José Luiz Martins

 

É sempre assim, cada eleição realizada no Brasil a discussão sobre o poder de atração do horário eleitoral obrigatório “gratuito¨ no rádio e TV aberta volta à tona. Este ano a propaganda eleitoral começou nesta sexta feira, 26 de agosto, e vai até 29 de setembro, estendendo-se por sete semanas até o sufrágio em primeiro turno, dia 02 de outubro. Caso haja segundo turno o horário eleitoral será de 7 a 28 de outubro.

Nesta edição do Jornal Digital do NEGOCIÃO, a reportagem foi saber com alguns ourinhenses o que pensam sobre o assunto, afinal se os eleitores têm ou não algum interesse em assistir ao horário eleitoral, se este tipo de propaganda política tem ou não alguma influência no voto, já que os candidatos entram virtualmente na casa de cada eleitor.

De acordo com especialistas, embora exista o mau uso desses veículos midiático pela maioria dos candidatos, o palanque eletrônico tem-se mostrado decisivo para determinados candidatos, pois, mesmo aqueles eleitores que rejeitam os comícios eletrônicos, em algum momento estará exposto às transmissões sobretudo pela TV.

A reportagem conversou com mais de uma dezena de munícipes estendendo o questionamento sobre o interesse nos debates televisivos que estarão acontecendo nos próximos dias. Entre os eleitores abordados para opinar, nota-se a falta de interesse e adesão da maioria das pessoas ouvidas à audiência do horário eleitoral, principalmente por parte dos jovens.

Algumas dialogaram sobre a pauta em questão e até expuseram suas opiniões, mas preferiram não se expor publicamente, outros não se importaram em se manifestar sobre o assunto nas páginas do jornal.

A balconista Simone Januário, funcionária de uma pastelaria no calçadão, diz não perder tempo vendo o horário eleitoral diário, mas gosta dos debates; “Não assisto na TV muito menos no rádio, para mim é perda de tempo. Já tenho os candidatos (deputados) que votei em outras eleições e a gente sabe mais ou menos o que ele já fez e o que ele está fazendo”. Já os debates entre os candidatos a governador e a presidência ela gosta. “Aquela propaganda todo dia e de noite passo longe, mas, o debate eu assisto, é governo estadual e presidente então é bom ver pra ter uma noção das promessas que vão ser feitas, é por aí que tiro uma base em quem votar nesse caso”, definiu Simone.

 

Simone Januário – Balconista – Bairro Oswaldo Brisola

 

A jovem Ionara Oliveira Cirino, de 18 anos, irá votar pela primeira vez este ano, ela também não se interessa pelo horário eleitoral e disse ficar sabendo das coisas pela internet vendo vídeos, reportagens e as postagens de redes sociais que falam de política. Em seu primeiro trabalho através do programa jovem aprendiz, Ionara relata que tem pouco interesse pelos debates, pois em época de eleição a informação política está em todo lugar.

“Eu tenho minha opinião formada pelo que vejo nas notícias, reportagens sobre os candidatos fora do horário eleitoral, tem muitas notícias de política na internet, em sites, jornais e revistas on line e nas redes sociais. Nessa época o tempo todo é política em tudo quanto é lugar, então pra mim é o suficiente e por isso não costumo assistir os debates”, justificou a jovem.

 

Ionara Oliveira Cirino – Jovem Aprendiz – Vila Musa

 

A também balconista Nicole Sanches Molitor acredita que o horário eleitoral influencia muito sim, mas não é o caso dela. Ela avalia que essa propaganda política na TV é muito superficial.

“A gente querendo ou não acaba conhecendo pouco de quem está pedindo pra ser escolhido, sempre tem muito marketing e os candidatos se mostram um pouco mais do que realmente são. Tem muita mentira, mas eu acredito que para algumas pessoas, quem se liga em rádio e TV, acaba influenciando bastante, uns conseguem filtrar outros não”, relata.

Ela afirma não ver os debates e julga não ser importante, acredita que algumas pessoas que assistem acabam ficando confusas com mais dúvidas ainda. “Acho que hoje em dia tem outras maneiras para se informar além do rádio e da TV, é mais pela internet que você acaba sabendo sobre os candidatos, olha na verdade não adianta nem debates porque que a gente nunca conhece as pessoas (candidatos) de verdade né”, disse a funcionária de uma loja de celulares.

 

Nicole Sanches Molitor – Balconista – Cohab

 

Veja o que disseram outros munícipes que concordaram em participar da reportagem e responderam por mensagens no Whats app.

