segunda, 17 de junho de 2024

“Somente com o apoio da população poderemos vencer a guerra contra o tráfico”, diz delegado da DISE de Ourinhos

Alexandre Mansinho

Dia 29 de maio a Polícia Militar Rodoviária apreendeu 1,3 toneladas de maconha e mais de 2,5 mil comprimidos de ecstasy em um caminhão carregado de abóboras – o nível de organização do transporte era elevado, havia até um carro que ia na frente do caminhão dando a “escolta” para o carregamento. Tal apreensão serve para ilustrar a atual situação da cidade de Ourinhos em relação ao tráfico de entorpecentes: as estradas que cortam nossa cidade compõem a “rota caipira do tráfico”, as bases da Polícia Militar Rodoviária e a base da Polícia Rodoviária Federal que estão instaladas em nosso município só perdem em número de ocorrências relacionadas a entorpecentes para as bases instaladas em áreas de fronteira.

Paralelo ao problema existente nas estradas ourinhenses, está o comércio de entorpecentes nas ruas da cidade. O Jornal Negocião recebe semanalmente denúncias de tráfico de drogas que ocorrem em festas universitárias, escolas públicas e nas conhecidas “bocas de fumo” – o alto número de prisões de traficantes realizadas pela Polícia Militar é um termômetro do problema: se o número de apreensões é alto, significa que a quantidade de entorpecentes nas ruas também é. Em uma comparação entre o período janeiro/abril de 2016 e 2017 percebemos um aumento no número de ocorrências e de prisões relacionadas ao tráfico de drogas, junto com o aumento nas ocorrências e prisões aumenta também o número de usuários, tornando esse “círculo vicioso” uma realidade extremamente nociva.

Não existe essa história de “é só um cigarrinho” – Dr. Fernando da Silva Freitas, delegado da DISE (delegacia especializada no combate ao tráfico de drogas) disse, em entrevista exclusiva ao Jornal Negocião, que a parceria da população é primordial nessa batalha: “somente com o apoio da população poderemos vencer a guerra contra o tráfico – qualquer cidadão pode fazer uma denúncia pelos canais disponíveis e, sem exceção, todas as denúncias são averiguadas”. Dr. Fernando ainda completa dizendo que qualquer tipo de droga é nociva à saúde, mesmo àquelas que são consideradas “normais” por alguns: “não existe essa história de “é só um cigarrinho”, pois o dinheiro usado na compra de qualquer substância ilícita vai sustentar o tráfico e, consequentemente, vai sustentar toda a violência que o tráfico produz”. 

Danças urbanas: arma poderosa contra as drogas – Se, por um lado, é necessário combater a ação dos traficantes, por outro também é primordial dar acolhimento aos jovens em situação de risco social. Prof. Alexandre Cardoso dos Reis, o Xandão, educador físico e especialista em danças urbanas, acredita que a arte é um instrumento poderoso para combater toda a espécie de exclusão social: “é necessário que o jovem, sobretudo o jovem de periferia, tenha alternativas para poder resistir ao tráfico, cada um deve fazer a sua parte, a nossa é produzir arte e transformar realidades”. Ainda segundo o Prof. Xandão, todos podem praticar danças urbanas: “antigamente chamávamos de ‘dança de rua’, mas esse termo era de certa forma preconceituoso – hoje as danças urbanas convivem com as danças clássicas dividindo espaço até nas universidades”.

 

UTILIDADE PÚBLICA: Denúncias sobre tráfico de drogas podem ser feitas pelos telefones 181 e (14) 3302-5511 ou pelo site www.policiacivil.sp.gov.br. Quem quiser pode se dirigir à DISE: Avenida Hassib Mofarrej, 1156, Nova Ourinhos. Garantia de sigilo.

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