segunda, 27 de maio de 2024

Réus acusados de homicídios são julgados e condenados no Fórum de Ourinhos

Os crimes não têm relação entre si, mas trazem em comum o alto grau de violência que chocou a cidade

 

Marcília Estefani

 

O mês de Outubro de 2021 colocou fim há alguns processos cíveis referentes a homicídios ocorridos em Ourinhos, que foram julgados no Fórum da cidade. Os crimes não têm relação entre si, mas trazem em comum o alto grau de violência que chocou a cidade.

CASO BRUNINHA – A jovem transexual Bruninha Rios (Guilherme Tavares Pedro) foi assassinada em 15 de março de 2017. Os acusados pelo crime, Gabriel Dias Garcia, e a também transexual Bárbara Close (Christian Adriano do Amaral), ambos hoje com 29 anos de idade, foram julgados no dia 14/10 e condenados a 22 anos e oito meses de reclusão em regime fechado. Uma terceira pessoa, na época menor de idade (17 ano), também estava envolvido no crime. Ele responde em liberdade.

 

A jovem transexual Bruninha Rios (Guilherme Tavares Pedro) foi assassinada em 15 de março de 2017 (Imagem divulgação na internet)

 

Em seu depoimento, Bárbara continuou negando o crime. Contou que quem matou Bruninha foi o menor. Por videoconferência o F.A., o então ‘menor’ contou que foi responsável pelo golpe no abdômem da vítima, feito com uma tesoura. Em seguida ela desmaiou e foi colocada dentro do carro pelos acusados, sendo levada para Salto Grande, onde foi morta por Bárbara, com 28 facadas. Após o homicídio os três fugiram para a cidade de Jaú, onde foram presos.

 

Os acusados pelo crime, Gabriel Dias Garcia, e a também transexual Bárbara Close (Imagem divulgação na internet)

 

Segundo Dr. João Ildes Beffa, delegado da DIG – Delegacia de Investigações Gerais de Ourinhos, eles não reagiram a prisão, mas negaram o crime afirmando que já estavam em Jaú fazia uma semana. Porém no carro de Bárbara, um Fiat Siena branco com placas de Canitar, foram encontrados vestígios de sangue no banco traseiro.

O Júri Popular teve início às 13h00 e foi encerrado às 22h13 minutos pela Doutora Raquel Grellet Pereira Bernardi, Mm. Juíza de Direito, que proferiu a sentença. Gabriel e Bárbara também foram ouvidos por videoconferência.

 

CASO MARIA LUÍZA FAJOLI – Carlos Henrique Pereira, popular Trek Trek, acusado de matar Maria Luíza Padre Fajoli, de 15 anos, em 1º de fevereiro de 2018, foi julgado na quinta-feira, 21 de outubro. O réu manteve sua versão de que o tiro foi acidental, de que não sabia que ainda havia munição na arma, porém foi condenado a 20 anos de prisão em regime fechado. A sentença foi proferida por volta das 23h00, quando se encerrou o julgamento que teve início às 13h00.

 

Maria Luíza Padre Fajoli, de 15 anos, foi assassinada em 1º de fevereiro de 2018 (Imagem divulgação na internet)

 

O crime aconteceu no Parque Minas Gerais em Ourinhos, na casa de Carlos Henrique, onde o acusado atirou contra a vítima, atingindo a cabeça da menina. Ao constatar a morte da menina, com a ajuda de seu irmão, o rapaz enterrou o corpo em um canavial.

 

Trek Trek foi preso em 26 de fevereiro e afirmou que foi um tiro acidental (Imagem: Jornal Negocião)

 

Trek Trek apresentou várias versões para o ocorrido. A princípio, disse que a menina havia tirado a própria vida de forma repentina, em seguida mudou sua versão, dizendo que a vítima havia dado um tiro em si mesma acidentalmente, mas mudou novamente a versão diante da contundência do laudo necroscópico, que descartou a hipótese de o tiro ter sido disparado pela vítima. “Ele afirma que foi tirar o revólver da mão dela e foi desmuniciá-lo, quando uma bala que havia ficado “no cano” acabou sendo disparada de forma acidental atingindo a cabeça de Maria Luíza”, relatou o Dr. João Beffa no dia 26/02/2018.

 

CASO ALEXANDRE VITA – Na quinta-feira, 28/10, aconteceu no Fórum de Ourinhos o julgamento de Evandro Leonardo de Paula, 33 anos, responsável pela morte do funcionário público ourinhense Alexandre Pinilha Vita, aos 48 anos, em março de 2019, com 34 facadas, após uma briga por causa do sinal de internet.

 

Alexandre Vita tinha acabado de conseguir sua aposentadoria

 

O réu era acusado de homicídio qualificado, meio cruel, motivo fútil e resultado que dificultou a defesa da vítima e foi condenado há 24 anos por votação unânime no plenário do Júri que teve início às 13h00 e término às 22h20, informou o assistente de acusação ao Negocião.

Evandro estava preso, sem direito de apelar em liberdade, já havia confessado o crime, mas alegou legítima defesa e após inimputabilidade. A lei penal vigente define o inimputável como “o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato”, porém o laudo existente nos autos atesta que ele é totalmente capaz.

 

Evandro Leonardo de Paula, 33 anos, foi condenado a 24 anos por votação unânime do plenário

 

Segundo boletim de ocorrência, o crime bárbaro aconteceu na noite do dia 3 de março de 2018, registrado na CPJ de Ourinhos na madrugada do dia 4 de março, na Rua Antonio Cruz, onde a vítima residia, quando o pintor Evandro de Souza Paula teria ido até a residência de Alexandre questionar porque ele havia desligado seu wi-fi (aparelho usado gratuitamente pelo autor). Os dois entraram em calorosa discussão onde Evandro atingiu Alexandre com uma facada.

Evandro relatou à polícia que desferiu um golpe de faca em Alexandre e que depois teria o arrastado para dentro de sua casa, onde atingiu o funcionário público com múltiplas facadas, e que depois do ato, teria ido até a sua casa, tomado banho e colocado suas roupas sujas de sangue para lavar.

Alexandre estava afastado do trabalho. Ele era portador de uma deficiência nos quadris, e deixou a namorada e dois filhos.

 

Familiares de Alexandre Vita esclarecem fatos do dia de sua morte

A reportagem do Negocião conversou com Cíntia Belo, que foi casada com Alexandre durante 16 anos, e esteve no local após o acontecimento, a fim de esclarecer algumas questões sobre o crime.

Segundo Cintia, o crime aconteceu na noite do domingo, 3 de março de 2019, e Alexandre não chegou a ‘brigar’ com o vizinho, nem mesmo entrar em ‘discussão’.

“O Alexandre já levou a primeira facada assim que desceu de seu carro, e foi levado para dentro da casa por Evandro, que chegou a retirar a camisa do Alexandre e deu as facadas, ele até lavou a camisa do Alexandre (…) Alexandre não teve tempo para discutir, assim que ele desceu do carro, por causa da doença que ele tinha, degenerativa, que é a doença de Devic, porque ele tinha dificuldade para descer do carro, demorava (sic) ele foi atacado, então ele não teve tempo de reagir, de discutir, de nada… Aliás o Alexandre nunca iria descutir porque ele era calmo e não gostava de briga”.

Ainda de acordo com Cintia, a família ainda sofre muito com o ocorrido, pois Alexandre era ótima pessoa, ótimo pai. e alguns fatos divulgados não condizem com a conduta da vítima.

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