 

Marinho Pereira – Servidor Público Municipal aposentado – Jd. Ouro Verde

“O horário obrigatório não influencia a minha escolha que nunca é de última hora, é bem estudada. Levo em conta primeiramente o grau de honestidade e caráter do candidato ou candidata, e a coerência no seu histórico político. Vou assistir os debates na medida do possível porque já conheço suficientemente as propostas dos candidatos e isso não mudará o meu voto”.

 

Ronaldo Camacho – Empresário – Jd. Matilde

“Não me influencia, pois, tenho opinião já formada e minha escolha muito bem definida, no entanto os programas eleitorais auxiliam no reforço das minhas convicções. Nas minhas escolhas sempre avalio e escolho meus candidatos antecipadamente, considerando e priorizando sempre minhas convicções e preferências partidárias. Procuro me inteirar das condutas, e “valores culturais e sociais” discursados e praticados pessoalmente pelos candidatos desde o passado ao tempo contemporâneo, a partir disso, escolho os que se assemelham mais aos valores dos quais julgo importantes e semelhantes aos meus. Sobre os debates na TV, pretendo sim assistir a todos que me forem possíveis e acessíveis, avaliando e torcendo sobretudo por uma boa desenvoltura do meu candidato escolhido”.

 

Ronaldo Camarcho – Músico empresário 

 

Durval de Lara Resende – Servidor Público Estadual

“Não sou influenciado pelo horário eleitoral da TV. Costumo acompanhar a política nacional, estadual e local cotidianamente. O primeiro critério é o comprometimento do candidato com as causas populares. Esse critério se aplica tanto aos candidatos a cargos executivos, quanto aos candidatos ao parlamento. O comprometimento dos candidatos com as políticas públicas, o olhar aos desfavorecidos, causas populares e a empatia. Já assistir os debates na TV não assisto, não tenho paciência e não acho que, para mim, seja um fator determinante do meu voto. Talvez até assista”.

 

Durval de Lara Rezende – Servidor Público

 

Henrique Coelho Hernandes – Construtor

“O horário eleitoral é fundamental para os candidatos poderem se expressar e assim mostrar seus projetos, mas particularmente para mim, não influencia, pois já tenho candidatos definidos. Levo em conta o passado, presente e futuro do candidato, vejo o que ele fez, vejo o que está fazendo e principalmente o que vai fazer, com quem vai se aliar, se respeita o estatuto de seu partido e de seus partidos anteriores, quais as alianças faz. E principalmente seus projetos que visem melhorar o país em termos de justiça social, meio ambiente, educação, transporte, cultura, saúde e aquecimento da economia. Busco saber se o candidato tem capacidade de comunicação, arrojo, empatia, habilidade no trato com situações adversas, transparência e clareza em suas atitudes. O candidato deve sempre buscar a tão difícil soberania. Gosto de política e analiso desde a época da ARENA e do MDB, e assim busco o candidato coerente com as necessidades do Brasil. Não é difícil saber quais são, pois somos um país miserável e acredito que precisamos de investimentos pesados em educação, sem antes a obrigação de levar à mesa de todo brasileiro no mínimo 3 refeições ao dia, não podemos ser um país que exporta alimentos tendo um povo faminto, isso é inadmissível! Depois disso vem as outras necessidades. Nesse período também podemos ver os que fazem das tão danosas Fakenews suas armas de campanha”.

 

Henrique Coelho Hernandes – Construtor

 

737 milhões. Gratuito coisa nenhuma!

Criado como ferramenta de exercício democrático para dar palanque aos candidatos, independente de seu poder econômico e anunciado como “gratuito”, a propaganda eleitoral já está sendo exibida em um pool de emissoras em todo país.

Porém, a gratuidade é só para os candidatos, já que o custo é bancado pelos impostos pagos pelos contribuintes e este ano deve garantir R$ 737 milhões em renúncia fiscal às rádios e às televisões, de acordo com a Receita Federal, que estimou o quanto o governo federal deixará de arrecadar em Imposto de Renda.

De acordo com informações publicadas na última quarta-feira, 24 de agosto, pelo jornal Folha de S.Paulo, a Receita deixou de cobrar mais de R$ 10 bilhões desde 2000 por conta da renúncia fiscal a emissoras. O desconto em imposto está previsto em lei.

Cada emissora prevê o que receberia de receita publicitária no tempo de veiculação da propaganda política e o faturamento que teve no horário nos outros meses. A Receita afirmou que “o cálculo da renúncia é feito utilizando-se a alíquota efetiva do Imposto de Renda Pessoa Jurídica multiplicada pelo valor declarado pelas emissoras”.

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