sábado, 15 de junho de 2024

“Reorganização” do ensino no estado coloca professores em alerta

José Luiz Martins

O governador Geraldo Alckmin novamente está disposto a impor novas políticas educacionais para o ensino paulista. Anunciada no final de setembro, em linhas gerais, o governo pretende reorganizar as escolas de ciclo único dividindo mais escolas para outros ciclos.

Pela proposta haverá ciclos para os anos iniciais do Ensino Fundamental, anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio, ou seja, a reorganização das 5 mil escolas da rede estadual de ensino para o ano letivo de 2016 terá unidades com três ciclos de ensino (1º ao 5º do Fundamental, 6º ao 9º do Fundamental e Ensino Médio), e deverão ser reduzidas para o crescimento da quantidade de escolas com apenas um ciclo.

Com isso o governo alega que irá melhorar a qualidade de ensino e do ambiente escolar, as alterações na rede são baseadas em estudos que apontariam rendimento superior de 10% nas escolas com ciclo único. 

Assim que tomaram conhecimento do projeto, sindicatos e entidades ligadas ao professorado no estado se manifestaram alertando que as mudanças trarão impactos negativos para a educação nas escolas estaduais a partir do próximo ano. Que a pretendida reorganização não visa a melhoria da educação oferecida pela rede estadual, mas sim, fazer uma reforma administrativa objetivando reduzir gastos da Secretaria da Educação com vistas a municipalização e abrir caminho para privatização.

Segundo a avaliação feita por essas entidades, centenas de escolas serão fechadas, já que o remanejamento de mais de 2 milhões de alunos irá concentrar a demanda em determinadas unidades de ensino e fechar outras. Haverá menos aulas para atribuir e o resultado será mais alunos por sala de aula piorando a qualidade do ensino, também retirando disciplinas e esvaziando a escola de conteúdo.

Ouvido pela reportagem do NOVO NEGOCIÃO, o diretor estadual e coordenador regional da APEOESP –Ourinhos, Luiz Horta, reclamou que não há uma interlocução clara com a Secretaria de Estado da Educação; que no início a secretaria divulgou informações desencontradas escondendo as reais intenções do governo.

Informações vindas das próprias unidades de ensino estaduais estão revelando aos poucos o que pretende o governo do estado com a reorganização. “Entendemos que é uma total bagunça o que o Geraldo Alckmin está tentando fazer com a educação no estado, não há outra motivação senão a econômica. Vão fechar salas e municipalizar. Esse projeto irá afetar mais de dois milhões de alunos em todo estado, 50% dos professores serão afetados com problemas de aposentadoria e até demissões” declarou o dirigente da APEOESP.

Para Luiz Horta, tudo está sendo empurrado goela abaixo, com os remanejamentos e todas as mudanças a serem promovidas na estrutura do ensino estadual, docentes e alunos só irão perder. Diretores e vice de escolas, coordenadores pedagógicos e milhares de professores terão dificuldades em manter seus empregos. “As mudanças irão superlotar as salas de aula precarizando ainda mais o ensino. O ideal seria sala de aulas com 25 alunos, mas hoje já trabalhamos com 40 alunos em sala e com essas medidas o número de alunos por sala irá aumentar mais” afirmou Horta.

Conforme o professor, se o projeto de reorganização for realmente implantado, em Ourinhos as mudanças irão afetar a escola José Augusto, que poderá ficar fechada em 2016. Na Escola Domingos Camerlingo Caló só haverá ensino médio. A escola Justina de Oliveira Gonçalves, que atende o ensino fundamental só irá atender em 2016 o ensino médio. Os alunos do ciclo fundamental dessa escola serão transferidos para Escola Maria do Carmo, cujos alunos do ensino médio serão transferidos para a escola Justina de Oliveira Gonçalves.

Ele ressalta que as mudanças de horários, distância e logística de transporte dos alunos trará muitos transtornos para pais, alunos e as comunidades escolares. A escola Dalton Morato Vilas Boas na Vila Musa, só irá atender alunos da 1ª a 4ª série, transferindo o ciclo fundamental 2 dessa unidade para a escola Maria do Carmo. 

Finalizando Luiz Horta acrescentou “Entendemos que a sociedade precisa tomar ciência do que está acontecendo e se junte aos professores e demais profissionais da educação para impedir que ocorra esse desmonte. É uma total desconsideração com os professores, não houve discussão com a categoria, e muito menos com a sociedade. Uma greve neste momento está descartada, mas manifestações contrárias a “reorganização” estão ocorrendo em várias cidades. O objetivo do governador Alckmin é fechar escolas, demitir professores para aumentar o caixa do governo estadual”.

Conforme Horta, professores, pais e alunos da rede estadual de Ourinhos estão organizando manifestações para esta sexta-feira, 09/10, nas escolas e num segundo momento na sede da Secretaria de Educação ao lado do Teatro.

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